jan
26
2010
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Reflexões no aeroporto

Por Jorge Carrano

Na sala de embarque do aeroporto de Congonhas (SP) observo que quase todos estão com um fone de ouvido (principalmente os mais jovens). Boa parte deles, navega no laptop simultaneamente. Estamos todos ficando “plugados”. Os Blackberries estão tão comuns quanto terno azul marinho.

Me pergunto se com isso estamos ouvindo mais ou menos música, se estamos lendo mais ou menos textos interessantes. Possivelmente, mais, é claro. Mas não seriam apenas “mais do mesmo”?

Hoje, meu iPod é, na verdade, minha própria rádio. Entro no carro, ligo o aparelho no sistema de som do veículo e lá vou eu, com músicas suficientes para aguentar uns dois dias de viagem.

Mas acabo ouvindo apenas as músicas que gosto. Como nosso tempo é cada vez mais curto, muitas vezes desistimos da “aventura” de procurar e baixar algo novo. Pelo mesmo motivo, também não somos mais  “surpreendidos” por uma nova música no rádio do carro.

Penso que, por estarmos cada vez mais atolados na avalanche de informações, com um dia de 24h que parece ter  6h, não conseguimos aproveitar a variedade oferecida pelos diversos serviços do ambiente web. É mais ou menos como morar em São Paulo, onde existem centenas de  ótimos restaurantes e shows disponíveis todos os dias. Mas quantos você consegue aproveitar, tendo um dia de trabalho e muitas horas de trânsito?

Mesmo que sejamos participantes de redes sociais, possivelmente iremos procurar grupos cujos interesses e perspectivas sejam similares aos nossos. De novo, a grande variedade de ofertas, ideias e espaços é substituída por nossa tendência a procurar o igual, o conhecido, o que dá “conforto”. Apenas buscamos eco para nossos próprios pensamentos e ideias.

Chamaram agora o meu voo, e em poucos segundos vários laptops voltam para suas mochilas.

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos, Cultura, Digital, Sustentabilidade |
jan
19
2010
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Por que assistimos menos televisão?

Por Jorge Carrano

Nos meios de comunicação de massa (broadcast), como TV, Rádio e jornais impressos, a variedade de assuntos abordados não pode ser muito grande. Por conta dos limites no espaço físico das páginas, ou pelo tempo da programação (que, no máximo, pode ter 24h), e ainda considerando a necessidade de intervalos comerciais, aos editores cabe a árdua tarefa de escolher o que é notícia. O que vai ter a oportunidade de chegar ao público.

Como diz Chris Anderson em seu livro The Long Tail (A Cauda Longa, Editora Campus, 2006), esse fato baseia-se no conceito de “economia da escassez”. Como o tempo e o espaço são escassos, é preciso deixar muitos conteúdos de fora. O mesmo fenômeno pode ser observado nas gôndolas dos supermercados e nas prateleiras das lojas em geral. Assim, o comprador de uma grande rede nada mais é que um “editor” de produtos, que é o “conteúdo” do mercado.

Com o advento das novas tecnologias baseadas em web, isso mudou. A Amazon pode oferecer milhares de livros, coisa que nenhuma loja física no mundo pode comportar, nem o poderoso Wal Mart, por onde passam mais de 200 milhões de pessoas. Por semana.

Com os meios de comunicação, o impacto foi igualmente arrasador. Mas talvez não pelos motivos que geralmente são apresentados, como se os consumidores de informação estivessem simplesmente abandonando os meios  tradicionais. A questão gira em torno de dois eixos: o tipo de conteúdo, e a forma como é difundido.

O conteúdo de qualquer meio de comunicação limitado pela escassez de espaço (físico e/ou tempo) buscará atingir o máximo de pessoas. Sem audiência, não há receita publicitária. As pessoas têm interesses comuns, como previsão do tempo, notícias de economia (macro e micro), eleições e grandes eventos esportivos (Copa do Mundo e Olimpíadas), para citar alguns. Mas têm também interesses muito específicos, como a criação de poodles, charutos cubanos, vinhos da Borgonha, bijuterias, alimentos orgânicos, futsal, seriados dos anos 60, autorama, e por aí vai.

O que a midia tradicional faz é tentar difundir os interesses comuns, deixando de lado os particulares.

Mas as plataformas baseadas em web trouxeram justamente a tecnologia e a oportunidade de divulgar esses conteúdos de natureza específica, o que Chris Anderson chama de “conteúdo de nicho”.

Não creio ser correto afirmar que a midia tradicional será substituída pelas novas mídias. A Copa do Mundo de Futebol continuará a ser transmitida pela televisão, e atingirá, em 2010, provavelmente  uns 3 bilhões de habitantes, quase meio planeta.

Quanto à forma de difusão, a tecnologia viabilizou blogs, redes sociais e diversas outras possibilidades de interação e produção de conteúdo colaborativo, como a Wikipedia. Todas elas acessíveis pelo computador e, mais recentemente,  também pelo celular, o grande responsável pela “inclusão” de várias pessoas no universo digital. Afinal, segundo a Anatel,  eram quase 170 milhões de celulares habilitados em dezembro de 2009, número muito superior ao de computadores ligados à internet.

