E daí?
Por Luiz Fernando Brandão
Existe um aspecto que muitas empresas menosprezam ao tentar emplacar conteúdos nas redes sociais: a pertinência ou relevância do assunto, ou do ângulo sob o qual o assunto está sendo explorado, para o receptor. Esse descuido compromete na origem a força da mensagem e pode frustrar por completo o esforço de comunicação.
Aprendi que o quê, quem, quando, onde, como e por quê são as perguntas clássicas (os “elementos da notícia”) que o texto jornalístico tem de responder. Mas, nas redes sociais, resta uma pergunta crucial: “E daí?”. Pois se a informação não tiver alguma conexão com meu mundo, com meu interesse pessoal ou profissional, simplesmente ignoro. E quanta informação e conteúdo são jogados ao vento. Quanta coisa se escreve para ninguém ler. Quanto tiro na água!
Para ter mais noção do conteúdo ou abordagem que podem interessar ao receptor e assim aumentar a probabilidade de acertar o alvo e gerar as desejadas interações, um bom começo é conhecer o que, afinal, leva as pessoas a compartilharem pela internet.
O New York Times Surveys se interessou pelo assunto e no final de 2011 divulgou o estudo “The Psychology of Sharing”. Ele revela as cinco principais motivações que nos levam a dividir alguma coisa com os outros on line: mostrar algo importante ou divertido (94%); divulgar uma causa ou uma marca (84%); expandir e nutrir relacionamentos (78%); sentir mais conexão e envolvimento com o mundo (69%) e afirmar nossas crenças e valores pessoais (68%).
Será que as empresas não têm nada a aprender com isso? Muitas vezes elas investem trabalho e recursos para melhorar sua comunicação pela internet e acabam alcançando apenas os colaboradores mais próximos. Se já é difícil para qualquer um estabelecer relações duradouras e construtivas com “estranhos”, nas redes, imagine para marcas que, pela natureza da atividade, têm pouca ou nenhuma interação com o consumidor.
Um caminho talvez seja dedicar mais tempo e energia fazendo o que os conhecedores consideram a maior utilidade das redes sociais: ouvir. Se você quer falar com “desconhecidos”, procure antes conhecê-los um pouco. Veja sobre o que eles gostam de conversar. Proponha um assunto que seja familiar, que transmita a sua mensagem, e torça para que eles se interessem. Lembrando sempre que os temas sobre os quais as pessoas querem se manifestar e ser ouvidas são provavelmente aqueles que atrairão mais seu interesse e atenção.
Lembre-se de que tudo que você publicar on line irá competir com imagens de gatinhos brincando ou apelações do gênero. Para se destacar e marcar seu espaço, melhor contribuir com assuntos que cativem de fato o alvo da sua comunicação. Você aumenta suas chances de vitória nessa batalha naval virtual.
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Luiz Fernando Brandão é jornalista, tradutor e consultor de comunicação na in futuro (luiz@infuturo.net). Membro do conselho deliberativo da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje).
Artigo publicado na Revista Imprensa, maio de 2012.
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Perfeito Brandão!