A hipocrisia verde
Por Jorge Carrano
Sabe aquela empresa que planta árvores na frente do prédio, faz uma linda campanha publicitária de suas ações responsáveis, mas joga o resíduo industrial no rio localizado nos fundos da fábrica? Pois é, ela faz greenwashing.
O termo é usado quando empresas, instituições ou mesmo governos alardeiam práticas ambientais positivas quando, na verdade, atuam de maneira prejudicial ao meio ambiente.
Trata-se de uma apropriação indevida de uma virtude - a atuação ambiental responsável - mascarada pelo “marketing verde” dos comerciais de TV repletos de crianças sorridentes, bichos e plantas.
O termo surgiu em meados da década de 80, cunhado pelo ambientalista Jay Westerveld. Ele se referia a uma promoção feita por alguns hotéis que pediam aos hóspedes para reutilizarem as toalhas, pois essa ação reduziria as lavagens, beneficiando assim o meio ambiente. Descobriu-se depois que essa era a única “ação ambiental” que os hotéis faziam, e buscava muito mais reduzir despesas do que proteger a natureza.
Muitas empresas têm sido acusadas de fazer esse marketing verde. Mas o McDonald’s foi além. A rede é inevitavelmente a referência (o benchmark…) quando o assunto é fast food. E quando o assunto é fast food, o assunto é obesidade (principalmente infantil), problemas cardíacos, diabetes e outros “efeitos colaterais” de uma alimentação ruim, rica em gorduras e açúcar, e pobre de nutrientes.
Os malefícios desse tipo de alimentação ficaram mais conhecidos em 2004, com o lançamento do filme Super Size Me, produzido, dirigido e “estrelado” pelo cineasta americano Morgan Spurlock. Durante um mês, Morgan alimentou-se exclusivamente no McDonald’s, chegando a consumir mais de 5 mil calorias por dia. O filme mostra os efeitos disso em seu organismo, que levou 14 meses para recuperar o peso que tinha antes da aventura. Mas também aborda o aspecto psicológico do estímulo ao exagero, do consumo muito além do necessário. Se você acha que isso é privilégio dos americanos, consumistas como “estilo de vida”, lembre dos baldes de pipoca do Cinemark, não por acaso também de origem americana.
Pois bem, amigos, vejam essa: o McDonald’s agora é verde. Literalmente.
A rede resolveu pintar a fachada das lojas de verde, a mudou até seu tradicional logotipo, cujo fundo era vermelho. A mudança começou na Alemanha, e está prevista para outros países da Europa.
Mais greenwashing que isso, não pode haver.
Será que vão botar mais alface nos sanduíches?


