mar
09
2010
0

Publicidade a favor da vida

Por Jorge Carrano

Frequentemente acusada de incentivar apenas o consumo, muitas vezes irresponsável, a verdade é que a propaganda é uma poderosa ferramenta educativa. A criatividade dos publicitários, quando usada a favor da causa certa, pode contribuir, e muito, para importantes mudanças de hábito.

Um exemplo dessa capacidade está no comercial produzido pela ONG inglesa Sussex Safer Roads Partnership, mostrando, com muita criatividade e quase nenhum “efeito especial”, a importância de usar o cinto de segurança.

Mais de dois milhões de visualizações no YouTube. Clique para assistir.

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos, Cultura, Digital, Marketing |
mar
03
2010
0

Via Appia digital

Por Jorge Carrano

Em 312 a.C, os romanos começaram a construção da Via Appia, uma estrada de pedra com cerca de 300 km de extensão, que ligava Roma à cidade de Cápia. Seu nome era uma homenagem ao político Ápio Cláudio.

A partir dessa estrada, muitas outras surgiram, contribuindo para a manutenção das conquistas romanas. Com caminhos  pavimentados, era muito mais fácil mover as legiões do exército, sendo também importante fator para a expansão do comércio. A origem da expressão “todos os caminhos levam à Roma”, nada mais é do que a constatação de uma verdade histórica.

Num certo modo, a internet tornou-se a Via Appia do nosso tempo, pois permite que ideias, produtos e serviços trafeguem de um lado a outro do planeta em segundos. Igualmente, representou uma impressionante força a favor das transações comerciais.

Mas há uma diferença fundamental. Não há um ponto de partida (”Roma”) ou de chegada. Todas as estradas virtuais se conectam, simultaneamente, a muitas outras. Chegam à Roma, mas também a praticamente qualquer outro lugar do planeta. Aqui, “todos os caminhos levam à outros caminhos”.

Se as estradas romanas tinham como principal objetivo assegurar o poder, a internet tem como principal característica a resistência ao poder.

Essa espécie de Via Appia digital tem sido usada para fugir da censura, emitir opiniões ou divulgar fatos que seriam, de outro modo, sufocados por regimes pouco democráticos, alguns deles bem perto de nós.

Ironicamente, a facilidade de locomoção (aliada a fatores internos) criada pelos romanos contribuiu para a própria decadência do Império, que os historiadores assinalam no calendário de 476 d.C.

Precisamos tomar cuidado para que o mesmo não aconteça com a internet, tendo em mente a importância de que esta estrada digital ajude a preservar certos valores fundamentais, como a liberdade de expressão, o livre trânsito de ideias.

É indispensável que aproveitemos a troca de visões e informações propiciada pela web para fortalecer nossas fronteiras mentais e culturais, deixando de fora os bárbaros, se possível.

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos, Cultura, Digital |
fev
23
2010
2

Jornalismo on-line: em busca do tempo abolido

Por Jorge Carrano

O relato de um acontecimento no tempo sempre foi um desafio para o homem. Desde os tempos da tradição oral até o advento da imprensa — cujo registro oficial indica o ano de 1455, quando Gutenberg imprimiu sua primeira versão da Bíblia — a humanidade sempre lidou com a perda das informações e a falta de fidelidade aos fatos, causada por métodos rudimentares de registro e transmissão de nossa história.

Com a evolução dos meios de comunicação, e uma vez superada a questão do suporte físico para a informação — no caso, o jornal impresso em papel — o fator velocidade tornou-se um novo elemento na busca por conquistar leitores.

Levar ao público informações verídicas e completas sobre determinado acontecimento pouco depois da sua ocorrência sempre foi, portanto, um desafio para jornalistas desde o nascimento da mídia impressa — e depois com o rádio e a televisão — até os dias de hoje. Por isso, o jornalismo é uma profissão muito próxima do erro, pois são inúmeras as variantes e circunstâncias que envolvem uma reportagem.

A chegada da internet colocou mais pressão nessa equação temporal acontecimento-relato-leitura. Tornou mais ágil, mas também mais frágil a cobertura da imprensa.

A narração pelos meios eletrônicos se dá no que se convencionou chamar de “tempo real”, que nada mais é do que o fato sendo narrado enquanto se desenvolve.

A tecnologia fez assim aquilo que parecia impossível: reduzir drasticamente o tempo entre um fato e seu relato. Mas é incapaz, por si, de garantir a qualidade do relato.

