A pixação criativa
Por Jorge Carrano
O Segundo Caderno do O Globo de hoje traz uma interessante matéria de capa, falando do Poster Boy. O artista de 28 anos, cujo nome real é Henry Matyjewicz, fez inúmeras intervenções em cartazes publicitários espalhados pelo metrô de Nova York. Em geral, suas críticas são voltadas ao capitalismo e ao nosso modelo de consumo, com passagens também por temas políticos.
O curioso é que tenha sido preso por vandalismo. Por que curioso? Porque estamos acostumados a ver no mundo digital muitas paródicas, críticas, reinterpretações e mashups envolvendo vídeos, músicas e outras manifestações artísticas. Algumas delas, inclusive, viram verdadeiros hits, com muitos milhares de visualizações e downloads. É um fenômeno característico do universo digital que vivemos, e que volta e meia acende novas polêmicas envolvendo direitos autorais.
Mas, em que aspecto uma “interferência” numa estação de metrô feita num anúncio do McDonald’s, por exemplo, é diferente de uma ação similar publicada no YouTube? A diferença é que, provavelmente, no YouTube será mais vista do que pelos passageiros da estação…
Vale lembrar que, além dos cartazes publicitários, outros “equipamentos” (lâmpadas, catracas, bancos etc) são diariamente depredados e pixados, e não só no metrô, mas em toda a cidade. Por que uma “pixação” crítica e em alguns casos, engraçada, é considerada tão grave?
Além de ter as ideias, o artista tem ainda que ser bem veloz, pois sua ação precisa estar concluída em poucos minutos, antes que guardas cheguem à plataforma após o flagrante dos circuitos internos de TV.
Veja algumas das peças produzidas:
O mais curioso é que, apesar de preso, seu trabalho está sendo divulgado num livro chamado “The war of art”, que será publicado ainda esse mês.
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