Ou seja, o sucesso desses novos meios está justamente em oferecer conteúdos específicos,  e de forma instantânea, pois o público para eles sempre existiu, só estava abandonado pela tirania das grades de programação.

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos, Cultura, Digital, Marketing |
jan
12
2010
2

Twitter

Por Jorge Carrano

No agitado mundo da tecnologia, um dos destaques de 2009 foi o Twitter. Alguns o consideram apenas um modismo, como tantos já surgidos no mundo digital. Outros acreditam que pode se tornar uma poderosa ferramenta de comunicação. O fato é que os programadores da Twitter Inc. agora buscam desenvolver novos recursos que permitam às empresas obterem melhores resultados econômicos com o uso da ferramenta.

Afinal, monitorar o que o público diz sobre marcas e produtos é uma necessidade real, não virtual.

O Twitter foi fundado em São Francisco (EUA), em março de 2006, e ao final do ano passado já contabilizava mais de 50 milhões de usuários. O português é, hoje, a segunda língua mais utilizada pela rede.

O miniblog tem algumas diferenças importantes em relação a outras redes sociais. Mas antes de chegar a elas, é preciso fazer uma distinção, ainda que pareça um pouco acadêmica, entre rede social e midia social.

Mídias Sociais (social media) são ferramentas (programas) desenvolvidas para permitir a interação social on-line a partir do compartilhamento e da criação colaborativa de informação nos mais diversos formatos (textos, imagens, vídeos etc). De maneira simplificada, é um “recurso tecnológico”.

Por sua vez, as redes sociais são as relações que os indivíduos estabelecem em torno dessa plataforma tecnológica.  É a comunicação mediada por um computador, celular (que também é um computador) ou outros dispositivos.

As redes sociais, no entanto, têm diferentes configurações. Pense no Orkut, Facebook, YouTube ou Wikipedia. Todas são comunidades, no sentido de agruparem e aproximarem pessoas, ainda que seus recursos tecnológicos e perfis sejam diferentes.

Mas o Twitter traz algumas diferenças importantes. A primeira delas é a limitação de 140 caracteres de texto que cada post pode ter. Essa restrição, na verdade, tornou-se um diferencial do Twitter, obrigando as pessoas a serem mais suscintas. Novas formas de abreviar expressões estão surgindo. Se não houvesse essa limitação, seu formato seria ainda mais próximo dos blogs. Essa simplicidade é parte do sucesso, num mundo onde estamos cada vez mais atolados pelo volume crescente de informações que circulam ao nosso redor.

Outra diferença importante é o conceito de “seguidor” e não de “amigo”. Você não “convida” ninguém para seguir você no Twitter. A pessoa é que toma a decisão, unilateralmente.  Por fim, existem duas listas distintas de contatos: uma com a relação das pessoas que te seguem e outra com aqueles que você segue.

Mas, apesar do expressivo aumento no uso de redes sociais em todo o mundo, seu uso pelas empresas ainda é controverso.

A Rede Globo proibiu o uso da ferramenta por parte de seus funcionários, alegando que a proibição teria como objetivo proteger seus “conteúdos da exploração indevida por terceiros, assim como preservar seus princípios e valores”.

Segundo o UOL,  a Folha de S.Paulo veda a publicação de “furos” e  recomenda que os autores não assumam posições em favor de um partido, candidato ou empresa. No máximo, os jornalistas podem fazer referência o material exclusivo e publicar um link para a reportagem.

A questão é que os blogs,  Orkut, Twitter e tantos outros surgiram como espaços para a expressão pessoal de ideias. A facilidade de editar e publicar conteúdos é parte fundamental do sucesso das midias sociais.

Mas quando um empregado usa uma rede social da empresa para expressar uma opinião pessoal, pode-se criar, de fato,  um problema para a empresa. Como sempre, bom senso e regras claras são fundamentais para preservar direitos e evitar conflitos.

Apesar desse risco, a adoção das redes sociais pelas empresas é uma tendência irreversível, e já consolidada em alguns mercados.

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos, Digital, Marketing |
jan
05
2010
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Resoluções de Ano Novo

Por Jorge Carrano

A cada virada do calendário, temos o hábito de fazer as chamadas “resoluções de Ano Novo”. Prometemos perder 15kg, parar de fumar, fazer atividades esportivas, nos estressar menos e passear mais, ficar mais tempo com os filhos e por aí vai. Mas, com frequência, o ano acaba e os quilos continuam lá, e não nos lembramos sequer de um fim de semana em paz.

O problema é que estabelecemos metas “ideais” e não metas “realistas”. Afinal, perder 7kg é bem mais viável que perder 15kg. Se sua meta é 15kg, e você emagrecer 10kg, vai ficar frustrado. Mas se sua meta for 7kg e você consegue os mesmos 10kg, terá superado o resultado.

Não significa reduzir o horizonte, mas apenas dividí-lo em etapas, e ir conquistando os degraus aos poucos.

Este ano minha lista está curta, e a divido com vocês:

1. Valorize seu tempo, mas respeite o dos outros.
2. Não aceite qualquer trabalho apenas pelo dinheiro.
3. Procure estar cercado de pessoas com valores fundamentais: alegria, honestidade, ética.
4. Produza menos lixo.
5. Demita os idiotas.

Feliz 2010.

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos, Cultura, Sustentabilidade |

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