Com a disseminação da internet, nasceram opções de leitura virtual que concorrem com o produto impresso gerado pelas grandes máquinas rotativas que levavam uma noite inteira formando os jornais que chegariam às bancas logo cedo. Hoje, esperar pouco mais de 12 horas para tomar ciência dos fatos ou até mesmo aguardar o telejornal da noite parece-nos anacrônico. Esperar 12 minutos ou 12 segundos parece mais atual.

Mas a tecnologia a serviço do jornalismo trouxe outras particularidades. Se por um lado ela nos aproxima dos fatos no tempo, nos distancia deles na qualidade das informações relatadas. Ou seja, o relato no dito “tempo real” pode até ser preciso, mas é incompleto porque não consegue abranger circunstâncias, fatos correlatos, detalhes ocultos na ação. São indicações e hipóteses relacionadas ao fato que precisariam (ou deveriam) ser aferidas e analisadas. É justamente este tempo que antes os jornalistas dispunham para elaborar a reportagem que desapareceu junto com as máquinas rotativas.

Na verdade, aquele tempo entre a ocorrência do fato e sua publicação, apesar de determinado por restrições de produção industrial dos meios de comunicação da época, era um elemento que dava aos jornalistas condições para apurar, consolidar e escrever (em bom português) uma boa matéria.

Embora seja um benefício, a velocidade on-line tornou-se  perigosa porque passou a ser a principal preocupação do esforço jornalístico. O produto, não podemos nos esquecer, não é a velocidade, mas a qualidade da informação.

Mas aí vem a pergunta: não será possível fazer bom jornalismo no meio digital? Será que as informações publicadas pelos sites de jornais, pelas agências de notícias na internet e pelos milhões de blogs  estão condenadas a serem uma espécie de fast-food do jornalismo? Uma espécie de Big Mac, que sai em um minuto, mas com picles demais e pouca carne?

Os detratores de plantão dirão (sempre dizem o mesmo) que “a leitura na tela do computador é ruim”  e que “há muito lixo na internet” e que a qualidade do jornalismo on-line (coloquemos aí também os blogs) é ruim. Ainda que tudo isso seja verdade, não podemos nos esquecer de outros fatores nesta equação: primeiro que o meio on-line não substitui (para quem gosta) a leitura de um bom jornal ou revista. A capacidade analítica e prazer de ler um bom texto impresso ainda resistem. Em segundo lugar,  é preciso aproveitar o que cada meio de comunicação tem a oferecer de bom em comparação com os demais. No caso dos meios eletrônicos, a portabilidade é uma vantagem fundamental.

Os meios on-line permitem que uma matéria seja imensamente enriquecida  a partir da inclusão, por exemplo, de links para sites que aprofundem a informação, ou de imagens e dados complementares que podem ser acessados ou não, a critério do leitor. O que, aliás, permite maior isenção e equanimidade, importantes premissas da atividade jornalística.

Quanto à qualidade do que é veiculado na Web, esta é proporcional às demais produções jornalísticas, como de resto de qualquer outra produção intelectual humana — literatura, cinema, teatro — onde a parte joio é sempre muito maior que a parte trigo.

Para que o jornalismo na internet amadureça e se torne cada vez mais a opção preferencial para os leitores é preciso aprender a usar o tempo abolido pela tecnologia, e retomar em parte o cuidado das antigas redações.

Os meios on-line ganharão mais adeptos. Os jornalistas que atuam neles, mais respeito. E a boa notícia, mais espaço, ainda que virtual.

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos, Comunicação Empresarial, Cultura, Digital |
fev
02
2010
0

Vivendo mais

Por Jorge Carrano

Os avanços da medicina e do saneamento básico estão entre os principais responsáveis pelo aumento da longevidade dos seres humanos. Ironicamente, as empresas estão vivendo menos. Será que isso é parte do mesmo fenômeno?

De acordo com o IBGE, a expectativa de vida do brasileiro subiu de 67 anos em 1991, para 72,5 anos em 2007. Pode parecer pouco, se comparado a alguns países como o Japão, mas vale lembrar que em 1950 a expectativa de quem nascia por aqui era de apenas 46 anos…

Segundo o consultor holandês Arie De Geus,  que já foi presidente da Shell, em entrevista publicada pelo Valor Econômico em 7/11/2008, as empresas estão vivendo menos. Parte disso se deve ao imediatismo das decisões que visam apenas retorno para os acionistas. As ações que realmente garantem longevidade das empresas, como  compromisso com seus clientes, atuação sustentável, equilíbrio (e bom senso) financeiro, qualidade dos produtos, entre outros, estão cedendo espaço para a necessidade do “resultado trimestral”.

