jul
31
2012
0

Papo com Luiz Fernando Brandão

O CavernaWeb conversou hoje com o jornalista e tradutor Luiz Fernando Brandão, diretor da in futuro e membro do conselho deliberativo da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje).


Você trabalhou muitos anos como gerente de comunicação corporativa da Aracruz Celulose, hoje Fibria. Quais são os principais desafios de comunicação numa empresa que vende uma commodity?

Talvez um dos principais desafios de comunicação de uma empresa B2B seja vencer o “fosso” natural que a separa do consumidor final, tornar-se conhecida e conquistar sua admiração.  Quando ela é bem sucedida nesse esforço, ela ajuda a fortalecer a comunicação de toda a sua cadeia produtiva, a começar pelos seus próprios clientes, estes sim em contato direto e mais expostos às pressões da sociedade. Hoje essas  pressões vão bem além da qualidade do produto ou serviço e se estendem a questões como governança e responsabilidade socioambiental. Até não muito tempo atrás, a voz corrente no meio empresarial era que produtora de commodity não tinha de se preocupar tanto com a comunicação externa. Mas a chegada da internet e o crescimento das redes sociais, associada à crescente inquietação com o futuro do planeta e dos negócios, mudou inteiramente esse quadro. Hoje, toda empresa tem de cuidar melhor da gestão de sua identidade, imagem e reputação.

Quais foram os principais impactos na comunicação das empresas com o surgimento da internet e, mais recentemente, das redes sociais?

Basicamente, as novas tecnologias tornaram muito mais simples e barato mobilizar pessoas e opiniões em torno de qualquer causa. Isso, aliado à exigência crescente da sociedade por selos e certificações de boas práticas econômicas, sociais e ambientais e seu efeito cascata em toda a cadeia produtiva, obrigou a “sair do armário” e a se apresentarem de corpo inteiro empresas que durante décadas atuaram praticamente desconhecidas das pessoas comuns, relacionando-se apenas com seus públicos de negócios.

Na sua opinião, as empresas brasileiras estão atuando corretamente nas redes sociais?

Acho que ainda estamos numa fase de aprendizado, de tentativa e erro, em que algumas empresas têm sido mais bem sucedidas do que outras em estabelecer a conversa com desconhecidos, ouvi-los e fazer-se ouvir, que na minha opinião deveria ser o principal objetivo de participar das redes. Mas muitas ainda insistem em sair a campo e “arregimentar” o maior número possível de “simpatizantes”, sem primeiro investir algum tempo e esforço tentando conhecer os novos interlocutores e definir melhor os temas que seriam de interesse comum. Fica estranho, em uma rede como o Facebook, você topar com um discurso sisudo de uma pessoa jurídica e um assunto que nada tem a ver com você. Diria que, nesse caso, o efeito da “ação de comunicação” pode ser o inverso do desejado – você acaba afastando as pessoas de quem você quer se aproximar.

A transparência é, hoje em dia, considerada um valor fundamental para as empresas. Que papel você acha que a internet e a comunicação mais instantânea podem exercer nesse processo?

De fato, se um dia acreditou-se que o segredo (e depois a propaganda) era a alma do negócio, a realidade agora é bem outra.  Eu diria que, em nossos dias, “esperta” é a empresa que ouve mais do que fala e investe no diálogo como forma de superação de problemas. Têm mais futuro as organizações que firmam compromissos claros com a sociedade, estabelecem publicamente metas que atendam a esses compromissos, no curto e no longo prazo, e compartilham com propriedade os sucessos e insucessos, os impasses e dificuldades em alcançá-las.

Quais são os riscos de ter uma atitude de avestruz (‘enfiar a cabeça no chão’) para as empresas e profissionais num mundo tão conectado?

Nenhuma empresa é uma ilha. Se não conheço você e se você nada me diz, o que me disserem sobre você é, em princípio, tudo o que terei para fazer qualquer julgamento. E se você somente me procurar quando tiver problemas, dificilmente mudarei de opinião e resolverei ouvir e acreditar em você. É preciso dizer mais?

Por fim, que sugestão ou conselho você daria aos jovens que estão ingressando ou pretendem seguir a carreira na área de comunicação?

