jan
17
2012
0

Crime.com

Por Jorge Carrano

O jornal O Globo de ontem trouxe matéria informando já estar disponível aos usuários de internet banking um novo domínio “b.br”. O endereço de alguns bancos já pode ser acessado com essa regra, como “www.banco.b.br”. O objetivo é aumentar a segurança das transações bancárias pela internet, que no Brasil já respondem por 25% do total.

Ainda ontem, o governo de Israel confirmou a tentativa de invasão dos sites da Bolsa de Valores de Tel-Aviv e da companhia aérea El-Al, que chegaram a sair do ar. Suspeita-se que tenha sido organizado por um hacker nascido  nos Emirados Árabes e que estuda ciência da computação no México.

Os episódios poderiam ser parte do excelente livro  “Mercado Sombrio – o cibercrime e você” (1) , do jornalista e historiador inglês Misha Glenny.

O livro trata de diversas formas de crimes na internet, em especial uma de suas mais rentáveis vertentes, o “carding“, que é um enorme mercado negro de fraude, roubo e venda de dados de cartão de crédito de usuários em todo o mundo.

Parece um thriller policial, dada a complexidade da trama que envolve esse mercado. Uma parte interessante do livro diz respeito à divisão dos crimes cibernéticos em três grupos principais, que tento resumir. Claro que essa divisão tem como objetivo apenas ajudar o leitor a entender  as principais vertentes do crime digital, mas é  importante lembrar que muitos criminosos praticam mais de uma modalidade, sem contar que se envolvem ainda em crimes “off line”.

Cibercrime

Nessa categoria se enquadra o carding, definido pelo autor como “o roubo e a clonagem de dados de cartão de crédito visando ao lucro financeiro.” Outra modalidade é o chamado “scareware”, produto “comercial” desenvolvido por uma empresa na Ucrânia chamada  Innovative Marketing. Funciona assim: a empresa envia uma mensagem ao usuário dizendo que seu computador foi infectado por um malware (2). A solução é instalar um “Malware Destroyer” (fabricado pela empresa e vendido por 40 euros!). Quando a vítima fazia o download, o programa desinstalava o anti-virus (Norton ou outro) e deixava o computador totalmente desprotegido.

Um pesquisador da McAffe (empresa que fabrica anti-virus) de Hamburgo rastreou o sistema da Innovative Marketing até um servidor no extremo oriente, e descobriu que a empresa tinha chegado ao ponto de montar três centrais de atendimento (em inglês, francês e alemão) para dar suporte aos usuários!

Espionagem Industrial

Antes, para roubar um segredo industrial, o criminoso precisaria invadir uma fábrica ou escritório, com os óbvios riscos embutidos. Com a dependência cada vez maior que temos – pessoas e empresas – dos computadores, proteger os segredos industrias torna-se cada vez mais complexo. Alguns mercados, como o farmacêutico, dependem de anos de investimento e pesquisa até que seu produto chegue ao mercado. E onde ficam armazenados todos os estudos? Nos computadores. A situação é agravada pelo fato de muitas corporações atuarem globalmente, o que obriga o tráfego de dados por redes espalhadas em diversas partes do planeta.

Segundo relatório publicado pela empresa de telecomunicações Verizon, “esse tipo de crime responde por 34% da atividade criminosa na web e, quase certamente, é a mais lucrativa.”

A guerra cibernética

O Stuxnet é considerado o vírus mais sofisticado já desenvolvido. Foi usado para destruir os sistemas de uma usina nuclear no Irã. A usina não tem qualquer conexão com a internet, e provavelmente o vírus foi inserido no sistema por um CD ou um pendrive.  Da mesma forma, o soldado Bradley Manning, preso pelo furto de centenas de telegramas da diplomacia americada divulgados pelo site Wikileaks,  copiou os arquivos para um CD rotulado como um álbum de Lady Gaga.

Assim como nossa dependência dos computadores é cada vez maior, todos os sistemas críticos de um país – geração de energia, distribuição de água e luz, controle de tráfego aéreo e muitos outros – são também gerenciados por redes informatizadas.

Um dos casos mais marcantes da guerra cibernética ocorreu em 2007 na Estônia, e já tratamos dele aqui (leia o post).

