jul
29
2010
0

E-ducação

Por Jorge Carrano

Apesar de já existir há mais de 40 anos, o correio eletrônico (e-mail) ainda é mal utilizado. E isso acontece tanto na esfera corporativa quando na pessoal.

Do lado empresarial, os sites deixam muito a desejar. Experimente um “fale conosco”. Primeiro, você precisará achar os canais (se disponíveis) para fazer sua solicitação ou questionamento, e existe uma grande chance de sua mensagem nunca ser respondida. Vários estudos têm mostrando como esse recurso elementar da interatividade ainda é bastante negligenciado.

Do lado dos usuários em geral, reina ainda um desconhecimento da etiqueta no uso do e-mail. Nunca é demais lembrar alguns princípios básicos de uma boa “e-ducação”:

1.  Não envie mensagens para pessoas que nada têm a ver com o assunto. Isso apenas gera tráfego desnecessário na rede, e entope a caixa postal das pessoas. Muita gente tem essa mania por querer “mostrar serviço”.

2. Evite anexar arquivos muito pesados. Se possível, é melhor colocar o arquivo numa página web e enviar apenas o link por e-mail para que o destinatário faça o download do arquivo. Vale ainda observar que alguns formatos de arquivo (.exe e .zip, por exemplo) são normalmente bloqueados nos firewalls das empresas, pois são extensões que podem trazer vírus ou outras ameaças.

3. Cuidado com o português. O fato de ser um meio rápido não dá direito de assassinar  o idioma. Revise o que escreveu antes de enviar, e evite o excesso de abreviações. Gírias também não cabem numa mensagem profissional.

4. Não escreva somente com letras maiúsculas. São como se você estivesse “gritando”. Tampouco escreva tudo em minúsculas, pois denota pouco caso com o assunto ou o destinatário.

5. Seja educado. Não custa começar a mensagem com um  “prezado fulano” e terminar com um “atenciosamente” ou suas variações. O excesso de objetividade pode ser interpretado como falta de educação. E, geralmente, é.

6. Cuidado com os pedidos “para ontem”. A regra aqui é simples: se tudo é prioridade, nada é prioridade. Ou seja, só peça uma coisa com urgência se essa realmente existir… do contrário você fica igual àquele menino que vivia contando mentiras, e um dia, quando era verdade, ninguém mais acreditava nele.

7. Por fim, não se esqueça que, ao usar o e-mail da empresa, você dever redobrar a atenção, pois estará (querendo ou não) falando em nome da empresa. Algumas companhias têm regras claras sobre uso de e-mails. Vale a pena conhecê-las logo.

Se você acha que essas dicas são óbvias demais, basta abrir sua caixa de entrada, e dar uma olhada se algumas mensagens que você recebeu (será que enviou?) não cometem alguns desses equívocos.

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos, Comunicação Empresarial, Cultura, Digital |
jul
20
2010
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A abdução do JB

Por Paulo Baiano *

Eu vivia o encantamento dos meus 20 anos quando, naquela distante tarde de 1972, entrei pela primeira vez  na nova sede do Jornal do Brasil. O mítico prédio cinzento da Avenida Brasil 500 era frio e feio, mas transpirava modernidade, ainda mais se comparado com a antiga e apertada sede na Avenida Rio Branco, um dos primeiros edifícios art-déco do Rio de Janeiro, testemunha ainda da abertura da Avenida Central, começo do século XX.

Lógico que, no instante seguinte, eu e alguns amigos – todos hoje respeitáveis senhores jornalistas – iniciamos uma animada corrida de cadeiras, pelos enormes corredores, ainda desertos. Até 1974 trabalhei ali, como repórter da Rádio Jornal do Brasil. Ainda me lembro dos estúdios enormes, com paredes de pedra. Lembro da redação, que ocupava um andar inteiro, e fervilhava dia e noite com o tic tac incessante das máquinas de escrever. Por lá passavam todos os “que importavam” - políticos, empresários, artistas, celebridades - anônimos, assessores de imprensa. Lembro do restaurante, um andar acima, com o pior café expresso que já tomei na vida - como o prédio era no meio do nada, não tinha jeito: uma hora qualquer, teríamos que fazer o sacrifício de subir pro café, para dar uma turbinada.

Lembro de 11 de setembro de 1973, quando os gorilas tomaram o poder no Chile: eu estava de plantão na Rádio, os telex eram cuspidos pelas máquinas em frenesi trazendo notícias horripilantes, em tempo (quase) real, que minutos depois estavam sendo lidas pelo locutor em edição extraordinária, após passarem por minha máquina de escrever.