Tal como meu ídolo Nelson Rodrigues, meu conselho aos jovens é … envelheçam! Agora, sério: leiam o quanto puderem, para enriquecer seu repertório, sua visão de mundo. Procurem conhecer “causos” de comunicação, não somente de sucessos, mas sobretudo de equívocos – a gente aprende muito com os erros, e se puder ser com os erros alheios, melhor. Atualmente se produz muito mais literatura sobre comunicação empresarial, e os jovens que começam agora e as organizações em que trabalharão um dia têm muito a ganhar em conhecê-la.

Luiz Fernando Brandão

 

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos,Comunicação Empresarial,Digital,Sustentabilidade |
jun
14
2012
1

Tau+20

Enquanto a Rio+20 acontece, a Tau Virtual criou uma marca para ilustrar seu site e redes sociais, inspirada pelo maravilhoso trabalho de Yulia Brodskaya. Veja abaixo:

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos,Cultura,Digital,Sustentabilidade |
mar
21
2012
0

Nasa wants you!

Por Jorge Carrano

Diz a lenda que Samuel Wilson era um comerciante de carnes, que tinha entre seus clientes o exército americano. As embalagens do produto tinham as iniciais U.S. (United States). Quando alguém perguntou o que queriam dizer, um  soldado brincalhão teria dito que significavam “Uncle Sam” (Tio Sam), uma referência ao dono da empresa. Isso foi no início do século XIX, mas em 1961 o Congresso Americano reconheceu Samuel Wilson como inspirador da figura do Tio Sam.

O lendário cartaz (abaixo) foi criado em 1917 pelo artista James Flagg. Com a frase “I Want You for U.S. Army” (“Eu Quero Você para o Exército dos EUA”), seu objetivo era recrutar soldados para a Primeira Guerra Mundial.

Parece que o “Tio Sam” ainda precisa de novos recrutas.

A  NASA (National Aeronautics and Space Administration) está lançando um evento chamado International Space Apps Challenge (algo como Desafio Internacional de Aplicativos para o Espaço) cujo objetivo é o desenvolvimento de  novas ferramentas que melhorem a vida na Terra e no espaço.

O evento acontecerá nos dia 21 e 22 de abril deste ano. A ideia é juntar pessoas de todo o mundo para trabalharem de forma colaborativa em busca de soluções para alguns dos principais desafios atuais. Os encontros ocorrem em todos os continentes, e aqui no Brasil acontecerá em São Paulo.

O mais interessante é que você não precisa ser um cientista para participar. Isso porque a NASA – assim como as empresas mais antenadas no presente e preparadas para o futuro – sabe que as soluções realmente inovadoras para os complexos problemas do nosso mundo exigem a colaboração entre  indivíduos com talentos muito diferentes, e incluem engenheiros, cientistas, designers, artistas, educadores, estudantes e empresários.

Os temas inicialmente propostos  (mas outros podem ser incluídos) são softwares de código aberto, hardware aberto, visualização de dados e  o desenvolvimento de plataformas voltadas para ações de cidadania.

Quer saber mais? http://spaceappschallenge.org/about/

Onde acontece?
Casa da Cultura Digital  ‎
Rua Vitorino Carmilo, 459 – Santa Cecília
São Paulo, 01153-000
(11) 3662-0571

Quer se inscrever? https://spaceappschallenge.org/register/

No Twitter? http://twitter.com/#!/intlspaceapps

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos,Cultura,Digital,Sustentabilidade |
ago
30
2011
0

Reféns digitais

Por Jorge Carrano

Estamos, cidadãos e empresas, nos tornando reféns das redes sociais. Ferramentas criadas para trocar informações, imagens e compartilhar experiências pessoais se tornaram parte da vida de muitos milhões de pessoas, e também tem sido cada vez mais usadas pelas empresas.

Estas, ao participarem de redes sociais, entram de penetra numa festa. Não foram convidadas, não são “amigas” dos membros das redes.

Nesse momento, acontece um fenômeno típico do marketing moderno. As empresas querem “participar” dessa festa, mas querem usar seus velhos discursos nesses novos canais para vender, sob o disfarce de  “conhecerem” melhor o seu público.

Os donos dessas redes – sim, porque todas as principais redes têm donos, basta lembrar do “rosto” do Facebook, Twitter, LinkedIn, Google etc. -  querem oferecer “serviços” atraentes para as empresas, em troca de publicidade. Descobriram que fornecer uma plataforma de troca de conteúdos é legal, mas não dá dinheiro.

