mai
18
2010

Concentração

Por Jorge Carrano

Com a chegada de mais uma Copa do Mundo, os meios de comunicação apresentam as cidades  e estádios que receberão os jogos. E também os hotéis onde nossa delegação se hospedará, sempre muito bonitos e luxuosos. No quarto dos jogadores, grandes TVs de LCD, internet banda larga sem fio (wireless), camas king size, entre outros confortos.

Não sei se no mundo de hoje um jogador pode se concentrar, de fato, enquanto estiver colocando conteúdos no seu blog ou Twitter, ou conferindo as versões dos jornais na internet, que podem elogiar ou criticar sua atuação.

Quem tem filhos adolescentes sabe o quanto é difícil que eles façam uma coisa só de cada vez. Estão no computador, mas  de olho na televisão ligada e ainda ouvindo música no iPod, tudo ao mesmo tempo. Perguntados se conseguem se concentrar, respondem que sim, mas meu palpite é que dizem isso apenas por não saberem o que é concentração.

Concentração não é a capacidade de “fragmentar a atenção” entre várias ações. Pelo contrário, é a capacidade de colocar toda a atenção num ponto, num foco central.

As ofertas de conteúdo, conectividade e interação são hoje muito grandes, e  boa parte dos jovens está sempre  “plugada” em algum aparelho. Como o dia continua a ter 24h, o jeito é dividir a atenção entre as inúmeras alternativas.

Outro exemplo de excessiva conectividade pode ser visto nos jovens que fazem intercâmbio no exterior. Mesmo distantes, continuam com o hábito de se conectar com os amigos aqui no Brasil, mantendo longas conversas pelo MSN, Skype, e-mail ou redes sociais. Isso interfere na capacidade, ou melhor, na oportunidade de interagirem com as pessoas do país que visitam. Diferentes visões de mundo, diferentes hábitos e culturas. Tudo muito enriquecedor. Antigamente, quando você viajava, ligava para casa no máximo uma vez por semana, e falava rápido, o suficiente para dizer que estava tudo correndo bem.

Penso que devemos – sobretudo os que têm filhos pequenos – ter cuidado para que as oportunidades de conexão não se tornem um fator negativo por conta da excessiva dependência que podemos ter delas.

Não se trata, evidentemente, de proibir ou ser contra esse tipo de recurso, até porque ele é inevitável, veio para ficar e estará cada vez mais presente.

Mas se não conseguirmos formas de concentrar nossa mente em algumas atividades, viveremos com a crescente sensação de estarmos fazendo cada vez mais coisas, e realizando menos.

Written by Jorge Carrano in: Artigos, Cultura, Digital |

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