mai
02
2012
0

Jornalismo é imprensa crítica

Jornalismo é imprensa crítica. Imprensa a favor é propaganda.

O jornalista mais vulnerável à violência é o que trabalha em condições difíceis fora dos grandes centros, em regiões dominadas pela oligarquia. A gente só fica sabendo do trabalho dele quando ele morre.

Assista a entrevista do jornalista Altamir Tojal ao Instituto Millenium, sobre a importância da imprensa no combate à corrupção e a necessidade de se proteger o trabalho do jornalista.


Escrito por Jorge Carrano em: Artigos,Comunicação Empresarial,Digital |
abr
17
2012
2

O cubo mágico

Por Jorge Carrano

Não importa de qual ângulo você olhe um cubo, somente poderá ver três dos seus seis lados. Pode tentar.  Essa imagem me remete ao trabalho do comunicador, seja ele jornalista, publicitário, cineasta, webdesigner ou qualquer outra atividade.

Nunca poderemos ter, de fato, uma visão completa dos fatos. O cubo da notícia sempre esconde metade de suas faces.

Pessoas e empresas, no entanto, têm dificuldade de aceitar esse fato. Querem ter controle de tudo. Querem conhecer tudo. Isso não é possível.

O imponderável e o desconhecido fazem parte da vida, da natureza e, por extensão, também dos negócios.

Você pode considerar que, sendo um cubo, é possível saber exatamente como são as “faces ocultas”. Talvez, mas não deixa de ser um exercício de projeção e, portanto, de ficção. Mesmo aceitando uma fórmula geométrica que assegure uma informação “exata”, há que se considerar que não existem tais equações para os fenômenos humanos.

Talvez aí resida a “magia” da nossa profissão: sabemos que é um cubo, mas suas faces sempre ocultas são ao mesmo tempo um alerta e um estímulo a conhecermos mais os nossos públicos, meios e mensagens.

Crédito imagem: http://blaahblog.wordpress.com/2009/07/08/cubo-redondo/

 

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos,Comunicação Empresarial,Cultura,Digital |
abr
10
2012
1

Seu site ‘mobile’

Por Jorge Carrano

O uso de smartphones e tablets tornou relevante uma questão: o que fazer com um site que, depois de tanto trabalho e investimento, simplesmente não funciona direito nesses novos dispositivos?

Em primeiro lugar, é razoável supor que grande parte dos sites não têm um bom comportamento nos aparelhos móveis simplesmente porque quando foram feitos esses dispositivos não existiam, ou representavam uma fração mínima da audiência. Se seu site tem dois anos ou mais, é provável que esteja nesta categoria. Lembre-se que, no início de 2010, o iPad sequer existia…

Resta então a questão: é possível fazer um site que funcione nos desktops/laptops e também nos dispositivos móveis?

Sim, é possível, mas é preciso saber como.  Para começar, vale lembrar que os dispositivos Apple não rodam arquivos em Flash. Tendo a incompatibilidade entre HTML5 x Internet Explorer de um lado, e a divergência Apple x Flash do outro, o cliente e sua agência ficam numa situação difícil. Já falamos bastante sobre isso aqui (leia post).

Mesmo que esta questão seja resolvida, resta uma outra: será que o site mobile deve ser igual ao site completo? Alguns especialistas em usabilidade, como Jakob Nielsen, acham que não. Isso porque as demandas e circunstâncias de quem acessa pelo celular ou tablet não são as mesmas de quem usa computadores de mesa ou laptops.

Parece-me que o melhor seria “editar” o site para que, de fato, tenha apenas os conteúdos fundamentais para visualização em dispositivos móveis. Embora as telas do iPad, do Galaxy Tab e outros tablets tenham bom tamanho, não podemos dizer que a navegação pelo iPhone, Blackberry e outros seja assim tão “confortável”. Não é.

Então, alguns cuidados são necessários na construção de seu site mobile:

1 -  Identificar se o visitante acessa via dispositivo móvel, e então redirecioná-lo para uma versão adequada.