Na semana passada, o grupo Hamas convocou seus seguidores a promoverem ataques cibernéticos contra Israel e empresas daquele país.

Não há dúvida de que, enquanto houver muita recompensa financeira (ou política) envolvida, o crime digital vai continuar avançando. Trata-se de uma modalidade muito sofisticada, para a qual as forças policiais, mesmo nos países mais ricos,  estão em grande parte despreparadas para combater.

É preciso considerar que todos nós, em alguma medida, temos uma certa resistência em adotar os procedimentos de segurança recomendados, como usar senhas de pelo menos oito dígitos, que contenham números, letras maiúsculas e minúsculas, além de caracteres especiais (& % @ # etc). Não usar a mesma senha para acessar mais que um site, e trocá-las a cada seis meses. Você faz isso?

A internet mudou nosso jeito de nos comunicarmos com os outros, de usar serviços diversos (como bancos) e de adquirir produtos e serviços. Mas o que se esconde por trás dessa camada de facilidades é um universo ainda misterioso. Como diz o autor:

“Onde mais seria possível encontrar um refugiado tâmil do Sri Lanka viciado em drogas passando seu tempo livre na companhia de um adolescente alemão todo certinho de classe média, recebidos por um carismático cidadão de Odessa com planos ambiciosos para uma nova Ucrânia? Ora, só na internet”.

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(1) “DarkMarket – CyberThieves, CyberCops and you”, editado no Brasil pela Companhia das Letras.

(2)  Abreviação de “malicious software“, é o nome que se dá a um conjunto de ameaças encontradas na internet, e inclui Vírus ( programas que infectam o computador e podem apagar arquivos, documentos, fotos, músicas e até o Windows) e Spyware (ameaça que monitora o uso do computador, podendo roubar informações como lista de endereços de e-mail, senhas etc.)

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos,Cultura,Digital |
jan
10
2012
1

Provérbios

Por Jorge Carrano

Em seu novo livro, As Esganadas, Jô Soares nos brinda com um personagem português, retirado do poema Tabacaria, de Fernando Pessoa, que apresenta uma curiosa versão de um conhecido ditado:

- Diga-me com quem andas e, se não for eu, não vou.

Ditados populares, em geral, são considerados pérolas de sabedoria. No recém-lançado livro “Tudo é Óbvio – desde que você saiba a resposta”, Duncan Watts, pesquisador-chefe do Yahoo! Research traz uma análise muito interessante sobre o que consideramos “senso comum”, e mostra a aparente contradição dos ditados usados na nossa sociedade. Diz ele (pág. 30):

“Como os sociólogos adoram apontar, muitos desses provérbios parecem contraditórios entre si. Todos somos farinha do mesmo saco, mas os opostos se atraem. É certo que o que está longe dos olhos está perto do coração, mas o que os olhos não vêem o coração não sente. Pense duas vezes antes de agir, mas quem pensa demais vive de menos.”

O que, de fato, ocorre é que escolhemos o ditado conforme a situação.

Além das análises sobre o chamado senso comum, o autor apresenta um estudo interessante sobre a forma como as redes sociais influenciam seus participantes na tomada de inúmeras decisões, desde a compra de uma música, o estilo da roupa, em que candidato votar ou mesmo a participação em uma manifestação pública.

Como o livro mostra, a partir de experimentos que buscam reproduzir algum rigor científico, é praticamente impossível prever “resultados de fenômenos sociais”, seja uma eleição, uma campanha publicitária, uma ação em redes sociais ou mesmo por que um filme ou produto faz sucesso e outro não.

Os fatores que levam ao sucesso ou fracasso de uma ideia ou produto no ambiente social são complexos, interdependentes e não-lineares e, no fundo, só refletem as contradições intrísecas em cada um de nós.

Se individualmente já somos complexos, imagine milhares de nós interagindo em tempo real.

“Diga-me com quem andas e, se não for meu amigo no Facebook, não vou”, poderia alegar uma versão on-line do personagem citado.


Escrito por Jorge Carrano em: Artigos,Cultura,Digital |
jan
03
2012
0

A carta roubada

Por Jorge Carrano

Imagine uma ditadura, onde o serviço postal é estatal e a sociedade é muito vigiada pelo regime. Esse serviço postal abre todas as correspondências que circulam pelo país, faz uma cópia delas, recoloca no envelope e então envia para o destinatário. As cartas ficam armazenadas em pastas, cada uma com o nome do remetente, guardadas em armários gigantes, num conjunto de prédios nos arredores da capital.