Em 1985, voltei à Av. Brasil 500, para escrever sobre Filmes na TV no Caderno B. Tudo parecia igual: a redação barulhenta, as pessoas, as máquinas de escrever, as imensas mesas onde as páginas eram diagramadas a mão, com elegantes traços de lápis sobre o papel branco. As máquinas ainda rugiam na Sala do Telex, e até mesmo o café mantinha aquele gosto horroroso.

Dois anos depois, chegava à redação o primeiro computador, um PC XT, com monitor de fósforo verde. Não poderíamos saber que aquela máquina trazia a mensagem de um futuro distante, onde tudo aquilo em volta iria desaparecer, seria engolido por uma nova realidade, virtual, que o aparelho antecipava. Logo o tic tac das máquinas daria lugar a um silêncio de mosteiro, com as velhas Remingtons substituídas por computadores em rede, cada dia mais poderosos e velozes. Em alguns anos, com a modernidade reduzindo o tamanho de tudo, o próprio prédio da Av. Brasil 500 tornou-se um elefante branco (no caso, cinza), e o JB se mudaria para algumas salas comerciais, novamente na Rio Branco.

Hoje acordei com o anúncio de página central, no JB, do qual ainda sou assinante: a partir de 1 de setembro, acaba o Jornal do Brasil impresso: ele passará a existir somente na Internet, impalpável, virtual. No anúncio, eles tentam colocar o fato como um avanço rumo ao amanhã. Afirmam que os 180 empregados (dos quais, 60 jornalistas) continuam trabalhando normalmente. Chegam a dizer que o JB Virtual será ecologicamente correto, porque não irá gastar mais papel! Mas a verdade é que o Jornal do Brasil, centenário e respeitável, como tantas gerações de brasileiros conheceram, acabou. Soterrado por uma dívida de mais de 100 milhões de reais, décadas de roubalheira e má administração, o JB, revolucionário e aguerrido, chegou a seu fim. Triste? Como saber?

O prédio da Av. Brasil, durante anos uma ruína saqueada, por muito pouco não se transformou em uma favela e ponto de controle estratégico, de onde o Comando Vermelho  poderia fechar a saída do Rio de Janeiro com uma rajada de metralhadora.  As velhas rotativas lá ainda dormem, como monstros entorpecidos, conforme captado pelas belas fotos de Rogério Reis.

O que podemos tirar de tudo isto? Que nada é tão definitivo que não possa ser destruído, modificado. Mais uma vez a História e o Tempo nos mostram suas lições: tudo é passagem, processo, um caminho daqui prali, onde o que realmente permanece é o próprio caminho. E as lembranças que ele nos deixa.

O mundo virtual, implacavelmente, continua engolindo o universo físico em que vivemos. Tudo migra para dentro desta telinha onde você lê meu texto. Será que, algum dia, nós mesmos seremos abduzidos pela luz de LED e LCD, e de nós restará somente uma lembrança diáfana, na mente de infindáveis e sucessivas gerações de computadores e robôs, seres de silício e plástico, autossuficientes, novos dono do mundo, herdeiros do conhecimento humano?

Como dizia o grande filósofo Nelson Ned: “mas tudo passa, tudo passará…”

* Paulo Baiano é carioca de criação, jornalista de profissão, músico por vocação, leitor do JB por (falta de) opção.
www.paulobaiano.com.br
paulofortes@uol.com.br

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos, Comunicação Empresarial, Cultura, Digital |
jul
12
2010
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Deveres de imagem

Por Jorge Carrano

A cada grande evento esportivo, os meios de comunicação divulgam as altas somas pagas por empresas para alguns atletas, na busca por associar suas marcas à imagem que estes famosos carregam. É uma fórmula já consagrada pela propaganda. Mas traz seus riscos.

Quando o golfista Tyger Woods se envolveu num escândalo sexual nos EUA, perdeu patrocinadores importantes, que lhe rendiam milhões de dólares em contratos publicitários. O mesmo já havia acontecido com o jogador de futebol americano O. J. Simpson, acusado do assassinato da ex-mulher, um caso de grande repercusão na mídia.

Durante a Copa que se encerrou ontem, os patrocinadores da Seleção Brasileira reclamaram com a CBF, por conta dos treinos secretos impostos pelo ex-técnico Dunga. Se você colocasse milhões de reais para assegurar a visibilidade de sua marca num evento da magnitude de uma Copa do Mundo, o mínimo que iria esperar é que sua marca fosse…vista.