2 -  Esta versão deve ter menos conteúdo, e apenas o mais relevante. Vale lembrar que embora a maioria das pessoas tenha mais de um acesso, temos todos menos tempo.  Você não pode apostar que o visitante fará uma consulta via smartphone quando está na rua e depois vai conferir ou pesquisar com mais calma em casa ou no trabalho usando um laptop. Daí ser relevante saber qual conteúdo é indispensável para quem acessa a versão mobile, pois ele pode não voltar…

3 – As telas mudam de tamanho, mas os dedos não… Então o design precisa ser repensado, para ter menos elementos na tela, e links e botões maiores. Simplificar é a palavra-chave aqui.

Se seu site foi construído antes da explosão dos acessos móveis, é melhor convencer a diretoria de que precisa de uma verba adicional para produzir uma versão compatível.

Se seu site ainda será feito, está na hora de avaliar essas questões e trabalhar para que o resultado seja visível pelo maior número possível de pessoas.

Pessoas que estarão, certamente, cada dia mais “móveis”.

 

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos,Cultura,Digital |
mar
21
2012
0

Nasa wants you!

Por Jorge Carrano

Diz a lenda que Samuel Wilson era um comerciante de carnes, que tinha entre seus clientes o exército americano. As embalagens do produto tinham as iniciais U.S. (United States). Quando alguém perguntou o que queriam dizer, um  soldado brincalhão teria dito que significavam “Uncle Sam” (Tio Sam), uma referência ao dono da empresa. Isso foi no início do século XIX, mas em 1961 o Congresso Americano reconheceu Samuel Wilson como inspirador da figura do Tio Sam.

O lendário cartaz (abaixo) foi criado em 1917 pelo artista James Flagg. Com a frase “I Want You for U.S. Army” (“Eu Quero Você para o Exército dos EUA”), seu objetivo era recrutar soldados para a Primeira Guerra Mundial.

Parece que o “Tio Sam” ainda precisa de novos recrutas.

A  NASA (National Aeronautics and Space Administration) está lançando um evento chamado International Space Apps Challenge (algo como Desafio Internacional de Aplicativos para o Espaço) cujo objetivo é o desenvolvimento de  novas ferramentas que melhorem a vida na Terra e no espaço.

O evento acontecerá nos dia 21 e 22 de abril deste ano. A ideia é juntar pessoas de todo o mundo para trabalharem de forma colaborativa em busca de soluções para alguns dos principais desafios atuais. Os encontros ocorrem em todos os continentes, e aqui no Brasil acontecerá em São Paulo.

O mais interessante é que você não precisa ser um cientista para participar. Isso porque a NASA – assim como as empresas mais antenadas no presente e preparadas para o futuro – sabe que as soluções realmente inovadoras para os complexos problemas do nosso mundo exigem a colaboração entre  indivíduos com talentos muito diferentes, e incluem engenheiros, cientistas, designers, artistas, educadores, estudantes e empresários.

Os temas inicialmente propostos  (mas outros podem ser incluídos) são softwares de código aberto, hardware aberto, visualização de dados e  o desenvolvimento de plataformas voltadas para ações de cidadania.

Quer saber mais? http://spaceappschallenge.org/about/

Onde acontece?
Casa da Cultura Digital  ‎
Rua Vitorino Carmilo, 459 – Santa Cecília
São Paulo, 01153-000
(11) 3662-0571

Quer se inscrever? https://spaceappschallenge.org/register/

No Twitter? http://twitter.com/#!/intlspaceapps

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos,Cultura,Digital,Sustentabilidade |
mar
15
2012
0

Onde está a fábrica?

Por Jorge Carrano

Nos últimos dois séculos, vimos o surgimento e  o apogeu  do modelo econômico baseado na produção fabril de mercadorias. Com o tempo, indústrias enormes, que empregavam milhares de pessoas, começaram a se automatizar, incluir sistemas de informação e robôs de diversos níveis de sofisticação naquela que havia sido a linha de montagem idealizada por Ford.

