fev
26
2009
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A caverna no cinema

Por Jorge Carrano

Assim como na literatura, também o cinema tem diversos exemplos de “releituras” do mito da caverna.  Entre eles “A Ilha”, dirigida por Michael Bay (2005), e o clássico  “Farhneiheit 451″, de François Truffaut.

Mas talvez tenha sido “The Matrix”, dos Irmãos Wachowski (1999) o que melhor traduziu o mito para a telona. O filme foi um dos maiores sucessos de bilheteria e criou imagens marcantes, como aquele salto que “para no ar”, a onda gerada pelos projéteis disparados, o “take the red pill” e o “there is no spoon”…

Com cenas muito parodiadas em diversas outras produções, o filme nos estimula a pensar o que está além do que vemos. Ou melhor, que aquilo que vemos não é a verdade, mas o resultado da manipulação de “um sistema”. Pena que os dois filmes seguintes (“Reloaded” e “Revolutions”) tenham perdido a magia do primeiro.

Vale mencionar, no entanto, que parte das idéias por trás da “matriz” foram tiradas da fantástica história retratada na animação japonesa “Ghost in the Shell“, traduzida no Brasil como “O Fantasma do Futuro“.  Uma produção de 1995, dirigida por Toshihiko Nishikubo. Imperdível.

Escrito por Jorge Carrano em: Cultura, Digital |
fev
16
2009
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A caverna na literatura

Por Jorge Carrano

Apesar de já ter quase 2.400 anos, o  mito da caverna é uma obra muito atual e vale recordar algumas de suas versões modernas.

Os livros Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley (1932), e Fahrenheit 451, de Ray Bradbury (1953) são exemplos de sociedades que mantém controle sobre os indivíduos a partir da supressão ou restrição de seu acesso à informação.

No Farhneiheit 451 (que é a temperatura de queima do papel, e equivale a 232,7 C), a alegação é de que os livros deixariam as pessoas infelizes, por suscitarem “questionamentos” e “dúvidas”.  Daí serem proibidos e precisarem ser queimados. Ironia: eram os bombeiros que os incendiavam.

Outro livro importante é 1984, de George Orwell (cujo nome verdadeiro era Eric Arthur Blair.). O “Big Brother” criado por Orwell digitalizou-se, virou uma bem-sucedida franquia internacional na televisão e revela, de maneira assustadora, o vazio intelectual que habita a maior parte de seus participantes e, infelizmente, também de seus espectadores.

Claro, não poderia encerrar sem mencionar A Caverna, de José Saramago,  bem mais recente, mas igualmente sensacional.

Escrito por Jorge Carrano em: Cultura, Digital |
fev
06
2009
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A bolha florida

Por Jorge Carrano

As tulipas foram introduzidas na Europa Ocidental no final do Século XVI, trazidas do Império Otomano, atual Turquia. A própria palavra tulipa é originada da palavra turca para “turbante”.

Na Holanda, possuir tulipas no lar passou a ser considerado um símbolo de status e riqueza. Como todos queriam ter tulipas, a lei da oferta x demanda fez seu preço aumentar de maneira irracional. Uma verdadeira “bolha”.

Um único exemplar da flor chegou a valer o equivalente a 24 toneladas de trigo! Bulbos de Semper augustus chegaram a ser trocados por casas espaçosas em Amsterdã. As flores eram negociadas até na Bolsa de Londres, além de Bolsas da Holanda.

Pessoas vendiam seus patrimônios - casas, fazendas, animais - para especular com o crescente preço das flores, que parecia não ter limites.  Até que…

Por volta de 1635, uma venda de 40 bulbos por 100.000 florins foi um recorde. Para efeito de comparação, uma tonelada de manteiga custava algo em torno de 100 florins e oito porcos graúdos custavam 240 florins. Ou seja, com o valor da venda daria para comprar mais de 3.300 porcos…

Em 1637, o pior aconteceu. Os comerciantes de tulipas não conseguiam manter a valorização dos preços e, acreditando que tinham atingido o limite, começaram a vender as flores.

O resultado é que a bolha (e a bolsa) estourou. Parece atual?

Por fim, um investidor chegou a pagar um preço alto demais. Em 1730, anos depois do estouro da bolha, o turco Sultan Ahmed foi considerado culpado de gastar muito dinheiro e especular nos tradicionais festivais anuais de tulipa. Conta-se que ele foi decapitado.

Isso tudo por uma flor que não tem perfume e floresce apenas por uma ou duas semanas ao ano…

Para conhecer mais detalhes dessa história, leia “Ilusões Populares e a Loucura das Massas” (Ediouro), de Charles Mackay, publicado originalmente em 1841.

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos, Cultura, Marketing |

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