Pop-up: o campeão de rejeição
Por Jorge Carrano
O formato pop-up, recurso muito explorado no início da internet, atualmente é o campeão de rejeição por parte dos usuários, segundo opinião de especialistas e pesquisas feitas com internautas.
Jakob Nielsen, considerado um dos maiores especialistas do mundo em usabilidade na internet, é um dos que argumentam contra o formato, baseado em dados de pesquisas divulgados em seu livro “Usabilidade na Web – projetando sites com qualidade” (Elsevier Editora, 2007). Segundo ele, os pop-ups trazem dificuldades para usuários com problemas de visão ou coordenação motora, bem como ficaram associados, com o passar do tempo, a sites de pornografia e propagandas indesejadas.
De acordo com relatório da Forrester Research, 64% dos internautas consideram o formato irritante. Outra pesquisa, feita pela Bunnyfoot Universality, empresa de consultoria em usabilidade, apresentou resultados de testes com dezenas de indivíduos, que apontaram grande insatisfação com pop-ups, geralmente resultando em atitude negativa em relação ao website e à marca. Alguns dados dessa pesquisa:
• Nome e logomarca da empresa foram fisicamente vistos em apenas 2% dos casos.
• 50% dos pop-ups foram fechados antes de serem carregados.
• 35% dos pop-ups foram ignorados completamente.
• Não houve comentários positivos sobre os pop-ups de nenhum dos usuários testados.
• 60% dos usuários disseram não confiar em empresas que utilizam pop-ups.
Rob Stevens, diretor da empresa, afirmou que as marcas podem ser irreparavelmente prejudicadas por não abandonarem o uso desse recurso: “As marcas cometem suicídio ao investir em pop-ups, cujos efeitos vão além de incomodar o usuário; eles são impostos e causam frustração, além de provocar desconfiança. Pop-ups são, portanto, não apenas um grande desperdício de investimento como são também extremamente negativos para uma marca.”
Estudos nacionais apresentam resultados semelhantes, como a pesquisa do Studio Ideias realizada de junho a outubro de 2008 com jovens de 13 a 24 anos, que avaliou a receptividade a diversas mídias. O maior índice de rejeição ficou justamente com o pop-up, com grande margem de diferença em relação aos demais.
Essas e outras indicações de que o formato é capaz de trazer prejuízos de imagem às marcas e empresas justificam, por exemplo, a decisão do portal UOL de abandonar essa modalidade de anúncio a partir de janeiro de 2009.
Os primeiros comerciais de televisão lembravam a movimentação do teatro (até por conta da câmera parada) e o estilo da locução era de rádio, as referências da época em que a TV surgiu. Eram totalmente inadequados, e parecem inacreditáveis hoje em dia. Foram necessários alguns anos até que a TV encontrasse o modelo publicitário - forma, conteúdo e duração - adequado às características (e limitações) dos equipamentos, e descobrisse a linguagem correta para atingir seus espectadores.
A internet passa pelo mesmo processo. Conforme os equipamentos de acesso à rede evoluem - computadores, celulares etc - e as velocidades de conexão se multiplicam, os formatos usados também evoluem. Outras formas de interatividade surgem, como as redes sociais, e isso tem impacto direto na forma de anunciar.
Um pop-up animado já foi uma grande “surpresa” para visitantes de alguns sites no passado. Hoje, é um formato invasivo, sendo necessário buscar novas formas de conquistar o mais valioso patrimônio da era da comunicação instantânea: a atenção de nossos usuários.
Nenhum Comentário »
RSS feed for comments on this post. TrackBack URL