Nos últimos 30 anos, aproximadamente, tivemos uma mudança importante no modelo econômico, resultado direto do processo de globalização e do avanço dos computadores em nossos espaços de trabalho e privado,  turbinado pelo surgimento da internet e suas consequências diretas, como as redes sociais.

Aparentemente, podemos imaginar tratar-se de uma mera evolução tecnológica, mas há outros aspectos mais interessantes. Vamos a dois deles.

O primeiro tem a ver com a relação dos empregados com o ambiente de trabalho. No modelo tradicional de produção industrial, você precisa levar os trabalhadores até a fábrica, estabelecer horários, turnos, cartões de ponto,  refeitórios e outras características ainda presentes nas fábricas de todo o mundo. Nesse modelo, a separação entre público e privado era fácil. O uniforme, por exemplo, servia para marcar esse espaço. Ao chegar à  fábrica, coloque o uniforme, pois uniformes também eram as mercadorias, produzidas em massa, anunciadas por meios de comunicação de massa, para os trabalhadores em geral, também chamados de “a massa”.

Numa sociedade onde o produto principal pode ser uma ideia, software ou projeto, concebido na mente e “fabricado” no interior de uma placa de computador, turbinada por chips cada vez mais potentes, a distinção entre público e privado é a primeira a desaparecer.

Já há algum tempo, os horários de trabalho e lazer se confundem. Você pode assistir a um vídeo engraçado no You Tube enquanto está no escritório, mas também atende a ligação do chefe no smartphone quando está em casa. O espaço de trabalho e lazer estão misturados porque o motor dessa nova forma de produção é o cérebro. A fábrica, assim, está onde você estiver. Parafraseando o Cinema Novo, seria algo como “um smartphone na mão e uma ideia na cabeça”.

O outro aspecto diz respeito à conscientização quanto ao esgotamento dos recursos naturais do planeta. No modelo fabril tradicional, havia a impressão de que poderíamos seguir produzindo cada vez mais, consumindo cada vez mais água, energia e outros recursos de maneira infinita. Produzir mais, anunciar mais, vender mais, para produzir mais, anunciar mais e vender mais, numa espiral sem fim. A conta não fecha.

Na perspectiva de uma sociedade menos baseada no carbono, muitas empresas fizeram verdadeiras revoluções em seu modelo de produção. Muitas delas, hoje, sequer possuem fábricas. Terceirizam sua produção industrial para países distantes. Com isso, cuidam do que tem “valor”, ou seja, a marca, e transferem parte do problema  – consumo de água, poluição e outros impactos socioambientais – para longe dos olhos de seus preocupados consumidores.

Ter a fábrica por perto, antes um atributo de logística importante, virou um grande problema para muitas corporações. Então a solução é levar tudo para a China, certo? Errado.

Na conectada sociedade do conhecimento, a tecnologia joga a favor da comunidade. Pode colocar sua fábrica no interior da China, mas alguém sempre poderá filmar com um celular um processo poluidor e jogar nas redes sociais.

O publicitário David Ogilvy escreveu que só comprava produtos que tivessem boa propaganda, pois se a propaganda, que era a face mais visível da empresa, fosse ruim, “imagina o que a empresa fazia no escurinho da sua fábrica”, alertava ele.

Esse “escurinho” está cada vez mais claro, não importa onde esteja a fábrica.

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos,Cultura,Digital,Sustentabilidade |
fev
29
2012
0

Ásia digital

Por Jorge Carrano

Que os chineses estão conquistando o mundo não é novidade. Durante as duas últimas décadas, dezenas de  milhões de pessoas deixaram os campos em direção às grandes cidades, como Xangai, Beijing e Tianjin num dos maiores fenômenos migratórios da história. Mas os chineses, presença comum nas ruas das maiores cidades do mundo, estão se tornando não apenas produtores em grande escala de artigos de consumo acabados e compradores vorazes de matérias-primas.

Estão chegando com força ao mundo digital.

Apesar de uma internet censurada e das restrições à liberdade de expressão, a presença chinesa no universo digital só faz crescer.

Dados da consultoria Forrester Research traçam perspectivas  interessantes sobre a distribuição da população on-line no mundo. Confira no gráfico abaixo (clique para ampliar).

