jun
14
2010

A pixação criativa

Por Jorge Carrano

O Segundo Caderno do O Globo de hoje traz uma interessante matéria de capa, falando do Poster Boy. O artista de 28 anos, cujo nome real é Henry Matyjewicz,  fez inúmeras intervenções em cartazes publicitários espalhados pelo metrô de Nova York. Em geral, suas críticas são voltadas ao capitalismo e ao nosso modelo de consumo, com passagens também por temas políticos.

O curioso é que tenha sido preso por vandalismo. Por que curioso? Porque estamos acostumados a ver no mundo digital muitas paródicas, críticas, reinterpretações e mashups envolvendo vídeos, músicas e outras manifestações artísticas. Algumas delas, inclusive, viram verdadeiros hits, com muitos milhares de visualizações e downloads. É um fenômeno característico do universo digital que vivemos, e que volta e meia acende novas polêmicas envolvendo direitos autorais.

Mas, em que aspecto uma “interferência” numa estação de metrô feita num anúncio do McDonald’s, por exemplo, é diferente de uma ação similar publicada no YouTube? A diferença é que, provavelmente, no YouTube será mais vista do que pelos passageiros da estação…

Vale lembrar que, além dos cartazes publicitários, outros “equipamentos” (lâmpadas, catracas, bancos etc) são diariamente depredados e pixados, e  não só no metrô, mas em toda a cidade. Por que uma “pixação” crítica e em alguns casos, engraçada, é considerada tão grave?

Além de ter as ideias, o artista tem ainda que ser bem veloz, pois sua ação precisa estar concluída em poucos minutos, antes que guardas cheguem à plataforma após o flagrante dos circuitos internos de TV.

Veja algumas das peças produzidas:

O mais curioso é que, apesar de preso, seu trabalho está sendo divulgado num livro chamado “The war of art”, que será publicado ainda esse mês.

Written by Jorge Carrano in: Artigos, Cultura, Digital |

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