Para os usuários, as redes ainda conservam o padrão “grátis” que caracterizou a internet em seu início. Na verdade, as redes atuais usam o velho modelo “build and they will come“, ou seja, constroem o ambiente (infraestrutura de servidores, softwares, aplicativos etc), investem na atração de participantes -  ironicamente, usando meios tradicionais em vários casos -  e depois acenam aos patrocinadores com alguns milhões de usuários. Aí é que os usuários se tornam reféns das redes, e serão bombardeados com mensagens comerciais. A não ser que paguem um preço maior por uma conta premium. Isso não é novidade, é o mesmo modelo usado pelas TVs por assinatura, onde você paga para não ter intervalos comerciais.

As empresas sofrem do mesmo status de “refém”, mas por outro aspecto. Ao entrarem na rede partem da premissa errada, de que devem estar lá para “falar”, como fizeram com a publicidade tradicional, com o marketing direto, e com seus próprios sites. Só depois é que percebem, e ainda assim só algumas percebem, que devem estar na rede para ouvir.

Ouvir o que seus clientes têm a dizer de sua marca, produto ou serviço. Mas é nessa hora que o risco aparece. Ouvir apenas não adianta, e as empresas, na expectativa de também “terem voz”, resolvem entrar de cabeça nesse ambiente. E o fazem  muitas vezes sem planejamento, como mais um dos espasmos característicos do (mau) universo corporativo.

Criam ou buscam criar relacionamento com seus clientes e potenciais clientes, mas esquecem de fazer o dever de casa. Com razão, as empresas temem as repercussões que podem ser desencadeadas ou potencializadas pelas redes sociais. Aí tentam, mais com pressa do que com planejamento, responder,  interagir, abrir canais com as pessoas. Outro espasmo.

E é nesse momento que se tornam reféns da audiência.

Não porque as redes sejam ruins ou perigosas a priori. Não porque as pessoas queiram “extorquir” as empresas para ganhar brindes, vantagens ou descontos. Mas simplesmente porque as empresas não sabem como lidar com esse consumidor. Muito menos com seu timing. Querem o benefício da exposição, mas não querem ter o trabalho e o investimento necessários de montar uma equipe (ou terceirizar o serviço) para, de fato, interagir e responder às pessoas.

As redes sociais cumprem, na perspectiva dos consumidores, o papel que deveria ser do e-mail de contato do site, que ninguém nunca responde. Cumprem o papel do SAC telefônico, que funciona precariamente em quase todos os mercados, até nos mais regulados. Como são mal atendidas pelos canais de comunicação que as empresas deveriam manter funcionando, “botam a boca no trombone” das redes sociais, procurando chamar o máximo possível de atenção.

Em resumo, todos querem se beneficiar dessa nova e instantânea forma de comunicação, mas pessoas e empresas precisam lembrar que não existe “almoço grátis” e que, para aproveitar as oportunidades oferecidas pelas redes sociais, é preciso compreender sua dinâmica e pagar a conta.

ago
16
2011
0

Por que a sustentabilidade é vital?

Por Jorge Carrano

O universo dos negócios costuma produzir termos e modelos que se tornam verdadeiros “mantras” dos gurus de marketing, até serem substituídos. Reengenharia, 5S, Balance Scorecard e Seis Sigma são alguns exemplos desse fenômeno. A palavra sustentabilidade, reconhecidamente importante para os negócios, corre o mesmo risco de ter seu valor desgastado pelo excesso de exposição.

Todas as empresas reconhecem a importância de “serem sustentáveis”, e boa parte delas incorpora “tons de verde” à sua comunicação. Mas quais seriam os verdadeiros motivos pelos quais a sustentabilidade é imprescindível para o negócio?

Qualquer negócio, para sobreviver, depende de algumas condições:

Matéria-prima
Seja lá o que você produza, precisa de matéria-prima e insumos (como energia e água). Daí, se essas matérias-primas deixam de existir, ou se tornam muito caras porque escassas, o negócio também deixa de existir.

Consumidores
As empresas vendem produtos e serviços para pessoas. Mesmo que vendam para outras empresas, ainda assim, são pessoas que compram. Se seus clientes ou consumidores acham que sua empresa polui, destroi os recursos naturais, usa mão-de-obra infantil ou comete falcatruas financeiras, por exemplo, irão reagir negativamente, e procurar concorrentes mais éticos.