Voltemos aos homens. Há alguns anos, quando um jovem começava sua trajetória profissional em uma empresa, em boa parte dos casos sua expectativa era construir uma carreira e aposentar-se ali mesmo. Hoje, essa perspectiva não existe. E pior, não faz sequer sentido para os jovens. Para a geração que agora chega ao mercado, as coisas são mais “descartáveis”. Não apenas os objetos.

Se você pode viver com boa saúde até 70 ou 80 anos, é natural que acabe por desenvolver muitas atividades diferentes ao longo da vida. São comuns casos de pessoas que já tiveram algumas carreiras distintas, às vezes bem diferentes, como medicina e direito.

Se somos capazes de nos renovar, por que isso não acontece com as empresas? Por que a maioria delas morre com poucos anos ou décadas de vida?

Porque, para viver mais, é preciso alguns sacrifícios. Fazer dieta e exercícios físicos, por exemplo, são comprovadamente hábitos que garantem qualidade de vida melhor. E a chave da questão está na palavra “hábito”.  Muitas empresas se habituaram a obter receitas financeiras em detrimento dos ganhos com a produção e venda de bons produtos.

Mas qual seria uma possivel receita de longevidade das empresas? Em primeiro lugar,  pensar na saúde de seus colaboradores  e do planeta.  E cuidar também da sua própria saúde financeira, claro.  Os “exercícios físicos”, por sua vez, poderiam começar pelos próprios executivos, normalmente sedentários, que precisam sair de seus escritórios refrigerados e ir até os consumidores, em busca de compreender suas necessidades e, a partir daí, estabelecer uma relação mais duradoura.

As causas da longevidade dos homens e das empresas são as mesmas: saúde, equilíbrio e trabalho.

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos, Cultura, Sustentabilidade |
jan
26
2010
4

Reflexões no aeroporto

Por Jorge Carrano

Na sala de embarque do aeroporto de Congonhas (SP) observo que quase todos estão com um fone de ouvido (principalmente os mais jovens). Boa parte deles, navega no laptop simultaneamente. Estamos todos ficando “plugados”. Os Blackberries estão tão comuns quanto terno azul marinho.

Me pergunto se com isso estamos ouvindo mais ou menos música, se estamos lendo mais ou menos textos interessantes. Possivelmente, mais, é claro. Mas não seriam apenas “mais do mesmo”?

Hoje, meu iPod é, na verdade, minha própria rádio. Entro no carro, ligo o aparelho no sistema de som do veículo e lá vou eu, com músicas suficientes para aguentar uns dois dias de viagem.

Mas acabo ouvindo apenas as músicas que gosto. Como nosso tempo é cada vez mais curto, muitas vezes desistimos da “aventura” de procurar e baixar algo novo. Pelo mesmo motivo, também não somos mais  “surpreendidos” por uma nova música no rádio do carro.

Penso que, por estarmos cada vez mais atolados na avalanche de informações, com um dia de 24h que parece ter  6h, não conseguimos aproveitar a variedade oferecida pelos diversos serviços do ambiente web. É mais ou menos como morar em São Paulo, onde existem centenas de  ótimos restaurantes e shows disponíveis todos os dias. Mas quantos você consegue aproveitar, tendo um dia de trabalho e muitas horas de trânsito?

Mesmo que sejamos participantes de redes sociais, possivelmente iremos procurar grupos cujos interesses e perspectivas sejam similares aos nossos. De novo, a grande variedade de ofertas, ideias e espaços é substituída por nossa tendência a procurar o igual, o conhecido, o que dá “conforto”. Apenas buscamos eco para nossos próprios pensamentos e ideias.

Chamaram agora o meu voo, e em poucos segundos vários laptops voltam para suas mochilas.

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos, Cultura, Digital, Sustentabilidade |
jan
19
2010
1

Por que assistimos menos televisão?

Por Jorge Carrano

Nos meios de comunicação de massa (broadcast), como TV, Rádio e jornais impressos, a variedade de assuntos abordados não pode ser muito grande. Por conta dos limites no espaço físico das páginas, ou pelo tempo da programação (que, no máximo, pode ter 24h), e ainda considerando a necessidade de intervalos comerciais, aos editores cabe a árdua tarefa de escolher o que é notícia. O que vai ter a oportunidade de chegar ao público.