Parece absurdo? Ao que tudo indica, é isso que o Facebook faz com seus usuários. Só que por um método moderno, sem “cópias” ou “papel”. Na verdade, nem precisam “abrir os envelopes”, pois ao se logar na rede social, o próprio usuário já o faz. Os armários para armazenar os dados são servidores poderosos, espalhados em diversos pontos do planeta. No caso do Facebook, são mais de 60 mil.

Não é novidade que Facebook sofre, há anos, de inúmeras suspeitas e alguns processos relativos ao tratamento da privacidade dos dados de seus usuários.

Em outubro passado, Max Schrems, um estudante de direito austríaco, conseguiu enviar uma solicitação ao Facebook para fornecimento de seus dados pessoais. Recebeu em casa, enviado da Califórnia, um CD contendo nada menos que o equivalente a 1.200 páginas impressas com informações, transcrições de conversas e – aí reside o pior, talvez – dados que já haviam sido deletados por ele. Se foram deletados, não poderiam mais estar registrados em lugar nenhum. O vídeo abaixo traz um resumo da história:

O Facebook, com seus estimados 800 milhões de usuários é uma força de atração poderosa. As pessoas  querem estar lá porque seus “amigos” estão lá. Já comentamos aqui sobre a questão da privacidade e de como o modelo comercial de redes como o Facebook é construído:

Para os usuários, as redes ainda conservam o padrão “grátis” que caracterizou a internet em seu início. Na verdade, as redes atuais usam o velho modelo “build and they will come“, ou seja, constroem o ambiente (infraestrutura de servidores, softwares, aplicativos etc), investem na atração de participantes -  ironicamente, usando meios tradicionais em vários casos -  e depois acenam aos patrocinadores com alguns milhões de usuários. Aí é que os usuários se tornam reféns das redes, e serão bombardeados com mensagens comerciais. [leia na íntegra]

Se o processo iniciado pelo estudante austríaco obrigará o Facebook a tratar com mais responsabilidade os dados de seus usuários e, de fato, apagá-los quando estes o fizerem, ainda é cedo para saber. Garantido mesmo é que, uma vez divulgada, qualquer informação no mundo digital pode ser reproduzida, editada e armazenada quase indefinidamente. O que o Facebook sabe a seu respeito? Veja abaixo:

 

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Em tempo:  o título deste post refere-se a um conto do escritor Edgar Allan Poe, no qual uma certa carta, roubada dos aposentos reais, poderia comprometer a honra de uma importante figura.

 

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos,Cultura,Digital |
dez
23
2011
0

Previsões para 2012

Por Jorge Carrano

Todo fim de ano é a mesma coisa. São feitas retrospectivas do que vivemos, e previsões sobre o futuro. São produzidas matérias na TV e edições especiais de revistas.  Fazer previsões até que é fácil. Acertá-las é que são elas. Entretanto, há coisas que, de tão óbvias, nem deveriam fazer parte do arsenal de “futurologia” que a mídia distribui. Vamos a algumas.

Na tecnologia:

  • O HTML 5 vai avançar. O quanto avançará vai depender em parte da Microsoft (leia o motivo aqui).
  • Os dispositivos móveis vão crescer sua participação no total de acessos à internet.
  • Os desenvolvimento de aplicativos apresentará forte crescimento.
  • O iPad continuará a ser o tablet mais desejado (e uma espécie de benchmark).
  • A falta de profissionais qualificados vai impactar fortemente o mercado de desenvolvedores, resultado direto de anos de descaso com a educação. Dá para imaginar que isso vai acontecer em muitos outros setores da economia.

Fazendo um exercício mais abrangente, e pensando no Brasil e no mundo, poderíamos “prever”:

  • A crise financeira na Europa vai melhorar, mas teremos outros sustos e espamos no mercado em 2012. Cuidado com a China…
  • Educação, saúde, transporte, segurança e corrupção serão alguns dos temas que continuarão a nos envergonhar.
  • As obras para a Copa do Mundo continuarão emperradas, e surgirão inúmeras suspeitas de corrupção. Essa previsão, provavelmente, valerá para alguns anos…
  • Em 2012, morrerão pessoas notáveis, que nos deixarão mais tristes, e serão tema de longas matérias no Fantástico.
  • O futebol e o Carnaval serão, ainda, as maiores (talvez únicas) alegrias do nosso povo.