 

Observem que, em 2014, daqui a apenas dois anos, a população asiática presente na rede ultrapassará a marca de um bilhão de pessoas, e boa parte desse contingente digital virá da China, até porque países como Japão e Coreia do Sul já apresentam parcela considerável de sua população on-line.

Se essa população on-line irá de alguma forma contribuir para maior abertura política e liberdade de expressão, ainda é cedo para saber. Mas minha opinião é de que não fará diferença. No livro “Sobre a China“, Henry Kissinger explica muito bem, e com muitos fundamentos históricos, os motivos pelos quais o modelo de democracia e liberdade de expressão que consideramos os mais justos no Ocidente não são percebidos da mesma maneira pelos chineses.

O fato é que essa crescente massa de internautas significa também uma massa de consumidores digitais, uma oportunidade e tanto para produtores de conteúdos tradicionais – como veículos de comunicação e entretenimento – e para empresas que estiverem dispostas a “investir em mandarim”.

Significa, também, mais um capítulo da estranha simbiose entre o regime comunista e o capitalismo estatal que parece ter se consolidado na sociedade chinesa.

Como tudo o que diz respeito à China, oportunidades e desafios são igualmente grandiosos.

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos,Cultura,Digital |
jan
31
2012
0

Sopa de letras e democracia

Por Jorge Carrano e Vanessa Gonçalves

Os projetos americanos de lei SOPA (Stop Online Piracy) e PIPA (Protect Intellectual Property Act), que têm como objetivo o combate à pirataria on-line, provocaram uma grande polêmica. Se sancionadas, essas normas permitiriam que um site fosse retirado do ar caso um de seus membros tomasse alguma ação que pudesse ser caracterizada como pirataria.

Com a velocidade característica do universo digital, os movimentos de resistência às leis correram  o mundo. Sites como Wikipedia, Google, Yahoo!, Amazon, Facebook, Twitter, Mozilla, AOL, entre outros, são contra a decisão. O grupo de hackers Anonymous também entrou na briga e “derrubou” vários sites, inclusive o do FBI, depois que esta agência fechou o site Megaupload. Finalmente, o Congresso dos EUA resolveu adiar indefinidamente a votação dos projetos.

De um lado, as empresas contrárias às leis alegam já existir mecanismos legais suficientes para combater os crimes digitais. Afinal, um estelionato on-line é o mesmo crime de um estelionato off-line. Uma música baixada ilegalmente é o mesmo crime do camelô que vende o CD pirata na esquina.

Quando os usuários da rede acharam que iriam ter algum sossego, entra em cena o ACTA (Anti-Counterfeiting Trade Agreement). Trata-se de um acordo internacional que determina regras severas sobre direitos de propriedade intelectual, tanto no universo digital, quanto no físico. Beneficiando apenas os detentores do copyright, o ACTA ainda estabelece uma cláusula que obriga os provedores a controlar o conteúdo que cada usuário acessa e, se for constatado que o internauta está envolvido com pirataria, ele será automaticamente desconectado do servidor. O acordo já foi assinado por EUA, Japão, Suíça, Portugal e outros países da Europa.

Como muitas leis, trata-se de uma medida praticamente impossível de implementar. A começar pelo enorme volume de dados que teriam de ser monitorados e armazenados para comprovar a ação do internauta. O projeto torna os provedores de acesso à internet corresponsáveis pelas ações de seus usuários.

Mas quem tem interesse na aprovação de tais normas? Além de, obviamente, os estúdios de Hollywood e a indústria fonográfica, outro setor que apoia a iniciativa é o farmacêutico. Com a alegação de combater principalmente a venda de medicamentos falsos, no fundo é uma barreira contra a disseminação de medicamentos genéricos, tida como uma das mais eficazes formas de permitir o acesso a remédios nos países mais pobres.

A base da medida é uma boa ideia: acabar com a pirataria e preservar os direitos dos autores. Mas seria esse o único modo de proceder? Com o pretexto de defender a propriedade intelectual, esse tipo de lei acaba ferindo a liberdade de expressão, já que o internauta terá suas ações monitoradas o tempo todo.

