O blog chapa branca
Por Jorge Carrano
Numa entrevista ao jornalista Roberto D’Avila, no ano passado, o colega Ricardo Noblat falou bastante de seu blog. O “Blog do Noblat” foi um dos pioneiros no Brasil, e hoje é um dos mais importantes do país, tendo milhares de visitantes por mês que acompanham as notícias “postadas” pelo jornalista. Na entrevista, o dono do blog comentou: “É como ter seu próprio jornal”.
O “weblog”, que surgiu como um diário pessoal para registrar fatos cotidianos e de importância duvidosa, tornou-se uma poderosa ferramenta de comunicação para jornalistas e empresas. Afinal, é como “ter o próprio jornal”.
Um jornalista ter seu próprio canal é interessante. Pode, por exemplo, elaborar textos relativos a assuntos que não cobre normalmente. Um reporter que trabalhe na editoria de Economia mas que goste e conheça jazz, por exemplo, pode ter seu próprio blog, exercitando simultaneamente sua paixão pela música e o hábito de escrever. Ou pode aprofundar temas para além do que é possível por restrições editoriais.
Uma empresa ter um blog é também interessante. Em primeiro lugar, porque o blog tem uma dinâmica, característica da própria tecnologia, que permite a participação dos leitores de maneira muito fácil. Além disso, se para publicar conteúdo num website é preciso conhecer, no mínimo, um pouco de HTML, para publicar num blog basta saber ler as instruções que as próprias ferramentas (Wordpress ou Blogger, por exemplo) fornecem ao usuário.
Ao criar um blog, uma empresa ganha ainda uma “cara”, já que alguns deles (especialmente no exterior) são assinados pelos próprios presidentes das companhias. Trata-se de uma comunicação menos institucional, menos “formal”, do que a usualmente praticada nos websites.
Nos últimos dias, temos lido sobre a criação de um blog corporativo pela Petrobras, chamado “Fatos e Dados” Sem dúvida, as empresas modernas não podem mais ignorar nenhum meio de comunicação. Para cada faixa de público há o formato e o veículo ideal. Cada um com sua linguagem própria, é claro.
Entretanto, o que poderia, ou deveria, ser mais um canal de comunicação com seus diversos stakeholders tornou-se motivo de preocupação por parte de alguns veículos, que têm criticado a postura da empresa. Alegam que a Petrobras estaria divulgando as questões feitas pelos jornalistas, num claro rompimento com a prática de sigilo entre fonte e veículo. Ao menos até que as notícias sejam publicadas.
Se uma empresa cria um blog, ou qualquer outro canal, para ampliar as informações prestadas à sociedade, é excelente. Mas é preciso abertura na relação com a Imprensa, pois ela é fundamental na democracia. A liberdade de apurar, editar e veicular informações de interesse público precisa ser assegurada aos jornalistas que, espera-se, irão sempre ouvir também outros interessados naquele assunto.
Uma postura contrária a esse princípio pode trazer um risco para a própria companhia: se um repórter sente-se intimidado com a ação da empresa, ou não quer que sua abordagem para um determinado tema seja de conhecimento prévio de todos, pode acabar publicando a matéria sem dar à empresa a chance de contribuir para a discussão, ou dar sua versão para o fato.
Como já disse o jornalista Ricardo Kotscho, primeiro assessor de imprensa do presidente Lula, “tudo o que o governo não quer que seja publicado, é notícia. O resto é propaganda”.
Não importa o veículo.
1 Comentário »
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Concordo com vc que a Petrobras deveria mesmo fazer um blog acessível a todos, pelo menos assim teriam trabalho para os 1.150 profissionais de comunicação que a empresa tem!!! Parabens pelo texto.