Como diz Chris Anderson em seu livro The Long Tail (A Cauda Longa, Editora Campus, 2006), esse fato baseia-se no conceito de “economia da escassez”. Como o tempo e o espaço são escassos, é preciso deixar muitos conteúdos de fora. O mesmo fenômeno pode ser observado nas gôndolas dos supermercados e nas prateleiras das lojas em geral. Assim, o comprador de uma grande rede nada mais é que um “editor” de produtos, que é o “conteúdo” do mercado.

Com o advento das novas tecnologias baseadas em web, isso mudou. A Amazon pode oferecer milhares de livros, coisa que nenhuma loja física no mundo pode comportar, nem o poderoso Wal Mart, por onde passam mais de 200 milhões de pessoas. Por semana.

Com os meios de comunicação, o impacto foi igualmente arrasador. Mas talvez não pelos motivos que geralmente são apresentados, como se os consumidores de informação estivessem simplesmente abandonando os meios  tradicionais. A questão gira em torno de dois eixos: o tipo de conteúdo, e a forma como é difundido.

O conteúdo de qualquer meio de comunicação limitado pela escassez de espaço (físico e/ou tempo) buscará atingir o máximo de pessoas. Sem audiência, não há receita publicitária. As pessoas têm interesses comuns, como previsão do tempo, notícias de economia (macro e micro), eleições e grandes eventos esportivos (Copa do Mundo e Olimpíadas), para citar alguns. Mas têm também interesses muito específicos, como a criação de poodles, charutos cubanos, vinhos da Borgonha, bijuterias, alimentos orgânicos, futsal, seriados dos anos 60, autorama, e por aí vai.

O que a midia tradicional faz é tentar difundir os interesses comuns, deixando de lado os particulares.

Mas as plataformas baseadas em web trouxeram justamente a tecnologia e a oportunidade de divulgar esses conteúdos de natureza específica, o que Chris Anderson chama de “conteúdo de nicho”.

Não creio ser correto afirmar que a midia tradicional será substituída pelas novas mídias. A Copa do Mundo de Futebol continuará a ser transmitida pela televisão, e atingirá, em 2010, provavelmente  uns 3 bilhões de habitantes, quase meio planeta.

Quanto à forma de difusão, a tecnologia viabilizou blogs, redes sociais e diversas outras possibilidades de interação e produção de conteúdo colaborativo, como a Wikipedia. Todas elas acessíveis pelo computador e, mais recentemente,  também pelo celular, o grande responsável pela “inclusão” de várias pessoas no universo digital. Afinal, segundo a Anatel,  eram quase 170 milhões de celulares habilitados em dezembro de 2009, número muito superior ao de computadores ligados à internet.

Ou seja, o sucesso desses novos meios está justamente em oferecer conteúdos específicos,  e de forma instantânea, pois o público para eles sempre existiu, só estava abandonado pela tirania das grades de programação.

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos, Cultura, Digital, Marketing |
jan
12
2010
2

Twitter

Por Jorge Carrano

No agitado mundo da tecnologia, um dos destaques de 2009 foi o Twitter. Alguns o consideram apenas um modismo, como tantos já surgidos no mundo digital. Outros acreditam que pode se tornar uma poderosa ferramenta de comunicação. O fato é que os programadores da Twitter Inc. agora buscam desenvolver novos recursos que permitam às empresas obterem melhores resultados econômicos com o uso da ferramenta.

Afinal, monitorar o que o público diz sobre marcas e produtos é uma necessidade real, não virtual.

O Twitter foi fundado em São Francisco (EUA), em março de 2006, e ao final do ano passado já contabilizava mais de 50 milhões de usuários. O português é, hoje, a segunda língua mais utilizada pela rede.

O miniblog tem algumas diferenças importantes em relação a outras redes sociais. Mas antes de chegar a elas, é preciso fazer uma distinção, ainda que pareça um pouco acadêmica, entre rede social e midia social.

Mídias Sociais (social media) são ferramentas (programas) desenvolvidas para permitir a interação social on-line a partir do compartilhamento e da criação colaborativa de informação nos mais diversos formatos (textos, imagens, vídeos etc). De maneira simplificada, é um “recurso tecnológico”.

Por sua vez, as redes sociais são as relações que os indivíduos estabelecem em torno dessa plataforma tecnológica.  É a comunicação mediada por um computador, celular (que também é um computador) ou outros dispositivos.

