Os segredos de Victoria
Por Jorge Carrano
“A Victoria’s Secret envia mais de um milhão de catálogos por dia e o custo desses catálogos não é sexy. São impressos em papel feito a partir de uma das florestas mais ameaçadas do planeta”.
Assim começa o texto de um impactante anúncio publicado no New York Times (veja abaixo), assinado pela ForestEthics, onde uma modelo vestida com roupas da grife segura uma motosserra. O título do anúncio “Victória’s Dirty Secret” (”O Segredo Sujo de Victoria”) já dá o tom do texto da peça, alertando para o impacto devastador causado no meio ambiente pelas ações de marketing da marca, avaliada em cerca de U$ 6 bilhões.
Depois do anúncio, o vice-presidente da Limited Brands (empresa controladora da Victoria’s Secret) sentou-se à mesa com representantes da ForestEthics, para traçar uma estratégia de minimizar o impacto dos quase 400 milhões de catálogos enviados anualmente pela marca a seus consumidores.
Além da grande escala, a questão envolve ao menos duas perspectivas igualmente importantes.
A primeira é que as empresas não podem mais “esconder” a origem das matérias-primas que utilizam em seus produtos e esforços de marketing. Os consumidores precisam - e têm direito de - saber que por trás daquele lindo catálogo podem estar árvores derrubadas de florestas nativas.
Nesso caso, são derrubados mais de 8 mil metros quadrados por minuto de floresta boreal no Canadá.
Mas é preciso também que os consumidores sejam conscientes de suas escolhas. Somos nós que podemos pressionar as marcas a não enviar catálogos, por exemplo. Assim como há uma crescente conscientização (ainda que incipiente) a respeito do uso de sacolas plásticas nos supermercados e do excesso de embalagens em geral, é preciso estar atento a toda a cadeia de produtos que consumimos diariamente.
Não adianta apenas exigirmos das empresas que sejam responsáveis. Nós, os cidadãos comuns, precisamos ser também mais responsáveis em nossas decisões de consumo.
Aqui está, talvez, nosso mais importante papel.
2 Comentários »
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Pura verdade! Muitas marcas que admiramos acabam tendo comportamentos totalmente impróprios por baixo dos panos! Ainda mais nessa escala de comércio global. Ótimo post.
é…..esse tal “Capitalismo selvagem!”…
Infelizmente essa questão envolve muito mais que boa vontade da população (claro que isso conta muuuuuuuito), mas por detrás de toda essa sujeira há também interesses de “gente grande”, gente que nem sequer vê os catálagos dessas marcas, pois estão ocupados d+ fazendo comprar em Miami, ou Paris, com seus carrões de luxo.
É povo façamos algo!
P.S: um ótimo assunto, só acho que deveria ter sido um pouco mais abrangente.