E o que dizer do erro de marketing da mesma entidade ao aceitar que a Brahma fosse patrocinadora da seleção? A cerveja é boa, a empresa é séria, mas associar esporte com consumo de álcool é um absurdo total. Sem contar a falácia de marketing da empresa, que criou o mito de  “guerreiros” que existem apenas nos comerciais, já que os jogadores não tiveram a disposição para batalhar por nada além de seus cachês. A violência do Felipe Melo não vale como exemplo de “raça”.

Para ficar no caso mais recente e dramático, ainda dentro dos gramados, o episódio envolvendo o goleiro Bruno, do Flamengo, obrigou a Olympikus, marca que patrocinava o goleiro, a cancelar seu contrato e ainda recolher as milhares de peças - entre camisetas, chuteiras e luvas - que traziam o nome do jogador.

As empresas, de fato, correm um risco ao associar sua marca a alguns atletas. Mesmo o sereno e educado Kaká foi expulso (injustamente, ok) no jogo do Brasil contra a Costa do Marfim, e foi flagrado inúmeras vezes soltando palavrões. As onipresentes câmeras não perdoam mais ninguém.

Imagine como o pai vai explicar para o filho que seu ídolo, do qual o menino quis até uma camisa com nome impresso, teve um comportamento que o levou às páginas policiais?

Os atletas de ponta, assim como políticos, atores e celebridades em geral têm um poder de fascínio sobre a sociedade que os faz, naturalmente, serem modelos a seguir. Afinal, todos queremos, em maior ou menor grau, sermos bonitos, famosos, ricos e admirados. Alguns reclamam da falta de privacidade, mas não têm direito a ela além das paredes de seus lares, justamente porque vivem da exposição.

Para as empresas, os episódios deveriam servir de alerta para, ao menos, estudar com mais cuidado as associações que fazem (ou forçam) de suas marcas com pessoas “públicas”. Construir uma reputação demora anos, décadas. Destruí-la, pode ser rápida como um pontapé.

Para as celebridades, o recado também é claro: é preciso que tenham consciência da dimensão que ocupam no imaginário da sociedade, e que pensem não apenas nos direitos de exploração de sua imagem, mas nos deveres e valores que essa imagem dever representar.

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos, Cultura, Digital, Marketing |
jul
06
2010
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A alto custo do baixo custo

Por Jorge Carrano

Temos a clara consciência de que as novas tecnologias digitais tornaram a vida mais fácil e rápida.

Internet, celular, computadores e outros recursos fazem parte de nosso cotidiano há tempos e, por estarmos tão acostumados a eles, nem notamos como afetam nossa percepção do mundo.

Entre os muitos exemplos, um dos mais interessantes diz respeito à produção de imagens. Até há alguns anos, tirar uma foto era, no mínimo, um gesto que requeria duas providências: você precisava ter a máquina em mãos e ter filme na máquina.

Quantos de nós, nessa época, não precisamos sair correndo atrás de uma lojinha que vendesse pelicula para não perder o registro de algo interessante bem no meio de uma viagem?

A câmera digital veio render esse turista desprecavido, e mudou para sempre a relação do usuário com a fotografia.

Em pouco tempo, as câmeras invadiram outros espaços, como elevadores, ambientes públicos e privados de todo tipo, as ruas, os monitores e notebooks (que agora, inclusive, já vêm com câmeras embutidas) e, finalmente, os celulares.

Com isso, tirar uma foto ficou não apenas mais fácil, mas também mais disponível, pois quase sempre estamos com algum aparelho que oferece a câmera.

Isso é bom? Sim, há um lado legal nessa facilidade. Mas, como quase tudo, há desvantagens potenciais.

A principal delas é que ficamos menos seletivos quanto à qualidade. Como o filme em película era caro, não podíamos sair por aí fotografando qualquer coisa. Era preciso um certo cuidado. Hoje, com capacidades de armazenamento de muitos Megabytes, ninguém se preocupa muito. Vai fotografando tudo, depois você escolhe o que quer e deleta o resto, certo? Errado. Você acaba acumulando milhares de arquivos, e com isso não vê nada.

O velho álbum de fotografias impressas circulava pelas salas, as imagens eram “vistas”. Se você faz uma viagem e traz 2.000 fotos, nem o mais gentil e interessado amigo terá paciência para ver as imagens.

Além  da  qualidade da maioria das imagens ser ruim, justamente por não haver limites para a quantidade (resultado direto de ”ser muito barato”),  passamos a prestar menos atenção às coisas, numa ilusão digital de que, ao podermos registrar tudo quase de maneira ilimitada, estaríamos, de fato, guardando momentos preciosos.

Mais interessante seria registrar com os próprios olhos um monumento ou paisagem por alguns segundos ou minutos, e só então clicar. Ou não.

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos, Cultura, Digital |

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