Assim, culpar um site como o Megaupload pelo compartilhamento de conteúdo ilegal por seus usuários não seria o mesmo que condenar o fabricante de facas por um homicídio cometido com um de seus produtos?

Não seria a hora de reformular essas leis para, sim, proteger os direitos autorais, sem limitar a liberdade de comunicação? Aí entra em jogo uma tendência maniqueísta de considerar que uma coisa é mais importante que a outra. Não se trata de uma batalha entre  os direitos autorais (e patentes) versus a liberdade de expressão. Ambas são igualmente importantes numa sociedade democrática.

Ao que tudo indica,  a falta de conhecimento e inteligência dos legisladores é também um fenômeno global.

Para saber mais sobre o ACTA, assista o vídeo abaixo.

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos,Cultura,Digital |
jan
17
2012
0

Crime.com

Por Jorge Carrano

O jornal O Globo de ontem trouxe matéria informando já estar disponível aos usuários de internet banking um novo domínio “b.br”. O endereço de alguns bancos já pode ser acessado com essa regra, como “www.banco.b.br”. O objetivo é aumentar a segurança das transações bancárias pela internet, que no Brasil já respondem por 25% do total.

Ainda ontem, o governo de Israel confirmou a tentativa de invasão dos sites da Bolsa de Valores de Tel-Aviv e da companhia aérea El-Al, que chegaram a sair do ar. Suspeita-se que tenha sido organizado por um hacker nascido  nos Emirados Árabes e que estuda ciência da computação no México.

Os episódios poderiam ser parte do excelente livro  “Mercado Sombrio – o cibercrime e você” (1) , do jornalista e historiador inglês Misha Glenny.

O livro trata de diversas formas de crimes na internet, em especial uma de suas mais rentáveis vertentes, o “carding“, que é um enorme mercado negro de fraude, roubo e venda de dados de cartão de crédito de usuários em todo o mundo.

Parece um thriller policial, dada a complexidade da trama que envolve esse mercado. Uma parte interessante do livro diz respeito à divisão dos crimes cibernéticos em três grupos principais, que tento resumir. Claro que essa divisão tem como objetivo apenas ajudar o leitor a entender  as principais vertentes do crime digital, mas é  importante lembrar que muitos criminosos praticam mais de uma modalidade, sem contar que se envolvem ainda em crimes “off line”.

Cibercrime

Nessa categoria se enquadra o carding, definido pelo autor como “o roubo e a clonagem de dados de cartão de crédito visando ao lucro financeiro.” Outra modalidade é o chamado “scareware”, produto “comercial” desenvolvido por uma empresa na Ucrânia chamada  Innovative Marketing. Funciona assim: a empresa envia uma mensagem ao usuário dizendo que seu computador foi infectado por um malware (2). A solução é instalar um “Malware Destroyer” (fabricado pela empresa e vendido por 40 euros!). Quando a vítima fazia o download, o programa desinstalava o anti-virus (Norton ou outro) e deixava o computador totalmente desprotegido.

Um pesquisador da McAffe (empresa que fabrica anti-virus) de Hamburgo rastreou o sistema da Innovative Marketing até um servidor no extremo oriente, e descobriu que a empresa tinha chegado ao ponto de montar três centrais de atendimento (em inglês, francês e alemão) para dar suporte aos usuários!

Espionagem Industrial

Antes, para roubar um segredo industrial, o criminoso precisaria invadir uma fábrica ou escritório, com os óbvios riscos embutidos. Com a dependência cada vez maior que temos – pessoas e empresas – dos computadores, proteger os segredos industrias torna-se cada vez mais complexo. Alguns mercados, como o farmacêutico, dependem de anos de investimento e pesquisa até que seu produto chegue ao mercado. E onde ficam armazenados todos os estudos? Nos computadores. A situação é agravada pelo fato de muitas corporações atuarem globalmente, o que obriga o tráfego de dados por redes espalhadas em diversas partes do planeta.

