jan
12
2009

O trimestre sustentável

Por Jorge Carrano

A crise internacional surgida no último trimestre de 2008 alertou o mundo para a fragilidade do sistema financeiro. Apesar das medidas adotadas pelos governos, a crise financeira tornou-se uma crise econômica.

O fato é que boa parte das empresas, nos últimos anos, vive em função de atingir, a cada trimestre, novos recordes que permitam dar o crescente retorno esperado pelos acionistas.

Empresas existem para gerar riquezas. Para seus empregados, para a sociedade, e para seus investidores, é claro.

Mas a ânsia por resultados trimestrais cada vez maiores não pode ser a desculpa para evitar ações que assegurarão a sustentabilidade do negócio. E esta crise é uma grande oportunidade para as empresas revisarem seus planos de crescimento e se tornarem mais sustentáveis.

É também uma crise de sustentabilidade.

Já ouvimos alguns dizerem que sustentabilidade está “na moda”, como já estiveram outros conceitos empresariais.  Acontece que essa “moda” veio para ficar. Pelo simples motivo de que não há mais como ignorar o esgotamento dos recursos naturais, o aquecimento global, o problema do lixo, o aumento da violência e outras enormes carências das populações amontoadas nas periferias das grandes cidades.

São temas que estão na agenda de todos os governos, observados pela mídia e também pela sociedade, que espera das empresas participação ativa na solução de alguns desses problemas.

O “dilema” entre gerar riquezas e seguir os preceitos de uma atuação sustentável faz parte da vida das empresas modernas, em especial das que lidam com recursos naturais e têm atuação global.

Esse mesmo dilema está também em nosso dia-a-dia de consumidores e cidadãos. Se uma embalagem reciclável custa 30% a mais do que uma feita de material não reciclável, será que não tendemos a deixar o bolso falar mais alto que a razão? Será que estamos dispostos a pagar mais (e o quanto mais?) por um produto ou serviço que tem este “custo de ser sustentável” embutido na etiqueta de preço?

Na edição de outubro de 2008, o Guia Exame sobre Sustentabilidade informa que apenas um terço dos consumidores aceitaria pagar mais por um produto ecologicamente correto.  Acha pouco? Então responda: quantos eram esses consumidores mais conscientes há 5 ou 10 anos?

Para as empresas, é uma informação relevante. Mas, se pensarmos em longo prazo, precisamos considerar que este “custo de ser sustentável” é, na verdade, o “valor de ser sustentável”, ou seja, o preço adicional traz, de fato, um “valor agregado” que o justifica. Um valor que será, cada vez mais, considerado pelos consumidores no momento de pegar uma embalagem na prateleira ou contratar um serviço.

Comunicar isso é um desafio que, mais cedo ou mais tarde, baterá à sua porta, e será objeto de um próximo artigo.

Written by Jorge Carrano in: Artigos, Comunicação Empresarial, Sustentabilidade |

6 Comentários »

  • Patrick

    A sua fatura do cartão de crédito, do celular e seu extrato bancário vem em papel reciclado? Isso significa que seu banco ou operadora é “ambientalmente” sustentável?
    Como é feito este papel? Com que tinta é impressa? Qual é o combustível utilizado pelo serviço de entrega? E a política interna de transporte de seus funcionários? Eles vão de carro trabalhar? E agora a melhor de todas as perguntas: onde esta empresa me disponibiliza estas informações? Ou ela apenas manda uma fatura em papel “reciclado”?

    Ainda temos um longo caminho pela frente para que o consumidor entenda o que é sustentabilidade na sua completa interpretação.
    Para isso é preciso alguns passos:
    1. As empresas disponibilizar o “rastreamento” de sua sustentabilidade: é como uma árvore genealógica da sustentabilidade de sua cadeia, de seu processo incluindo os forcededores dos fornecedores.
    2. O processo de certificação de sustentabilidade deve ser idôneo, sem paternalismos de ONGs e sem pressões mercantis de empresas.
    3. Regulação sobre o que parece nas embalagens para que não seja vendido gato por lebre, ex: Embalagens que anunciam “Papel reciclado” e no fundo apenas um % é reciclado”;
    4. E por fim, as pessoas devem saber o que procurar nos produtos, assim como a tabela nutricional em alimentos.
    Com isto o consumidor pode ter certeza que está tomando uma atitude mais sustentável e não apenas consumir algo que a embalagem diz que é sustentável.

    Não ao modismo!
    Sim à consciência + informação confiável disponível.

    Comentário | 12 de janeiro de 2009
  • Paulo

    Tenho tido a oportunidade de viajar bastante pelo Brasil e em outros países, e confesso meu ceticismo em relação ao assunto. O nosso retrato em relação à sustentabilidade aqui no Brasil,para mim, é o dia 31 de dezembro.

    No último, saí 4 vezes de motocicleta pelas ruas de Niterói, e a constatação do KAOS foi marcante : é o DIA NACIONAL DA IMPUNIDADE.

    Fiquei impressionadíssimo com a disposição e alegria da grande maioria da nossa população em fazer besteiras no meio da rua, em desrespeitar o próximo, as leis, o meio ambiente.

    Não sei se isso é reversível, tendo em vista os níveis apavorantes em que nos encontramos, e pior, a passividade e cumplicidade de quem é pago para fazer a gestão pública. Estão meio que atordoados diante de quadro tão dramático, incentivado pela sua incompetência em lidar com ele.

    Fiz a minha parte na educação dos meus filhos, faço a minha parte no meu prédio, por onde ando, no meu trabalho, mas me sinto completamente massacrado por tudo isso. E as próximas gerações também.

    Imagine como deve ser na África, em Gaza …..

    Comentário | 13 de janeiro de 2009
  • Oi colega! Eu nao sou mto de fazer comentarios, mas gostei mto de seu site! Gostaria de te dar meus parabens! Continue assim!

    Comentário | 21 de fevereiro de 2009
  • Ola amigo! Nao sou de ficar fazendo comentario, mas eu queria parabeniza-lo pelo otimo site que voce tem! Continue com esse otimo trabalho!

    Comentário | 22 de fevereiro de 2009
  • Gostei mto de seu site! J

    Comentário | 26 de julho de 2009
  • Muito bom o blog.

    Comentário | 3 de agosto de 2010

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