jun
08
2010

O futuro do trabalho

Por Jorge Carrano

Uma pessoa que tivesse deixado a Terra há 30 anos, e retornasse agora, encontraria um mundo muito diferente. Há 3 décadas, não havia internet, celulares, TVs de LCD, DVD, eletrodomésticos e carros tão avançados. As mulheres não trabalhavam fora, o mundo vivia dividido entre duas potências atômicas, ninguém se preocupava com o lixo, o esgotamento dos recursos naturais não era levado em consideração, entre tantas outras questões.

Apesar da mudança de comportamentos e de toda a modernidade tecnológica ao nosso redor, ainda seguimos padrões ultrapassados. Nosso método de trabalho, por exemplo, ainda é basicamente o mesmo de há 100 anos.

A Revolução Industrial ocorreu pela concentração de meios de produção extremamente caros: máquinas, matérias-primas, energia. Era preciso levar os trabalhadores até eles, e seus proprietários eram poderosos justamente por deter esses recursos.

Todo o processo do trabalho era baseado na necessidade de concentrar tudo num lugar só, inclusive os operários. O fluxo de trabalhadores de casa para o trabalho - elevado hoje ao máximo do stress nas grandes metrópoles - foi apenas uma das consequências desse modelo.

Embora seja fácil  notar que parte do trabalho intelectual pode ser feita em casa há tempos (quem nunca respondeu um e-mail ou preparou uma apresentação durante o fim de semana?) não sou dos que acredita que o trabalho poderá ser realizado totalmente em casa no futuro. A interação entre as pessoas ainda é fundamental para muitas atividades. E o ser humano precisa estar próximo de outros.

Se, por um lado, o trabalho em casa pode parecer ficção, tampouco podemos imaginar um futuro onde todos tenham que gastar horas no trânsito para chegar ao escritório. Não há como comportar mais carros, mais ruas e mais poluição que virão com a manutenção do modelo atual.

Fala-se muito em como as tecnologias de comunicação como videoconferências têm ajudado, por exemplo, a reduzir o número de viagens dos executivos para reuniões. Mas essa é uma fração muito pequena do problema.

Algumas alternativas têm sido consideradas:

- Mudança nos horários de trabalho. Por que todos precisam trabalhar de 9h às 18h, e de segunda a sexta-feira? Isso é ainda um padrão de “fábrica”, que parece anacrônico na sociedade do conhecimento.

- Criação de unidades descentralizadas. Será mesmo que todas as dezenas de departamentos de uma grande corporação precisam ficar no mesmo endereço?  A criação de duas ou três “sedes” de uma empresa numa mesma cidade poderia ser um caminho. Assim, ao menos parte dos empregados poderia morar mais perto do trabalho.

As mudanças ocorridas nas últimas décadas  impactam muitas áreas de nossa vida. A linha tênue que hoje separa a vida “privada” da “profissional” ficará cada vez mais invisível numa sociedade onde as pessoas terão apenas tarefas “cerebrais”, deixando para as máquinas o que os operários dos séculos passados faziam com as mãos.

Criar as condições - a começar pela educação - para que toda essa população possa fazer parte dessa  sociedade do conhecimento é, portanto, um dos grandes desafios para os próximos anos.

Written by Jorge Carrano in: Artigos, Cultura, Digital |

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