Segundo relatório publicado pela empresa de telecomunicações Verizon, “esse tipo de crime responde por 34% da atividade criminosa na web e, quase certamente, é a mais lucrativa.”

A guerra cibernética

O Stuxnet é considerado o vírus mais sofisticado já desenvolvido. Foi usado para destruir os sistemas de uma usina nuclear no Irã. A usina não tem qualquer conexão com a internet, e provavelmente o vírus foi inserido no sistema por um CD ou um pendrive.  Da mesma forma, o soldado Bradley Manning, preso pelo furto de centenas de telegramas da diplomacia americada divulgados pelo site Wikileaks,  copiou os arquivos para um CD rotulado como um álbum de Lady Gaga.

Assim como nossa dependência dos computadores é cada vez maior, todos os sistemas críticos de um país – geração de energia, distribuição de água e luz, controle de tráfego aéreo e muitos outros – são também gerenciados por redes informatizadas.

Um dos casos mais marcantes da guerra cibernética ocorreu em 2007 na Estônia, e já tratamos dele aqui (leia o post).

Na semana passada, o grupo Hamas convocou seus seguidores a promoverem ataques cibernéticos contra Israel e empresas daquele país.

Não há dúvida de que, enquanto houver muita recompensa financeira (ou política) envolvida, o crime digital vai continuar avançando. Trata-se de uma modalidade muito sofisticada, para a qual as forças policiais, mesmo nos países mais ricos,  estão em grande parte despreparadas para combater.

É preciso considerar que todos nós, em alguma medida, temos uma certa resistência em adotar os procedimentos de segurança recomendados, como usar senhas de pelo menos oito dígitos, que contenham números, letras maiúsculas e minúsculas, além de caracteres especiais (& % @ # etc). Não usar a mesma senha para acessar mais que um site, e trocá-las a cada seis meses. Você faz isso?

A internet mudou nosso jeito de nos comunicarmos com os outros, de usar serviços diversos (como bancos) e de adquirir produtos e serviços. Mas o que se esconde por trás dessa camada de facilidades é um universo ainda misterioso. Como diz o autor:

“Onde mais seria possível encontrar um refugiado tâmil do Sri Lanka viciado em drogas passando seu tempo livre na companhia de um adolescente alemão todo certinho de classe média, recebidos por um carismático cidadão de Odessa com planos ambiciosos para uma nova Ucrânia? Ora, só na internet”.

————————————————————-

(1) “DarkMarket – CyberThieves, CyberCops and you”, editado no Brasil pela Companhia das Letras.

(2)  Abreviação de “malicious software“, é o nome que se dá a um conjunto de ameaças encontradas na internet, e inclui Vírus ( programas que infectam o computador e podem apagar arquivos, documentos, fotos, músicas e até o Windows) e Spyware (ameaça que monitora o uso do computador, podendo roubar informações como lista de endereços de e-mail, senhas etc.)

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos,Cultura,Digital |
jan
10
2012
1

Provérbios

Por Jorge Carrano

Em seu novo livro, As Esganadas, Jô Soares nos brinda com um personagem português, retirado do poema Tabacaria, de Fernando Pessoa, que apresenta uma curiosa versão de um conhecido ditado:

- Diga-me com quem andas e, se não for eu, não vou.

Ditados populares, em geral, são considerados pérolas de sabedoria. No recém-lançado livro “Tudo é Óbvio – desde que você saiba a resposta”, Duncan Watts, pesquisador-chefe do Yahoo! Research traz uma análise muito interessante sobre o que consideramos “senso comum”, e mostra a aparente contradição dos ditados usados na nossa sociedade. Diz ele (pág. 30):

“Como os sociólogos adoram apontar, muitos desses provérbios parecem contraditórios entre si. Todos somos farinha do mesmo saco, mas os opostos se atraem. É certo que o que está longe dos olhos está perto do coração, mas o que os olhos não vêem o coração não sente. Pense duas vezes antes de agir, mas quem pensa demais vive de menos.”

O que, de fato, ocorre é que escolhemos o ditado conforme a situação.

