Censura.gov
Por Jorge Carrano
São crescentes as preocupações com a liberdade de expressão. Temos acompanhado as iniciativas de alguns governos para restringir o acesso de seus cidadãos às informações contrárias aos seus interesses.
Até pouco tempo, a internet era o último refúgio para aqueles cujas vozes haviam sido caladas pela força da censura ou das armas. Infelizmente, a web tornou-se também um lugar perigoso para certas ideias.
Pela velocidade com que as informações trafegam, pode parecer que circulam livremente, mas isso não é verdade. No mundo atual ainda vigoram regimes anacrônicos e duas notícias veiculadas na semana passada ilustram o quanto a liberdade de expressão ainda é frágil.
Na Coréia do Norte, duas jornalistas americanas foram presas e condenadas a 12 anos de trabalhos forçados. Então você pensa, seriam espiãs, trabalhando disfarçadas para a CNN, Fox, ABC ou outra grande emissora americana? Não, elas trabalham para um canal de TV via web, chamado Current TV. Você nunca ouviu falar? Pois é, não me parece (ainda) uma ameaça ao país que tem o quarto maior contingente militar do mundo…
A outra notícia informa que, após a morte de Omar Bongo, “presidente” do Gabão por 42 anos (só perdia para o Fidel Castro…), o governo resolveu fechar as fronteiras, o aeroporto da capital e … o acesso à internet!
A esses exemplos, podemos somar diversas medidas já adotadas pelo presidente da Venezuela ou pelo governo chinês, para ficar nos mais conhecidos. Em todos esses casos, a censura aos meios de comunicação e aos temas considerados “tabus” atestam que as liberdades de informação e expressão estão distantes.
Vamos falar um pouco mais da China, onde 49 “blogueiros” estão hoje presos pelo Governo.
A verdadeira muralha
Quando a China foi escolhida como sede das Olimpíadas de 2008, houve grande apreensão quanto à liberdade de trabalho que os jornalistas de todo o mundo teriam. Pequim assegurou que não haveria bloqueio aos sinais de TV ou à internet.
No entanto, o acesso foi “liberado” apenas para versões em inglês de alguns sites, como o YouTube, Wikipedia e Google. As versões em chinês desses sites permaneceram inacessíveis.
O país mais populoso do mundo tem hoje 40.000 trabalhadores — funcionários do Estado — cuja tarefa é monitorar o tráfego na internet. Diversos termos são proibidos e expressões associadas ao massacre da Praça da Paz Celestial, a independência do Tibet, entre outros, não apresentam resultados de busca. Sites inteiros são simplesmente inacessíveis. Para tentar burlar alguns desses filtros, os internautas passaram a usar símbolos - como aspas, travessões e barras - mas recentemente o governo aperfeiçoou seus filtros e consegue bloquear também essas tentativas.
De olho no imenso mercado chinês, gigantes como Google e Yahoo se renderam à censura. Alegam que não podem operar no país e desobedecer suas regras. A atitude - julgue cada um como quiser - rendeu, até agora, a prisão de algumas pessoas, inclusive jornalistas. O Skype foi a última vítima, e agora toda sua comunicação é monitorada por Pequim.
Mas a censura por lá não se restringe aos temas políticos. Quando houve a denúncia de leite em pó contaminado por melamina na fábrica de Sanlu, em setembro de 2008, um jornalista da revistas Nanfang Zhoumo (algo como “Semanário do Sul”) disse que os fatos já eram de seu conhecimento - e das autoridades - desde o início de julho daquele ano (portanto, quase 3 meses antes), mas que havia sido proibido de divulgá-los. Consequência da censura: 300 mil crianças contaminadas, com pelo menos seis mortes confirmadas.
Tudo isso para não “contaminar” a imagem do país durante as Olimpíadas.
A censura é a verdadeira muralha da China.
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Mais informações no site dos Repórteres Sem Fronteiras: http://www.rsf.org/
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