nov
10
2009

Em busca da publicidade eficaz

Por Jorge Carrano

Apesar da internet comercial já ter quase duas décadas, as empresas de comunicação ainda não descobriram formas de anunciar produtos e serviços compatíveis com a evolução da web.

É fácil perceber que a era da passividade acabou. Nada de ficar à frente da TV e receber apenas as mensagens comerciais no velho formato “um” emissor para “n” receptores. No novo cenário da comunicação instantânea, o “espectador” é também “autor”.

Munidos de blogs, celulares, Twitter e outras tecnologias de comunicação rápida, as pessoas estão mudando sua relação com as informações e, por conseguinte, também suas relações com as marcas. Para o bem ou para o mal.

Formato pioneiro de publicidade on-line, o velho banner ainda está presente em muitos sites, mas sua eficácia hoje é bem questionada. A falta de um formato comprovadamente eficaz deixa os sites de conteúdo com dois problemas: por um lado tentam conter a onda de reprodução não autorizada de seu material, facilitada pela tecnologia do “copy/paste”, criando questões relativas ao direito autoral. O outro desafio é como obter receitas publicitárias para garantir a produção de conteúdo. É esse segundo aspecto que nos interessa aqui.

Acontece que o modelo de uso da publicidade para sustentar a independência editorial e a viabilidade financeira de um veículo não se adaptou ao meio digital.

Alguns aspectos podem nos ajudar a entender esse fenômeno. O primeiro é simples. Nós, consumidores, principalmente os que têm mais de 30 anos, nos acostumamos a uma TV e rádio gratuitos,  e por isso aceitamos a “intromissão” da publicidade na forma de intervalos comerciais. Os próprios meios de comunicação  sempre enfatizaram a importância da receita publicitária para viabilizar sua operação de forma independente. Isso porque, sem a propaganda, não haveria como custear a produção de conteúdos, ou garantir a independência editorial fundamental ao exercício do jornalismo. Considerando que um capítulo de novela da Rede Globo ou uma edição do Jornal Nacional custam milhares de reais, é um argumento inquestionável.

Parte do motivo pelo qual esse modelo publicitário não se adaptou aos novos formatos digitais reside justamente nesse aspecto econômico. Se o custo de produção e distribuição de conteúdo é elevadíssimo nos meios de comunicação tradicionais (aqui me refiro em especial a TV, jornais e revistas), foram muito reduzidos pela tecnologia.

Nos novos meios,  o custo de distribuição de conteúdo é infinitamente menor. É a era da veiculação instantânea. Mas o custo de produzir conteúdo de qualidade e inédito ainda é relativamente alto.

Outro aspecto a considerar é que os novos meios de comunicação em tempo real quebraram a relação emissor > receptor. Ou seja, não somos mais apenas espectadores passivos, somos agora (se quisermos) também ativos emissores de conteúdo, ainda que a maioria dessa massa chamada genericamente de “conteúdo” seja de péssima qualidade.

Diante disso, nossa tolerância para a publicidade invasiva declinou acentuadamente. Não aceitamos interrupções na leitura de nosso site favorito, muito menos receber mensagens comerciais não solicitadas, seja nas redes sociais, no celular ou no velho e-mail.

A ineficácia de muitos formatos usados -  pop-ups, banners e suas variações -  explica-se justamente porque seguem o modelo usado por décadas nos meios tradicionais, e essa intolerância a eles pode ser comprovada em comunidades de consumidores de todos os tipos de produtos e serviços,  e também em várias pesquisas já realizadas.

Entre os campeões de rejeição, o pop-up aparece com destaque. Falaremos disso num próximo artigo.

Written by Jorge Carrano in: Artigos, Cultura, Digital |

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