Por Jorge Carrano
No agitado mundo da tecnologia, um dos destaques de 2009 foi o Twitter. Alguns o consideram apenas um modismo, como tantos já surgidos no mundo digital. Outros acreditam que pode se tornar uma poderosa ferramenta de comunicação. O fato é que os programadores da Twitter Inc. agora buscam desenvolver novos recursos que permitam às empresas obterem melhores resultados econômicos com o uso da ferramenta.
Afinal, monitorar o que o público diz sobre marcas e produtos é uma necessidade real, não virtual.
O Twitter foi fundado em São Francisco (EUA), em março de 2006, e ao final do ano passado já contabilizava mais de 50 milhões de usuários. O português é, hoje, a segunda língua mais utilizada pela rede.
O miniblog tem algumas diferenças importantes em relação a outras redes sociais. Mas antes de chegar a elas, é preciso fazer uma distinção, ainda que pareça um pouco acadêmica, entre rede social e midia social.
Mídias Sociais (social media) são ferramentas (programas) desenvolvidas para permitir a interação social on-line a partir do compartilhamento e da criação colaborativa de informação nos mais diversos formatos (textos, imagens, vídeos etc). De maneira simplificada, é um “recurso tecnológico”.
Por sua vez, as redes sociais são as relações que os indivíduos estabelecem em torno dessa plataforma tecnológica. É a comunicação mediada por um computador, celular (que também é um computador) ou outros dispositivos.
As redes sociais, no entanto, têm diferentes configurações. Pense no Orkut, Facebook, YouTube ou Wikipedia. Todas são comunidades, no sentido de agruparem e aproximarem pessoas, ainda que seus recursos tecnológicos e perfis sejam diferentes.
Mas o Twitter traz algumas diferenças importantes. A primeira delas é a limitação de 140 caracteres de texto que cada post pode ter. Essa restrição, na verdade, tornou-se um diferencial do Twitter, obrigando as pessoas a serem mais suscintas. Novas formas de abreviar expressões estão surgindo. Se não houvesse essa limitação, seu formato seria ainda mais próximo dos blogs. Essa simplicidade é parte do sucesso, num mundo onde estamos cada vez mais atolados pelo volume crescente de informações que circulam ao nosso redor.
Outra diferença importante é o conceito de “seguidor” e não de “amigo”. Você não “convida” ninguém para seguir você no Twitter. A pessoa é que toma a decisão, unilateralmente. Por fim, existem duas listas distintas de contatos: uma com a relação das pessoas que te seguem e outra com aqueles que você segue.
Mas, apesar do expressivo aumento no uso de redes sociais em todo o mundo, seu uso pelas empresas ainda é controverso.
A Rede Globo proibiu o uso da ferramenta por parte de seus funcionários, alegando que a proibição teria como objetivo proteger seus “conteúdos da exploração indevida por terceiros, assim como preservar seus princípios e valores”.
Segundo o UOL, a Folha de S.Paulo veda a publicação de “furos” e recomenda que os autores não assumam posições em favor de um partido, candidato ou empresa. No máximo, os jornalistas podem fazer referência o material exclusivo e publicar um link para a reportagem.
A questão é que os blogs, Orkut, Twitter e tantos outros surgiram como espaços para a expressão pessoal de ideias. A facilidade de editar e publicar conteúdos é parte fundamental do sucesso das midias sociais.
Mas quando um empregado usa uma rede social da empresa para expressar uma opinião pessoal, pode-se criar, de fato, um problema para a empresa. Como sempre, bom senso e regras claras são fundamentais para preservar direitos e evitar conflitos.
Apesar desse risco, a adoção das redes sociais pelas empresas é uma tendência irreversível, e já consolidada em alguns mercados.