Além das análises sobre o chamado senso comum, o autor apresenta um estudo interessante sobre a forma como as redes sociais influenciam seus participantes na tomada de inúmeras decisões, desde a compra de uma música, o estilo da roupa, em que candidato votar ou mesmo a participação em uma manifestação pública.

Como o livro mostra, a partir de experimentos que buscam reproduzir algum rigor científico, é praticamente impossível prever “resultados de fenômenos sociais”, seja uma eleição, uma campanha publicitária, uma ação em redes sociais ou mesmo por que um filme ou produto faz sucesso e outro não.

Os fatores que levam ao sucesso ou fracasso de uma ideia ou produto no ambiente social são complexos, interdependentes e não-lineares e, no fundo, só refletem as contradições intrísecas em cada um de nós.

Se individualmente já somos complexos, imagine milhares de nós interagindo em tempo real.

“Diga-me com quem andas e, se não for meu amigo no Facebook, não vou”, poderia alegar uma versão on-line do personagem citado.


Escrito por Jorge Carrano em: Artigos,Cultura,Digital |
jan
03
2012
0

A carta roubada

Por Jorge Carrano

Imagine uma ditadura, onde o serviço postal é estatal e a sociedade é muito vigiada pelo regime. Esse serviço postal abre todas as correspondências que circulam pelo país, faz uma cópia delas, recoloca no envelope e então envia para o destinatário. As cartas ficam armazenadas em pastas, cada uma com o nome do remetente, guardadas em armários gigantes, num conjunto de prédios nos arredores da capital.

Parece absurdo? Ao que tudo indica, é isso que o Facebook faz com seus usuários. Só que por um método moderno, sem “cópias” ou “papel”. Na verdade, nem precisam “abrir os envelopes”, pois ao se logar na rede social, o próprio usuário já o faz. Os armários para armazenar os dados são servidores poderosos, espalhados em diversos pontos do planeta. No caso do Facebook, são mais de 60 mil.

Não é novidade que Facebook sofre, há anos, de inúmeras suspeitas e alguns processos relativos ao tratamento da privacidade dos dados de seus usuários.

Em outubro passado, Max Schrems, um estudante de direito austríaco, conseguiu enviar uma solicitação ao Facebook para fornecimento de seus dados pessoais. Recebeu em casa, enviado da Califórnia, um CD contendo nada menos que o equivalente a 1.200 páginas impressas com informações, transcrições de conversas e – aí reside o pior, talvez – dados que já haviam sido deletados por ele. Se foram deletados, não poderiam mais estar registrados em lugar nenhum. O vídeo abaixo traz um resumo da história:

O Facebook, com seus estimados 800 milhões de usuários é uma força de atração poderosa. As pessoas  querem estar lá porque seus “amigos” estão lá. Já comentamos aqui sobre a questão da privacidade e de como o modelo comercial de redes como o Facebook é construído:

Para os usuários, as redes ainda conservam o padrão “grátis” que caracterizou a internet em seu início. Na verdade, as redes atuais usam o velho modelo “build and they will come“, ou seja, constroem o ambiente (infraestrutura de servidores, softwares, aplicativos etc), investem na atração de participantes -  ironicamente, usando meios tradicionais em vários casos -  e depois acenam aos patrocinadores com alguns milhões de usuários. Aí é que os usuários se tornam reféns das redes, e serão bombardeados com mensagens comerciais. [leia na íntegra]

Se o processo iniciado pelo estudante austríaco obrigará o Facebook a tratar com mais responsabilidade os dados de seus usuários e, de fato, apagá-los quando estes o fizerem, ainda é cedo para saber. Garantido mesmo é que, uma vez divulgada, qualquer informação no mundo digital pode ser reproduzida, editada e armazenada quase indefinidamente. O que o Facebook sabe a seu respeito? Veja abaixo:

 

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Em tempo:  o título deste post refere-se a um conto do escritor Edgar Allan Poe, no qual uma certa carta, roubada dos aposentos reais, poderia comprometer a honra de uma importante figura.

 

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos,Cultura,Digital |

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