Felizmente,  não dá mesmo para prever o futuro. Então, devemos sempre acreditar e trabalhar para que ele seja mais próspero e feliz.

Aos nossos amigos e leitores, desejamos um Feliz Natal e até 2012  !

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos,Cultura,Digital |
dez
13
2011
0

Novas batalhas pelo seu clique

Por Jorge Carrano

Os usuários da internet muitas vezes não percebem mudanças importantes que acontecem nos bastidores da rede que, no entanto, têm grande impacto para os desenvolvedores de websites e aplicativos. Dois desses momentos tiveram a ver com o uso dos browsers (navegadores), que são os programas usados para “ler” as páginas de um site.

Na segunda metade da década de 1990, a internet foi palco da chamada “guerra dos browsers”. O Netscape, então lider absoluto, começou a ser ameaçado pelo Internet Explorer, da Microsoft. A companhia americana fazia uma espécie de “venda casada”, já que o navegador vinha embutido quando o usuário comprava o Windows. O resultado dessa batalha, além de processos antitruste enfrentados pela Microsoft, foi o fim do Netscape, e durante alguns anos o domínio quase completo do Internet Explorer.

No entanto, em julho de 2003, foi constituída a Fundação Mozilla, uma entidade sem fins lucrativos. A Fundaçao herdou o que era o coração do Netscape, e transformou-o no Firefox, um navegador que logo encantou os  usuários mais experientes. Isso porque era leve, rodava rápido, trazia as abas (que hoje todos usam) e, sobretudo, era mais seguro que o Internet Explorer. Segurança, aliás, foi sempre um ponto fraco da Microsoft.

O Firefox conquistou uma parcela grande de usuários, mas isso está perto do fim. Dados de pesquisa recentes indicam que em alguns mercados ele já perde para o Chrome, da Google.  Mas o pior pode estar por vir. Se você visitar o site da Fundação Mozilla e der uma olhada no Relatório Anual de 2010, terá uma supresa: boa parte dos 123 milhões de dólares de receita em 2010 vieram de doações de empresas como Google, Bing, Yahoo, Amazon e EBay. Vale lembrar que o Google tem seu próprio navegador, e o Bing é o sistema de busca da Microsoft.

A questão agora é saber se o Google, que tem um produto em franco crescimento, vai continuar financiando um produto que, além de concorrente, a cada dia torna-se mais obsoleto. Mas essa é só parte da confusão.

Nos últimos anos, a internet migrou para outros dispositivos. Depois dos notebooks e netbooks, chegou aos celulares e, mais recentemente, aos tablets, com destaque para o iPad, líder absoluto de mercado.

O fato é que, graças à visão (e um pouco de teimosia) de Steve Jobs, os aparelhos Apple não rodam Flash. O Flash, da Adobe, é o programa mais usado no desenvolvimento de animações para a internet.  Sabendo que é inegável a tendência de que cada vez mais pessoas acessem a internet por meio desses dispositivos móveis, a saída pareceria óbvia: migrar o desenvolvimento para o HTML5.

Aqui cabe um parêntese. O padrão HTML foi criado em 1990 e padronizado como “HTML4″ a partir de 1997. O HTML5 surgiu para melhorar o suporte aos recursos multimídia. Só que aí a imcompatibilidade de plataformas mostra sua face mais perversa. Se você desenvolver para HTML5, os usuários do Explorer não verão praticamente nada.

Num índice de aderência aos padrões do HTML5 que vai até 450, consideramos ser necessário que um navegador atinja em torno de 300 pontos (a partir de 250 já seria aceitável em alguns casos) para ter uma performance razoável.

Um recente estudo mostrou que o browser mais bem colocado é o Chrome, cuja versão mais recente chega a 342 pontos. O Opera vem em segundo, com 325, seguido de perto pelo Firefox (314) e pelo Safari, da Apple (293). O Explorer 9 (o mais recente) tem apenas 141 pontos e a versão 8 (a mais usada atualmente) atinge ridículos 41 pontos. *

Isso cria para nós, desenvolvedores, um dilema. Se adotamos o HTML5, deixamos de fora parte razoável dos usuários, que ainda estão rodando Explorer em suas máquinas. Se mantemos a base em HTML e continuamos a usar Flash, deixamos de fora a fatia crescente de usuários de dispositivos como iPhone e iPad.