Investidores
Se seus consumidores podem fugir da empresa, o mesmo acontecerá com os investidores, assim que perceberem que o valor do negócio pode ser ameaçado. Investidores não trabalham com a realidade atual, mas sim com expectativas de crescimento e, por conseguinte, de sustentabilidade do negócio. Se percebem que um negócio não tem futuro, o abandonam. No presente.

Empregados
Em muitos mercados atuais, inovação é condição de sobrevivência. E inovação é feita por gente. Máquinas não produzem inovação. Só pessoas podem pensar de maneira inovadora. Buscar os colaboradores certos e valorizá-los, portanto, é assegurar o capital intelectual necessário para a inovação, ingrediente indispensável para o futuro de qualquer empresa.

Assim, é preciso parar de encarar a sustentabilidade como estratégia de marketing. Não é uma ação ambiental ou social para “ficar bem na foto”.

O negócio é bem mais simples: se sua empresa, produto ou serviço não for sustentável para todos – clientes, empregados, investidores, ambiente, sociedade – não será para ninguém.

abr
26
2011
0

Fama e reputação

Por Jorge Carrano

Todos conhecem a premissa de que uma “boa reputação é difícil de construir, mas fácil de perder”. Basta um gesto impensado, uma ação equivocada, e vai tudo por água abaixo.

Cada vez mais, as empresas realmente sérias preocupam-se com sua reputação. No dicionário Houaiss, a palavra tem duas acepções:

1. conceito de que alguém ou algo goza num grupo humano
2. renome, estima, fama

Muitas pessoas (e empresas) procuram hoje o segundo significado da palavra. Buscam a fama, quando deveriam se preocupar com um valor maior, que a primeira acepção da palavra melhor traduz ao considerar o contexto do “grupo humano”. E que grupo humano é esse? São os círculos com os quais nos relacionamos.

Se falamos de uma pessoa, inclui família, amigos, colegas de trabalho, vizinhos, conhecidos. Para uma empresa, esse círculo é maior, e envolve os empregados, seus familiares, clientes, fornecedores, a Imprensa, o Governo, as pessoas que moram ao lado da fábrica, enfim, os tais stakeholders, ou partes interessadas.

Para construir uma boa reputação, a primeira constatação necessária é que não é um esforço instantâneo. Pode-se obter fama instantaneamente, mas não reputação.

Outra consideração é que não é possível atingir uma boa reputação apenas com discursos e campanhas de imagem, embora exerçam o papel fundamental de comunicar para os diversos públicos sobre as ações e valores da empresa.

Por estranho que possa parecer, é possível construir uma reputação a partir de um erro. Se você erra, e admite, corrige o erro e segue em frente, sua reputação ganha pontos, pois você soube superar o equívoco.

As pessoas e as empresas não devem ter medo de errar. Mas precisam ter medo de não reconhecer os erros.

Este sim, é um comportamento “arrasa-reputação”. Se a Exxon tivesse reconhecido o erro no episódio do vazamento de óleo do seu navio Exxon Valdez (já relatado aqui), teria sofrido muito menos desgaste em sua imagem, a forma perceptível da reputação.

A maneira de se conseguir boa reputação reside no esforço em se ser aquilo que se deseja parecer.”

A frase acima, de Sócrates, resume bem o que as empresas, de fato, devem buscar. Precisam se tornar aquilo que em geral apenas comunicam. Precisam se tornar merecedoras da reputação que procuram construir.

É um esforço continuado, que só pode ser atingido por meio de ações consistentes e transparentes. Ou, nas palavras de Henry Ford: “Você não pode construir uma reputação baseado no que você ainda vai fazer.”

O primeiro passo para a construção da reputação não é a escolha da agência de publicidade.

É a leitura honesta do cenário onde sua empresa atua. O que precisa mudar. Quais os valores a serem perseguidos e preservados. Escolher os problemas e começar a resolvê-los de maneira objetiva.

Não adianta nos preocuparmos com o fato de ser um longo caminho, pois é o único caminho.

As empresas que perceberem a forma correta de construir (e manter) sua reputação estarão mais aptas a enfrentar um cenário econômico cada vez mais complexo, num mundo cada vez mais veloz e conectado. Conseguirão fazer isso somente aquelas que se preocuparem primeiro com valores éticos e tiverem consciência do seu papel.

Como dizia o padre Antonio Vieira: “Muitos cuidam da reputação, mas não da consciência.”

