Duloc e a bomba atômica
Por Jorge Carrano
No filme de animação Shrek, o personagem “Lord Farquhar” era o príncipe de um lugar chamado Duloc, que ele acreditava ser praticamente perfeito. Mas o Lord não podia ser rei. Para isso, precisaria encontrar uma princesa e casar-se com ela. Sequestra então o “Espelho Mágico” da história da Branca de Neve, e o espelho lhe apresenta três opções de princesa. Ele escolhe uma (Fiona) e a aventura prossegue.
A característica marcante de Lord Farquhar era sua baixa estatura. Um homenzinho que queria ser rei. Na entrada de seu pequeno reino, uma musiquinha anunciava: Duloc is a perfect place!
O igualmente pequeno ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Il, parece também ter pretensões reais, só que “a noiva” é uma combinação de militarismo, repressão e censura. Seu exército hoje possui um contingente superior a 1 milhão de soldados, sendo o quarto maior do mundo (só perde para os EUA, Rússia e China).
A Coreia do Norte é um país sem agricultura ou indústrias relevantes. Durante o século XX foi invadido pelo Japão, bombardeado inúmeras vezes durante a Segunda Guerra Mundial e na posterior Guerra da Coreia. Apenas nesta última, que durou de 1950 a 1953, o saldo foi de 3,5 milhões de mortos. Coerente com o maniqueísmo característico da Guerra Fria, o país foi finalmente dividido em dois, na altura no paralelo 38°, sendo o norte alinhado à URSS, e o sul, aos Estados Unidos.
Hoje, é um país considerado perigoso, e o Japão é o que mais teme uma ação militar de Pyongyang. O curioso é que o armistício entre as duas Coreias nunca foi assinado, o que significa que os países continuam “tecnicamente” em guerra.
As duas jornalistas americanas presas - e condenadas a doze anos de trabalhos forçados - no início de junho são a ponta de um obscuro iceberg que o país esconde. Kim Jong Il está sob a mira de observadores de todo o mundo, sobretudo depois da explosão de misseis de longo alcance no mar do Japão. Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica, a Coreia do Norte foi o oitavo país a obter uma bomba nuclear. Os outros sete são Estados Unidos, Rússia, França, Reino Unido, China, Índia e Paquistão.
A exemplo do que publicamos a respeito da censura na China (leia aqui), a Coreia oferece um cenário tão grave, ou pior, de restrição do acesso de seus cidadãos às fontes externas de informação.
O telefone móvel foi introduzido em 2002, mas dois anos depois seu uso ficou restrito à elite militar. O governo disse que era para “proteger o povo”. Isso criou um enorme mercado negro para celulares na fronteira com a Coreia do Sul.
Atualmente, o regime controla toda a comunicação de voz via celular, a partir de uma concessão feita, em dezembro de 2008, à empresa egípcia Orascom Telecom. No release que anunciava o negócio, o presidente da Orascom disse: “não se trata apenas de fornecer serviços móveis 3G; estamos fazendo história em um país que está num processo de abertura e desenvolvimento notáveis”. Então tá.
A internet, como todos os demais meios de comunicação, está também a serviço da propaganda oficial. Implementada em 2000, a rede coreana oferece serviço de e-mail (que é monitorado pelo governo), acesso a apenas alguns sites também pré-definidos e a uma ferramenta de busca para lá de suspeita.
A exemplo de Lord Farquhar, que apregova ser Duloc um lugar especial, Kim Jong Il e seus “websites oficiais” apresentam um país bem diferente do que se vê, de fato.
O site http://www.naenara.kp oferece 9 idiomas, e seus grandes destaques são os “Eventos Especiais” e a agenda de Kim Jong Il. Aliás, as “obras” do governante estão à venda no site…
Você pode conferir mais em: http://www.naenara.kp/en/book/reading.php
Bem, no fim do Shrek, Lord Farquhar é devorado por um dragão…
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Para cantar:
Welcome to Duloc
Welcome to Duloc such a perfect town
Sure we have some rules planned laid of down
Don’t make wave, stay at line, and we’ll get along fine
Duloc is a perfect place
please keep off of of the grass, shine your shoes,
Wash your face
Duloc is, Duloc is, Duloc is a perfect place!!!