É possível que a Microsoft, em algum momento, lance um browser com níveis de aderência suficientes. A versão 10, ainda beta, promete superar os 300 pontos. Mas vale lembrar que haviam feito essa mesma promessa com a versão 9…

A alternativa de desenvolvimento de versões diferentes de sites e aplicativos, embora seja possível do ponto de vista técnico, esbarra no óbvio impacto nos custos.

O futuro do Firefox e a adoção do HTML5 são apenas parte da complexa teia de questões que envolvem mudanças constantes na internet, geralmente escondidas por trás de um simples clique.

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* Dados de 13/dez/2011.

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos,Digital |
nov
29
2011
1

Pense diferente

Por Jorge Carrano

A comunicação sempre foi um dos pontos altos da Apple, e atendia a uma premissa básica: produtos inovadores precisam de publicidade também inovadora.  Assim foi com duas das mais interessantes e premiadas campanhas da empresa.

“1984″

Em 1983, para o lançamento do Macintosh, Steve Jobs disse “quero um estrondo”, referindo-se ao que deveria ser a campanha publicitária.  A agência responsável, a Chiat/Day, criou um comercial que, até hoje, é objeto de estudo nas escolas de propaganda.

O filme foi dirigido pelo cineasta Ridley Scott, que tinha acabado de lançar Blade Runner. A produção consumiu mais de 750 mil dólares, um absurdo para a época.

Quando a diretoria da Apple viu o anúncio, disseram para vender os espaços comerciais reservados, e pensaram em trocar de agência. Mas Steve Jobs insistiu que aquela era a comunicação certa para um produto tão inovador.

O comercial foi veiculado no intervalo do Super Bowl, para mais de 96 milhões de pessoas que assistiram, atônitas, a uma mensagem totalmente inovadora. O resto é história. Veja abaixo:

 

“Think Different”

Em 1997, Steve Jobs ligou para Lee Clow, que em 1984 tinha criado o comercial acima. Jobs queria uma campanha que valorizasse a imagem da Apple, e não fosse focada em produtos.

Como relata Walter Isaacson, autor da recém-lançada biografia do fundador da Apple: “Não era sobre velocidade e memória de processadores, disse Jobs. Era sobre criatividade.” (pág. 345).

Era uma campanha para exaltar os que pensam diferente, os loucos, desajustados e que, por isso mesmo, foram capazes de mudar o mundo.

Esse espírito contestador, inquieto, rebelde e inovador tanto na concepção de produtos como na forma de apresentá-los foram a base sobre a qual a Apple construiu uma das marcas mais admiradas do mundo.

 

 

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos,Cultura,Digital,Marketing |
nov
22
2011
0

Jobs, a biografia

Por Jorge Carrano

Acabo de completar uma jornada de quase 600 páginas pela biografia de Steve Jobs, escrita por Walter Isaacson.

Não seria novidade comentar sobre os inúmeros casos de explosões emocionais, discussões e brigas que o genial fundador da Apple protagonizou. Por isso deixo esses aspectos de lado.

O livro tem muitos méritos. O primeiro deles é contar toda a história da computação pessoal, desde os primórdios da indústria do hardware e do software, fazendo um relato interessante do que aconteceu nos últimos 40 anos, e que resultaram no mundo super conectado que temos hoje.

Um aspecto curioso diz respeito ao processo de desenvolvimento de vários produtos. Uma verdadeira guerra de egos envolveu Jobs, Bill Gates, Michael Eisner (ex-presidente da Disney), John Sculley (ex-presidente da Pepsi) e tantos outros. E muitas decisões foram tomadas apenas para “derrubar” o concorrente, ou provar que produtos da Apple eram superiores.

Há também muitos lances de genialidade. Poucas pessoas sabem, por exemplo, que o iPad foi concebido (como projeto) antes do iPhone. Mas Jobs percebeu que os celulares, que já haviam impactado fortemente o mercado de câmeras digitais, poderiam também roubar uma parcela de mercado de seu iPod, que na época (2005) era o produto mais rentável da Apple (vendeu mais de 20 milhões de unidades naquele ano), respondendo por mais de 40% do faturamento.