As redes sociais, no entanto, têm diferentes configurações. Pense no Orkut, Facebook, YouTube ou Wikipedia. Todas são comunidades, no sentido de agruparem e aproximarem pessoas, ainda que seus recursos tecnológicos e perfis sejam diferentes.

Mas o Twitter traz algumas diferenças importantes. A primeira delas é a limitação de 140 caracteres de texto que cada post pode ter. Essa restrição, na verdade, tornou-se um diferencial do Twitter, obrigando as pessoas a serem mais suscintas. Novas formas de abreviar expressões estão surgindo. Se não houvesse essa limitação, seu formato seria ainda mais próximo dos blogs. Essa simplicidade é parte do sucesso, num mundo onde estamos cada vez mais atolados pelo volume crescente de informações que circulam ao nosso redor.

Outra diferença importante é o conceito de “seguidor” e não de “amigo”. Você não “convida” ninguém para seguir você no Twitter. A pessoa é que toma a decisão, unilateralmente.  Por fim, existem duas listas distintas de contatos: uma com a relação das pessoas que te seguem e outra com aqueles que você segue.

Mas, apesar do expressivo aumento no uso de redes sociais em todo o mundo, seu uso pelas empresas ainda é controverso.

A Rede Globo proibiu o uso da ferramenta por parte de seus funcionários, alegando que a proibição teria como objetivo proteger seus “conteúdos da exploração indevida por terceiros, assim como preservar seus princípios e valores”.

Segundo o UOL,  a Folha de S.Paulo veda a publicação de “furos” e  recomenda que os autores não assumam posições em favor de um partido, candidato ou empresa. No máximo, os jornalistas podem fazer referência o material exclusivo e publicar um link para a reportagem.

A questão é que os blogs,  Orkut, Twitter e tantos outros surgiram como espaços para a expressão pessoal de ideias. A facilidade de editar e publicar conteúdos é parte fundamental do sucesso das midias sociais.

Mas quando um empregado usa uma rede social da empresa para expressar uma opinião pessoal, pode-se criar, de fato,  um problema para a empresa. Como sempre, bom senso e regras claras são fundamentais para preservar direitos e evitar conflitos.

Apesar desse risco, a adoção das redes sociais pelas empresas é uma tendência irreversível, e já consolidada em alguns mercados.

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos, Digital, Marketing |
jan
05
2010
0

Resoluções de Ano Novo

Por Jorge Carrano

A cada virada do calendário, temos o hábito de fazer as chamadas “resoluções de Ano Novo”. Prometemos perder 15kg, parar de fumar, fazer atividades esportivas, nos estressar menos e passear mais, ficar mais tempo com os filhos e por aí vai. Mas, com frequência, o ano acaba e os quilos continuam lá, e não nos lembramos sequer de um fim de semana em paz.

O problema é que estabelecemos metas “ideais” e não metas “realistas”. Afinal, perder 7kg é bem mais viável que perder 15kg. Se sua meta é 15kg, e você emagrecer 10kg, vai ficar frustrado. Mas se sua meta for 7kg e você consegue os mesmos 10kg, terá superado o resultado.

Não significa reduzir o horizonte, mas apenas dividí-lo em etapas, e ir conquistando os degraus aos poucos.

Este ano minha lista está curta, e a divido com vocês:

1. Valorize seu tempo, mas respeite o dos outros.
2. Não aceite qualquer trabalho apenas pelo dinheiro.
3. Procure estar cercado de pessoas com valores fundamentais: alegria, honestidade, ética.
4. Produza menos lixo.
5. Demita os idiotas.

Feliz 2010.

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos, Cultura, Sustentabilidade |
dez
15
2009
1

Feliz modernidade

Por Jorge Carrano

Vivemos tão acelerados, que nem nos damos conta do ridículo que certas situações da vida moderna e ultraconectada nos impõe. Recebi a mensagem abaixo por e-mail e,  para encerrar o ano com bom humor, divido-a com nossos amigos e leitores.

