A internet das coisas
Começou ontem, no Rio de Janeiro, o Rio Info 2010, importante seminário sobre tecnologia. O tema desse ano é “integrando mídias, coisas, pessoas e serviços”.
Da primeira mesa redonda, gostaria de destacar a apresentação do professor Markus Eisenhauer, do Instituto Fraunhofer, da Alemanha. Ele apresentou o Hydra, um middleware voltado para a conexão de coisas. Para quem não sabe, um middleware é um sistema que atua numa camada intermediária, entre o sistema operacional (Windows, Linux etc) do computador e os aplicativos/programas que o usuário utiliza.
O Hydra tem algumas aplicações mais apropriadas ou, ao menos, mais avançadas, entre elas o gerenciamento de energia, a operação remota de equipamentos e o monitoramento da saúde. Uma pessoa doente, que não pode ir ao médico pode, por exemplo, a partir de um aplicativo no celular, transmitir diretamente para o médico (que pode estar em qualquer lugar do mundo), sua pressão e taxa de açúcar. Ou talvez o próprio aparelho de medir a pressão faça isso.
A partir de um histórico daquele paciente, o médico pode optar por enviar um enfermeiro ao local. Aí começa o mais interessante. Imagine uma pessoa muito idosa, ou portadora de deficiência que a impeça de sair da cama. Com a integração das plataformas, o médico, ao acionar a enfermeira, pode passar a ela um “código” do paciente, que recebe uma mensagem no celular, e “autoriza” a enfermeira a visitá-lo. Essa autorização pode ser “materializada” num cartão magnético, que a enfermeira carrega (faz o download) e usará para abrir a porta da casa (como um quarto de hotel) do paciente (lembre-se, ele não pode sair da cama).
Imagine agora que você tem um sensor de fumaça/incêndio em sua casa. Por um motivo qualquer, algum aparelho eletrônico apresenta um problema, e entra em curto. O sensor captura esse sinal, envia para o seu celular. Mas você está em Madrid… aí você pode acionar o seguro (que entraria na sua casa pelo mesmo processo da enfermeira da situação anterior) e desligaria o equipamento defeituoso. Num caso extremo, o sistema enviaria uma mensagem diretamente ao corpo de bombeiros.
Os exemplos acima, e vários outros, fazem parte do futuro da internet, a chamada “internet das coisas”. Os aparelhos, as “coisas” em geral – desde que conectados à internet – passam a atuar como máquinas que podem ser acionadas remotamente. Sabe aquela dúvida clássica, se apagou a luz, desligou o gás, ou deixou a janela aberta? Pois é, na internet das coisas essas questões poderão ser resolvidas remotamente.
Como todas as novidades e possibilidades do mundo tecnológico, restam ainda questões a resolver. Exemplo: se você mora num apartamento, será que o porteiro vai deixar a enfermeira entrar?
Mas não deixa de ser um pensamento instigante e desafiador imaginar o universo de possibilidades que se abrem com a internet das coisas. Estamos ainda aprendendo a conectar as pessoas – as redes sociais ainda vão explodir. Imagine quando as máquinas também puderem participar dessa conversa…