Resolveu então que a Apple inovaria no segmento de celulares, e alocou seus melhores desenvolvedores e designers (que trabalhavam na interface multitoque, base do que viria a ser o iPad) no projeto iPhone, e o resultado é conhecido. Quando o iPhone foi lançado, Steve Ballmer, da Microsoft, ironizou: “é o celular mais caro do mundo.” O fato é que, em 2010, a Apple tinha transformado o iPhone no produto de consumo mais desejado,  com 90 milhões de aparelhos vendidos, e um enorme lucro.

Seu temperamento intuitivo e sua obsessão com a perfeição o levaram a exigir niveis de acabamento nos produtos que nenhuma outra empresa sequer considerava. Podia perder dias discutindo o formato de um parafuso que ficaria invisível, escondido dentro do equipamento, e obrigava os engenheiros a mudarem toda a configuração de placas, circuitos e componentes apenas para atender às características do design.

Sua obsessão com os detalhes e a perfeição eram como as de Walt Disney, que Jobs admirava profundamente. “Todos os detalhes importam”, era uma das crenças do criador do Mickey Mouse, que o fundador da Apple levou para o mundo digital.

Entre as poucas personagens capazes de influenciar Steve Jobs – tarefa nada fácil – quero destacar Mike Markkula. Como relata o autor da biografia:

“Markkula escreveu seus princípios em um documento de uma página, intitulado “A filosofia de marketing da Apple”, que destacava três pontos. O primeiro era empatia, uma conexão íntima com os sentimentos do cliente…. o segundo era foco. Com o objetivo de fazer um bom trabalho das coisas que decidimos fazer, devemos ignorar todas as oportunidades sem importância.” O terceiro e igualmente importante princípio, batizado com um nome canhestro era imputar. Dizia respeito ao modo como as pessoas formam uma opinião sobre uma empresa ou um produto com base nos sinais que eles transmitem. “As pessoas de fato julgam um livro pela capa”, escreveu Markkula.” (pág. 97)

Para o resto da vida Steve Jobs levaria em consideração esses pontos em tudo o que faria. São princípios que se materializaram, por exemplo, no cuidado com as embalagens dos produtos e na abordagem inovadora das campanhas publicitárias. Assunto para o próximo post.

 

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos,Cultura,Digital,Marketing |
nov
08
2011
0

Sound of silence?

Por Jorge Carrano

Imagine ler O Poderoso Chefão (do Mario Puzo) enquanto ouve a bela trilha sonora do filme dirigido por Francis Ford Coppola.

Para quem gosta da discussão entre livros digitais e livros em papel, há novidades na praça que vão muito além do recém-lançado leitor digital da Barnes & Noble (Nook) ou da nova versão do Kindle, da Amazon.

O certo é que os livros digitais continuarão a crescer, mas tenderão a se afastar dos livros com os quais estamos habituados, por conta das novas possibilidades estéticas viabilizadas pela tecnologia.

Talvez se aproximem cada vez mais do cinema ou dos games. O uso de animações e trilha sonora podem deixar a experiência mais interessante e tornar alguns títulos muito mais agradáveis.

O vídeo abaixo ilustra bem uma dessas possibilidades, com o uso de trilha sonora para “temperar” a leitura. Não apenas música, mas também ruídos e efeitos especiais fazem parte da proposta.

Confira!

 

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos,Cultura,Digital |
out
31
2011
0

Pequenos grandes gestos

Por Jorge Carrano

Quando eu era criança, vi e vivi muitas vezes a cena. Na hora do recreio, os meninos – boa parte do tempo correndo atrás de uma bola – acabavam deixando cair uma parte, quando não tudo, de seus lanches (que eram chamados “merenda”). Uma vez aconteceu comigo, e meu então melhor amigo estendeu o sanduíche de presunto dele e falou: “tira um tasco”. Dei uma mordida e fomos em frente, atrás da bola.

