nov
25
2009

A hipocrisia verde

Por Jorge Carrano

Sabe aquela empresa que planta árvores na frente do prédio, faz uma linda campanha publicitária de suas ações responsáveis, mas joga o resíduo industrial no rio localizado nos fundos da fábrica? Pois é, ela faz greenwashing.

O termo é usado quando empresas, instituições ou mesmo governos alardeiam práticas ambientais positivas quando, na verdade, atuam de maneira prejudicial ao meio ambiente.

Trata-se de uma apropriação indevida de uma virtude - a atuação ambiental responsável - mascarada pelo “marketing verde” dos comerciais de TV repletos de crianças sorridentes,  bichos e plantas.

O termo surgiu em meados da década de 80, cunhado pelo ambientalista Jay Westerveld. Ele se referia a uma promoção feita por alguns hotéis que pediam aos hóspedes para reutilizarem as toalhas, pois essa ação reduziria as lavagens, beneficiando assim o meio ambiente. Descobriu-se depois que essa era a única “ação ambiental” que os hotéis faziam, e buscava muito mais reduzir despesas do que proteger a natureza.

Muitas empresas têm sido acusadas de fazer esse marketing verde. Mas o McDonald’s foi além. A rede é inevitavelmente a referência (o benchmark…) quando o assunto é fast food. E quando o assunto é fast food, o assunto é obesidade (principalmente infantil), problemas cardíacos, diabetes e outros “efeitos colaterais” de uma alimentação ruim, rica em gorduras e açúcar, e pobre de nutrientes.

Os malefícios desse tipo de alimentação ficaram mais conhecidos em 2004, com o lançamento do filme Super Size Me,  produzido, dirigido e “estrelado” pelo cineasta americano Morgan Spurlock. Durante um mês, Morgan alimentou-se exclusivamente no McDonald’s, chegando a consumir mais de 5 mil calorias por dia. O filme mostra os efeitos disso em seu organismo, que levou 14 meses para recuperar o peso que tinha antes da aventura. Mas também aborda o aspecto psicológico do estímulo ao exagero, do consumo muito além do necessário. Se você acha que isso é privilégio dos americanos, consumistas como “estilo de vida”, lembre dos baldes de pipoca do Cinemark, não por acaso também de origem americana.

Pois bem, amigos, vejam essa: o McDonald’s agora é verde. Literalmente.

A rede resolveu pintar a fachada das lojas de verde, a mudou até seu tradicional logotipo, cujo fundo era vermelho. A mudança começou na Alemanha, e está prevista para outros países da Europa.

Fachada de loja do McDonald's na Europa (foto divulgação)

Fachada de loja na Europa (foto divulgação)

Mais greenwashing que isso, não pode haver.

Será que vão botar mais alface nos sanduíches?

Written by Jorge Carrano in: Artigos, Cultura, Marketing, Sustentabilidade |

Nenhum Comentário »

RSS feed for comments on this post. TrackBack URL

Deixe um comentário

Powered by WordPress | Aeros Theme | TheBuckmaker.com