Você percebe que está ficando louco quando:

1. Você envia e-mail ou MSN para conversar com a pessoa que trabalha na mesa ao lado da sua;

2. Você usa o celular na garagem de casa para pedir a alguém que o ajude a desembarcar as compras;

3. Esquecendo seu celular em casa (coisa que você não tinha há 10 anos), fica apavorado e volta para buscá-lo;

4. Você levanta  pela manhã e às vezes liga o computador antes de tomar café;

5. Você não sabe o preço de um envelope comum. Ou selo. Há anos.

6. A maioria das piadas que você conhece, recebeu por e-mail (e ainda por cima ri sozinho…);

7. Você fala o nome da empresa onde trabalha quando atende ao telefone em sua própria casa;

8. Você digita o ‘0′ para telefonar de sua casa;

10. Você vai ao trabalho quando o dia ainda está clareando e volta quando já escureceu de novo;

11. Quando seu computador para de funcionar, parece que foi seu coração que parou;

11. Você está lendo esta lista e está concordando com a cabeça e sorrindo;

12. Você está tão interessado na leitura, que nem reparou que a lista não tem o número 9;

13. Você  retornou à lista para verificar se é verdade que falta o 9, e nem viu que tem dois números 11;

14. Você já está pensando para quem você vai enviar o link desta página, ou copiar o texto e enviar por e-mail;

Feliz  modernidade.

Que em 2010 a gente perceba que “moderno” mesmo é se conectar também com a família, os amigos e a natureza.

Até.

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos, Cultura, Digital |
dez
08
2009
2

Não mexa nesse layout!

Por Jorge Carrano

Outro dia, um cliente me perguntou: quanto tempo você acha que um site pode ficar com o mesmo layout? Resposta: depende do site.

Em primeiro lugar, vamos assumir que, em geral, somos avessos às mudanças, sobretudo aquelas que nos
causam algum desconforto, ou nos obrigam a reaprender coisas, ou mudar a forma como fazemos alguma coisa.

Quando o assunto é web, a coisa se complica um pouco. Primeiro porque a internet é ainda um fenômeno recente. Os jovens de 20 e poucos anos aprenderam a usar a web ainda crianças. As crianças de hoje (digamos, até uns 12 anos) já nasceram no mundo conectado dos e-mails, celulares e redes sociais. Para eles, essas ferramentas de interatividade e relacionamento são “utensílios”, como geladeiras ou aparelhos de DVD.

Os mais velhos - que ainda brigam com a programação do videocassete - têm dificuldades em se relacionar com o computador ou com os modernos celulares.

Então, o primeiro aspecto a considerar na resposta é: depende do seu cliente. Se seu público é jovem, será mais fácil reformular seu site com mais frequência e introduzir novos recursos. Se seu público é mais velho, então é preciso repensar se as novidades vão, de fato, atrair mais visitantes, ou espantá-los.

Outro ponto importante diz respeito ao “cansaço” dos projetos. O cliente, que visita seu próprio site diariamente, ou a agência que o desenvolve, sofrem um desgaste natural de quem trabalha num mesmo projeto muito tempo. Simplesmente “não aguentamos mais ver aquele layout”.

Mas os internautas não têm esse desgaste. Novamente, outro componente da resposta é “depende”. Nesse caso, depende do objetivo do site.

Para os sites de perfil “utilitário” - bancos, por exemplo - pode ser mau negócio revolucionar com frequência o layout. Isso trará uma perda de tempo dos usuários para “aprenderem” a usar a nova interface. Pare e pense no seu próprio caso. Certamente, você é capaz de descrever, com razoável precisão, os cliques que segue até chegar ao extrato de sua conta corrente. Agora imagine se, a cada mês, o banco mudasse os botões de lugar, mudasse a sequência das telas ou as cores que ajudam você a se guiar. Seria extremamente cansativo ficar “procurando” as coisas. Voltamos à questão inicial, de sermos avessos às mudanças que nos tomam tempo.

Esses aspectos do uso - da usabilidade - do site precisam ser cuidadosamente avaliados, pois o tempo dos internautas é precioso. E ninguém entra no site de um banco por diversão. Se você entra para fazer alguma coisa, quanto mais rápido conseguir resolver, melhor.

Já se você administra um site cujo objetivo é entreter, seu espaço para ousar e criar é muito maior, pois o visitante está predisposto a descobrir novas coisas.

É fato que todo site fica velho. Seja na linguagem, no layout ou na tecnologia na qual foi desenvolvido. Mas todo bom site também está constantemente em mudança, em processo de atualização.

Assim, pode ser mais interessante implementar pequenos avanços, melhorias constantes, ao invés de promover “revoluções”.

A internet deve ser encarada como uma longa jornada, e a presença das empresas nela - seja em websites, blogs, redes sociais ou o que mais vier por aí - é um caminho, não um destino.

É um meio, não um fim.

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos, Cultura, Digital, Marketing |

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