No mês passado, meu filho viveu uma situação similar. O aniversário da professora estava chegando, e alguns pais resolveram fazer uma vaquinha para comprar um presente. Mas faltou combinar direito, e ficou naquele “deixa que eu deixo”, e o presente não foi comprado. Só que as crianças não sabiam disso. Afinal, juntar a grana e comprar o presente era tarefa dos pais…

No dia do aniversário, um dos amigos (cuja mãe não sabia do “projeto vaquinha”) levou um presente por conta própria. Na hora “h”, as crianças se perguntam, “cadê o presente”? Silêncio. Bateu o desespero. E agora? O menino que havia levado seu presente “solo”, vendo a aflição dos amigos, pegou o cartão que acompanhava o embrulho, riscou o nome dele e escreveu “de todos”. E a professora ganhou o presente achando que era da turma.

Parece pouco, mas é um gesto de enorme significação. Em que momento de nossa vida nos tormamos mais egoístas, não sei dizer. Trabalho para os psicólogos, talvez.

Há quem acredite ser esse um comportamento da nova geração, nascida sob o signo do “compartilhamento” e “curtição” típicos das redes sociais. Discordo.

Meu palpite é que essa nova geração – que corre da mesma maneira atrás da bola, apesar do iPod no bolso – tem o mesmo senso de compartilhamento  das gerações anteriores. É um gesto natural de crianças. Sempre foi. Atribuir esse comportamento ao fenômeno contemporâneo da internet só repete o discurso manjado de atribuir tudo de bom ou ruim que acontece às redes sociais. Um exagero.

Para provar que o gesto é natural, a organização humanitária ACF (Ação Contra a Fome) lançou, na Espanha, um experimento, materializado num comercial que mostra uma situação em que crianças se vêm diante de uma situação de dividir (ou não) um sanduíche.

O vídeo – e a mensagem que ele traz – são preciosos como as crianças.

 

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos,Cultura,Digital |
out
20
2011
1

Novas tecnologias, velhos paradigmas

Por Jorge Carrano

Nos bastidores das empresas acontece uma interessante discussão em torno da liberação do uso de redes sociais no ambiente de trabalho.

De um lado, há os que alertam para os perigos desse acesso, como a perda de produtividade ocasionada pelo tempo que o empregado fica no seu Facebook ou Twitter. Além disso, destacam o risco de que essa atividade acabe por revelar segredos industriais, estratégias comerciais, ou até mesmo uma “opinião” sobre um cliente, com óbvios riscos para as atividades da empresa. Isso tudo é verdade. E acontece.

No outro extremo, há os que alegam simplesmente: não é possível controlar.

Se o computador na empresa bloqueia o acesso a sites e redes sociais – prática muito mais comum do que se imagina – o empregado pode bem usar seu celular para postar conteúdo ou comentar, curtir e “retuitar” nesses canais.

Com um agravante. Muitos participam das redes sociais fora do ambiente de trabalho, e essa participação “pessoal” pode ser confundida ou percebida como uma opinião da empresa para a qual aquele profissional trabalha.

Tenho dito que essa discussão, no entanto, é velha.

Ela já aconteceu em outros momentos de introdução de novas tecnologias no ambiente corporativo.

Aconteceu com o telefone/ramal na mesa de cada empregado. Diziam que seria usado para falar com os amigos e família, por exemplo. Depois, foi com o e-mail, que seria usado para  “trocar receitas, repassar correntes e piadas com os amigos”.

O acesso à internet ainda hoje é também alvo de restrições. Imagine seu colaborador acessando um site de apostas on-line ou, pior, de pornografia…

Também o celular corporativo é alvo dessas preocupações com o risco de seu uso indevido.

Chegou a vez das redes sociais.

Infelizmente, querendo ou não as empresas, as pessoas vão usar cada vez mais esses recursos e a pior coisa a fazer é (achar que pode) coibir totalmente esse acesso.

Se por um lado é importante perceber que as conexões sociais são cada vez mais importantes no ambiente empresarial – hoje, quando você demite um funcionário, demite junto toda a rede de relacionamentos dessa pessoa – de outro é preciso ter regras claras.

Um código de conduta e um processo de treinamento podem ser os componentes iniciais do inevitável esforço de educação que todos -  independente de seu nível na corporação – precisarão encarar até poderem dar suas “tuitadas” sem medo, mesmo que o chefe esteja ao lado.

Escrito por Jorge Carrano em: Comunicação Empresarial,Digital,Marketing |

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