fev
02
2010

Vivendo mais

Por Jorge Carrano

Os avanços da medicina e do saneamento básico estão entre os principais responsáveis pelo aumento da longevidade dos seres humanos. Ironicamente, as empresas estão vivendo menos. Será que isso é parte do mesmo fenômeno?

De acordo com o IBGE, a expectativa de vida do brasileiro subiu de 67 anos em 1991, para 72,5 anos em 2007. Pode parecer pouco, se comparado a alguns países como o Japão, mas vale lembrar que em 1950 a expectativa de quem nascia por aqui era de apenas 46 anos…

Segundo o consultor holandês Arie De Geus,  que já foi presidente da Shell, em entrevista publicada pelo Valor Econômico em 7/11/2008, as empresas estão vivendo menos. Parte disso se deve ao imediatismo das decisões que visam apenas retorno para os acionistas. As ações que realmente garantem longevidade das empresas, como  compromisso com seus clientes, atuação sustentável, equilíbrio (e bom senso) financeiro, qualidade dos produtos, entre outros, estão cedendo espaço para a necessidade do “resultado trimestral”.

Voltemos aos homens. Há alguns anos, quando um jovem começava sua trajetória profissional em uma empresa, em boa parte dos casos sua expectativa era construir uma carreira e aposentar-se ali mesmo. Hoje, essa perspectiva não existe. E pior, não faz sequer sentido para os jovens. Para a geração que agora chega ao mercado, as coisas são mais “descartáveis”. Não apenas os objetos.

Se você pode viver com boa saúde até 70 ou 80 anos, é natural que acabe por desenvolver muitas atividades diferentes ao longo da vida. São comuns casos de pessoas que já tiveram algumas carreiras distintas, às vezes bem diferentes, como medicina e direito.

Se somos capazes de nos renovar, por que isso não acontece com as empresas? Por que a maioria delas morre com poucos anos ou décadas de vida?

Porque, para viver mais, é preciso alguns sacrifícios. Fazer dieta e exercícios físicos, por exemplo, são comprovadamente hábitos que garantem qualidade de vida melhor. E a chave da questão está na palavra “hábito”.  Muitas empresas se habituaram a obter receitas financeiras em detrimento dos ganhos com a produção e venda de bons produtos.

Mas qual seria uma possivel receita de longevidade das empresas? Em primeiro lugar,  pensar na saúde de seus colaboradores  e do planeta.  E cuidar também da sua própria saúde financeira, claro.  Os “exercícios físicos”, por sua vez, poderiam começar pelos próprios executivos, normalmente sedentários, que precisam sair de seus escritórios refrigerados e ir até os consumidores, em busca de compreender suas necessidades e, a partir daí, estabelecer uma relação mais duradoura.

As causas da longevidade dos homens e das empresas são as mesmas: saúde, equilíbrio e trabalho.

Written by Jorge Carrano in: Artigos, Cultura, Sustentabilidade |

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