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos,Comunicação Empresarial,Cultura,Sustentabilidade |
abr
19
2011
2

O valor das empresas

Por Jorge Carrano

Há poucos dias, saiu a notícia de que a Apple pode ser a primeira empresa a valer um trilhão de dólares. Isso mesmo: US$ 1 trilhão.

A conta é simples: multiplica-se o valor de uma ação pelo total de ações existentes. É o chamado “valor de mercado”. Talvez fosse mais correto dizer “valor para o mercado”. Mas qual seria o valor para a sociedade?

As empresas geram empregos, pagam impostos e contribuem de diversas outras maneiras -  diretas e indiretas -  para a sociedade. Algumas desenvolvem produtos e serviços que melhoram a saúde e a qualidade de vida das pessoas. Outras desenvolvem soluções para proteger o ambiente, por exemplo.

Mas o excesso de importância dado apenas ao aspecto financeiro do valor das empresas é mais um sinal de miopia do nosso tempo.

O valor para os investidores é fundamental, claro, para financiar a própria companhia e viabilizar seu crescimento, mas as empresas que geram valor de longo prazo ou cujos produtos e serviços são indispensáveis para a sociedade precisam (e merecem) ser objeto de um olhar mais apurado.

O próprio mercado financeiro busca destacar as empresas que mais se preocupam com a sustentabilidade de suas operações por meio da criação de índices que consideram também os aspectos sociais e ambientais do negócio. O DJSI (Dow Jones Sustainability Index) da Bolsa de Nova York e o ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial), da Bovespa, são bons exemplos.

Apesar disso, vejamos o que dizem alguns números. Comecemos pelas cinco primeiras companhias da lista das 500 maiores elaborada pela Fortune em 2010: Wal-Mart, Exxon, Chevron, General Electric e Bank of America.

Com exceção da GE, que tem investido em tecnologias mais limpas nos últimos anos, os outros  componentes da lista são empresas que pouco contribuem, de fato, para a melhoria da vida das pessoas no longo prazo. O Wal-Mart, por exemplo, é notório destruidor do varejo local. Onde quer que se instalem com suas imensas lojas, fazem um verdadeiro dumping nos preços, levando o comércio local à falência. Exxon e Chevron são empresas de um mundo que deveria já ter sido abandonado, baseado em combustíveis fósseis, com seus enormes passivos ambientais. Banco nem precisamos comentar…

Essas 4 empresas, em 2010, tiveram vendas superiores a 1 trilhão de dólares, e lucros superiores a 60 bilhões de dólares.

Mas quanto elas valem, de fato?

O valor da empresa precisa considerar sua capacidade de gerar riqueza sustentável. Muito mais importante para a sociedade são iniciativas voltadas à energias limpas, saneamento básico, pesquisas científicas, educação, transporte e logística, para ficar nos mais óbvios.

O dia em que uma empresa dedicada a uma dessas atividades estiver entre as mais valiosas do mercado, aí sim, o tal “mercado” estará, de fato, emitindo um sinal de que compreendemos o papel das empresas na construção de um mundo melhor.

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos,Marketing,Sustentabilidade |
abr
12
2011
0

Campanhas pioneiras

Por Jorge Carrano

Em 1756, William Shipley, um professor de desenho em Northampton,  a cerca de 100 km de Londres, fundou uma sociedade com o objetivo de estimular e premiar, em dinheiro, aqueles que desenvolvessem ideias para melhorar as artes e as ciências. A Sociedade para Promoção das Artes, Manufaturas e Comércio – que teve entre seus  membros figuras ilustres como Benjamin Franklin, Karl Marx, Charles Dickens, Alexander Graham Bell e o físico Stephen Hawking  – foi rebatizada, em 1987, para apenas RSA.

É interessante observar como algumas das inovações ou causas defendidas pela RSA, há mais de 200 anos, pareciam antecipar discussões do nosso tempo.

Destaco duas, ambas relacionadas às questões ambientais e ligadas às mudanças climáticas, temas que consideramos entre os mais atuais.

