jan
23
2009
3

BarackBerry

Por Jorge Carrano

Em um artigo que publicamos aqui em dezembro (veja o iOBama), comentamos como o novo presidente e o iPhone tinham algumas semelhanças. Barack Obama tem dado demonstrações, em seus primeiros atos, de que irá enfrentar alguns temas complexos com coragem e capacidade de inovar. Uma das novas “batalhas” do presidente  está diretamente ligada à comunicação. Foram publicadas informações de que o “parque tecnológico” da Casa Branca é uma carroça. Computadores antigos, rodando Windows 2000.

Não é que o governo americano não tivesse dinheiro ou condições de oferecer tecnologia de comunicação de última geração aos ocupantes da Casa Branca. Tratava-se, apenas, do desinteresse ou ignorância dos ocupantes da casa. George Bush, por exemplo, mandou um único e-mail em seus 8 anos de mandato.

Obama vai ganhar não um iPhone, mas um BlackBerry, que está sendo apelidado de “BarackBerry”. Com vários recursos de segurança,  como criptografia de última geração e  ausência de GPS (para não expor a localização do presidente). O fato é que Obama vai estar conectado.

Essa notícia permite uma reflexão. Algo me diz que Obama desconfia do isolamento ao qual os presidentes são submetidos sob a alegação de segurança. Ficam sabendo do que acontece principalmente por meio de relatórios resumidos fornecidos por seus subordinados.

Quem sabe o presidente Lula, que admite não ler jornal,  talvez pudesse ter um computadorzinho, mesmo que rodando Windows 2000 e com acesso discado para, quem sabe, só de vez em quando, dar uma espiada no que acontece ao seu redor. Talvez evitasse tantas marolinhas…

Escrito por Jorge Carrano em: Cultura, Digital |
jan
20
2009
1

A “reuniãozinha”

Por Jorge Carrano

Num hipotético “Manual de Boas Maneiras do Século 21″, certamente existiria a recomendação: desligue seu celular nas reuniões.  Se você é um vendedor ou prestador de serviço e está em reunião com um cliente, deixar seu celular ligado e, pior ainda, atender uma ligação, pode sinalizar que há coisas a fazer ou clientes mais importantes.

O cliente, por sua vez, ao atender uma ligação, passa a idéia de que é superior ao seu interlocutor.

Ambos estão errados.

Mas, terrível mesmo é quando, além de atender, a pessoa diz “te ligo depois, estou numa reuniãozinha…”.

Escrito por Jorge Carrano em: Cultura, Digital |
jan
14
2009
2

O paredão virtual

Por Jorge Carrano

A crise internacional está causando desemprego em muitos setores da economia, em vários países. A decisão de escolher os dispensados quase nunca é fácil. O processo requer cuidado, pois antes de  “números”, são “pessoas” que estão envolvidas.  A agência SoNice, da Bélgica, resolveu “brincar de Big Brother” e criou um website para que seus clientes escolham quem vai ser demitido. Os empregados fizeram suas “defesas” colocando seus perfis, e os clientes foram convidados a votar nessa espécie de  “paredão”.

Segundo o jornal Advertising Age, o site recebeu 30 mil visitantes únicos em apenas 5 dias, com 17.500 “votos”. Parece uma ação de sucesso? Sei não.

Embora tenham recebido tantas visitas, muitos clientes da agência acharam a ação infeliz, por considerarem que não é um problema deles, e sim da agência. Até porque, em muitos casos, os clientes também estão vivendo um momento difícil, tendo eles próprios que realizar suas demissões.

As empresas têm que ser responsáveis por suas estratégias e escolhas, principalmente nos momentos difíceis.

Um uso interessante de internet, mas num tema infeliz.

Escrito por Jorge Carrano em: Cultura, Digital, Marketing |
jan
12
2009
6

O trimestre sustentável

Por Jorge Carrano

A crise internacional surgida no último trimestre de 2008 alertou o mundo para a fragilidade do sistema financeiro. Apesar das medidas adotadas pelos governos, a crise financeira tornou-se uma crise econômica.

O fato é que boa parte das empresas, nos últimos anos, vive em função de atingir, a cada trimestre, novos recordes que permitam dar o crescente retorno esperado pelos acionistas.

Empresas existem para gerar riquezas. Para seus empregados, para a sociedade, e para seus investidores, é claro.

Mas a ânsia por resultados trimestrais cada vez maiores não pode ser a desculpa para evitar ações que assegurarão a sustentabilidade do negócio. E esta crise é uma grande oportunidade para as empresas revisarem seus planos de crescimento e se tornarem mais sustentáveis.

É também uma crise de sustentabilidade.

Já ouvimos alguns dizerem que sustentabilidade está “na moda”, como já estiveram outros conceitos empresariais.  Acontece que essa “moda” veio para ficar. Pelo simples motivo de que não há mais como ignorar o esgotamento dos recursos naturais, o aquecimento global, o problema do lixo, o aumento da violência e outras enormes carências das populações amontoadas nas periferias das grandes cidades.

São temas que estão na agenda de todos os governos, observados pela mídia e também pela sociedade, que espera das empresas participação ativa na solução de alguns desses problemas.

O “dilema” entre gerar riquezas e seguir os preceitos de uma atuação sustentável faz parte da vida das empresas modernas, em especial das que lidam com recursos naturais e têm atuação global.

Esse mesmo dilema está também em nosso dia-a-dia de consumidores e cidadãos. Se uma embalagem reciclável custa 30% a mais do que uma feita de material não reciclável, será que não tendemos a deixar o bolso falar mais alto que a razão? Será que estamos dispostos a pagar mais (e o quanto mais?) por um produto ou serviço que tem este “custo de ser sustentável” embutido na etiqueta de preço?

Na edição de outubro de 2008, o Guia Exame sobre Sustentabilidade informa que apenas um terço dos consumidores aceitaria pagar mais por um produto ecologicamente correto.  Acha pouco? Então responda: quantos eram esses consumidores mais conscientes há 5 ou 10 anos?

Para as empresas, é uma informação relevante. Mas, se pensarmos em longo prazo, precisamos considerar que este “custo de ser sustentável” é, na verdade, o “valor de ser sustentável”, ou seja, o preço adicional traz, de fato, um “valor agregado” que o justifica. Um valor que será, cada vez mais, considerado pelos consumidores no momento de pegar uma embalagem na prateleira ou contratar um serviço.

Comunicar isso é um desafio que, mais cedo ou mais tarde, baterá à sua porta, e será objeto de um próximo artigo.

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos, Comunicação Empresarial, Sustentabilidade |

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