set
23
2009
0

Código anti-spam

Por Jorge Carrano

Todos os que usam e-mail sofrem com o número crescente de mensagens indesejadas em suas caixas postais, o spam. A edição de agosto de 2009 do relatório mensal “State of Spam”, da Symantec, traz a informação de que aproximadamente 89% dos e-mails de todo o mundo são spam.

O termo spam veio da sátira do grupo Monty Phyton com esta marca de presunto enlatado.

O termo spam veio da sátira do grupo Monty Phyton com esta marca de presunto enlatado.

Para ajudar a combater esse índice elevado, foi criado um código de autorregulamentação para envio de e-mail marketing no Brasil, aprovado em agosto deste ano por diversas entidades que trabalham com divulgações de produtos e serviços por e-mail, entre elas a Associação Brasileira das Agências Digitais, o Comitê Gestor da Internet no Brasil e o Interactive Advertising Bureau Brasil.

Conheça algumas determinações do código:

* Empresas só podem enviar mensagens com autorização do usuário ou comprovação de laço profissional ou pessoal.

* O campo “assunto” (subject) deverá estar relacionado ao conteúdo do e-mail e ter identificação do remetente.

* Está proibida a venda de listagens de endereços (mailing lists) sem a autorização dos usuários ou o envio de mensagens por máquinas que usem IPs dinâmicos.

* As mensagens deverão conter recursos que possibilitem o descadastramento (opt-out) por parte do usuário.

Além das recomendações previstas pelo novo código, a Tau Virtual adota práticas adicionais para o envio de e-mail marketing, em conformidade com as principais normas internacionais, inclusive a CAN-SPAM Act, o mais importante padrão de conduta para o envio de mensagens por e-mail.

Se você tem alguma dúvida ou comentário sobre o correto uso do e-mail como ferramenta de comunicação, entre em contato com a gente.

Leia o novo código.

Veja vídeo sobre spam feito pelo Cert-BR.

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos, Comunicação Empresarial, Cultura, Digital |
set
18
2009
2

Estafetas modernos

Por Jorge Carrano

Em 490 a.C., os atenienses ganharam uma batalha contra o poderoso exército persa, numa planície da Grécia chamada Maratona. Conta a história que Pheidippides correu uma distância de aproximadamente 35km até Atenas, para dar a boa notícia. Após contar o feito, caiu morto. A distância de 41.195m das maratonas atuais só foi definida em 1908, nos Jogos Olímpicos de Londres.

Pheidippides era um estafeta, mensageiro que levava notícias e mercadorias à pé. Seria o carteiro dos dias atuais. Curiosamente, em 1896, na primeira edição dos Jogos Olímpicos da era moderna, a prova da maratona foi vencida também por um carteiro.

Sem entrar no mérito da lenda de Pheidippides, existem relatos que mostram desafios bem superiores ao do mensageiro grego. Philonides, estafeta de Alexandre, o Grande, teria percorrido 200 km em 24 horas. Outros mensageiros faziam uma espécie de “linha regular” entre  Constantinopla e Andrinopole, percorrendo 320Km em dois dias.

Com o passar do tempo, diversas invenções facilitaram muito a vida de quem tinha que levar mensagens: telégrafo, telefone, automóveis, aviões, satélites, e todos os meios de comunicação, com destaque para o rádio e, muitos anos depois, para a televisão.

A questão é que o processo de transmissão das notícias ficou mais veloz. Discute-se muito esse aspecto, sobretudo após o advento da internet.

Quando um monarca sentava-se para escrever uma carta, o fazia medindo cuidadosamente as palavras, enquanto a caligrafia fazia seus contornos e desenhava palavras que poderiam (e em alguns casos, fizeram) mudar os rumos da História.

Hoje, nossos “estafetas digitais” - sejam i-Phone, Blackberry ou qualquer outro - nos acompanham em tempo real. Se alguém nos sussurra uma mensagem do outro lado do mundo, ela nos atinge com um bip em segundos.

A questão da velocidade sempre fez parte de nossa noção de progresso. Sobre ela, muitos já pensaram e escreveram:

Não há nada mais veloz que o espírito.” (Cícero)

Nada mais veloz do que o tempo.” (Ovídio)

Acho a velocidade um prazer de cretinos. Ainda conservo o deleite dos bondes que não chegam nunca.”
(Nelson Rodrigues)

Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela.” (Chaplin)

Mas há uma citação que parece ainda mais atual:  “Nada é mais veloz que o boato.”  A frase, de Tito Lívio, escritor italiano nascido em 59a.C, parece ter sido cunhada para o nosso tempo.

Temos dado ênfase demais ao aspecto velocidade, e muito pouca atenção aos aspectos da “qualidade” ou da “veracidade” das informações que, assim como tantos outros “produtos”, consumimos diariamente, em doses cada vez maiores.

Os milhões de websites, blogs, redes sociais (de Orkut a Twitter), e-mails, além dos meios tradicionais de comunicação formam uma massa muito rápida, mas cada vez mais superficial.  Sucessos e fracassos, glórias e reputações podem ser criadas ou destruídas na velocidade do clique, já que atravessam o mundo em segundos.

Como a velocidade é o que importa, deixamos de lado nosso senso crítico, pois daqui a poucos segundos haverá um novo e-mail a responder, um post a comentar, um novo ídolo para “seguir” e assim vamos que vamos, correndo.

O mensageiro ateniense corrreu, correu e deu seu recado antes de morrer.

Será que nós, turbinados com tantas ferramentas, sabemos para onde corremos ou qual é o nosso recado?

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos, Cultura, Digital |
set
09
2009
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Em defesa do consumidor

Por Jorge Carrano

Em 11 de setembro de 1990, entrava em vigor o  Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078). Na época,  havia uma preocupação com os impactos que esta Lei teria sobre a comunicação das empresas, em especial a publicidade.

Muitas afirmações ou “apelos publicitários” não poderiam ser feitos, a menos que houvesse comprovação de sua veracidade. O Código foi uma iniciativa importante, sem dúvida, mas parte do seu rigor se mostrou impraticável, e basta ler a seção de reclamações de qualquer jornal para ver que falta ainda muito a ser feito.

Com as novas tecnologias e a consolidação das redes sociais, entretanto, surge um fato novo a favor dos consumidores: ao permitir que as pessoas troquem informações sobre produtos e serviços, as redes sociais  contribuem para a formação da imagem, positiva ou negativa, das empresas.

Ao possibilitar a troca de percepções e experiências, acabam por cumprir a função de “fiscal” da atuação das companhias, papel que o Estado nunca conseguiu cumprir, com ou sem Código.

Sobretudo no comércio eletrônico, são cada vez mais comuns sites onde os produtos e serviços são avaliados pelos próprios usuários (consumidores), permitindo que outros tomem contato com essa “reputação” antes de realizar uma compra.

Às empresas, uma regra simples: acertam aquelas que ouvem seus consumidores – seja em redes sociais, nos pontos de venda, pelo “fale conosco” do site ou em qualquer outro ambiente - , e respondem aos seus questionamentos.

Erram as que tentam manipular ou influenciar diretamente a percepção do público, fingindo ser quem não são.

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos, Cultura, Digital, Marketing |
set
03
2009
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Homens e valores de gelo

Por Jorge Carrano

Ontem, a organização WWF patrocinou, em Berlim, uma interessante manifestação. Numa escadaria, foram colocadas mil estátuas de figuras humanas feitas de gelo, criação da artista plástica brasileira Nele Azevedo.

Os homens de gelo derretendo simbolizam as mudanças climáticas no planeta. Ao que indicam as pesquisas, estamos todos derretendo aos poucos, junto com as calotas polares e as eternas coberturas de gelo das montanhas.

Bem mais perto de nós, no entanto, outras coisas também derretem. A Academia Brasileira de Letras (ABL), fundada em 1897,  e que já teve em suas cadeiras nomes como Machado de Assis, Joaquim Nabuco, Olavo Bilac, Rui Barbosa e Jorge Amado, para citar apenas alguns, inspirou-se na Academia Francesa, e serviu, por sua vez, de inspiração para a fundação de outras academias pelo país.

Mas todas elas correm o risco de tornarem-se irrelevantes. A ABL, por exemplo, imortalizou José Sarney, como se sua própria biografia não bastasse para isso.

A Academia Alagoana, esta semana, agraciou Fernando Collor de Mello como um de seus membros. Até discurso impresso e distribuído com verba pública entrou na relação de “obras” do imortal, segundo informou O Globo.

É, a humanidade está mesmo derretendo.

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos, Cultura, Sustentabilidade |

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