Em 1770, a Sociedade começa uma longa campanha para estimular as indústrias a emitirem menos fumaça. Vale lembrar que naquele tempo, no início da Revolução Industrial, o carvão era a principal fonte de geração de energia. Essa campanha iria perdurar muitos anos e, já no século XIX, patrocinou um movimento para eliminar as chaminés das casas, visando reduzir a emissão de fumaça. Sobre esse tema, vale destacar que, em 1805, a Sociedade premiou George Smart pela invenção de um sistema de limpeza das chaminés, composto por hastes e escovas. Até aquela época, as crianças eram usadas para limpar as chaminés, algo inconcebível para nós. Essa invenção continua a ser usada até hoje.

Outra ação interessante da Sociedade teve início em 1757, quando foi lançada a primeira campanha para plantio de árvores com objetivo de reflorestamento, com destaque para castanheiras, carvalhos e olmos. As florestas da Inglaterra tinham sofrido um grave golpe (a exemplo das francesas e espanholas) com a necessidade de construir navios durante o período das Guerras Napoleônicas.

Apenas em 1806, ano em que a campanha atingiu seu auge, houve o plantio de 1 milhão de árvores e  estima-se que, até o final da ação, em 1835, tenham sido plantadas mais de 50 milhões de árvores.

Para conhecer mais sobre essa história, clique aqui.

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos,Cultura,Sustentabilidade |
out
13
2010
0

Em terra de surdo…

Por Jorge Carrano

São poucas as empresas que aprenderam, de fato, a ouvir seus clientes. Essa capacidade, além de óbvia visão de negócios, pressupõe uma área de comunicação atuante e antenada. Durante muito tempo, mesmo em grandes corporações, as áreas de comunicação eram vistas como “aquele pessoal que organiza a festa de fim de ano”. E o pior: isso era verdade em muitos casos.

Só que, no contexto da globalização econômica – que tornou o fluxo de mercadorias, serviços e pessoas mais intenso – presenciamos também uma “globalização das comunicações”, iniciada pela internet e  consolidada com as redes sociais.  Esse fenômeno se caracteriza, principalmente, pela descentralização da produção de conteúdos e pela informação instantânea.

E a velocidade na circulação de informações e a instantaneidade ditaram uma nova regra: é imprescindível acompanhar o que falam de sua marca. Em tempo real.

Pense no Facebook, que, com seus mais de 500 milhões de usuários, seria o terceiro país mais populoso do mundo. Ou nos milhões de seguidores de alguns no Twitter, os milhões de vídeos assistidos no You Tube diariamente. Os números das redes sociais não param de crescer e surpreender.

Infelizmente, mais surpreendente é o fato de que empresas que vivem de “reputação” e dependem do prestígio de suas marcas para sobreviver – e são quase todas que disputam mercado – não tenham ainda percebido a importância de escutar seus públicos.

Elas precisam perceber a mudança no cenário ao seu redor, e atualizar o velho ditado. Antes, dizia-se “em terra de cego, quem tem um olho é rei”.

No mundo conectado em que vivemos, precisamos de uma nova versão: em terra de surdo, quem tem um ouvido é rei.

mai
25
2010
1

Comigo não, violão

Por Jorge Carrano

Que o ser humano sempre foi egoísta, já sabemos. Faz parte da nossa natureza, dizem alguns, e as exceções se transformam em ídolos, mártires ou pessoas admiráveis simplesmente por serem humanas.

O egoísmo assume também proporções nacionais, com países que tomam ações para preservar interesses de seus cidadãos – o que é legítimo, diga-se – em detrimento das aspirações de outros. Um exemplo óbvio disso é a xenofobia em países desenvolvidos, que tentam conter as imigrações em massa do antes chamado “terceiro mundo”. França, Alemanha, Itália e outros países europeus vivem esse drama com frequência, e o tema assume as cores da bandeira nacional quando ocorrem eleições.

Há também um espírito de egoísmo em nossa relação com o planeta. Dele só tiramos insumos e devolvemos lixo. Jogamos lixo nas ruas, porque “não é problema nosso”. No máximo, é mais trabalho para o lixeiro. Ainda existem pessoas que acrescentam a estúpida frase: “se não fizer isso, o lixeiro não tem trabalho”, como se houvesse algum componente social em seu comportamento porco.

Acontece que o mundo está menor. Não apenas porque a população cresce rapidamente, mas porque o comércio internacional e as tecnologias de comunicação o deixaram mais próximo.

Se antes a erupção de um vulcão lá na Islândia prejudicava apenas os moradores do país ou, no máximo, os vizinhos mais próximos, agora o fenômeno paraliza vôos em São Paulo e Buenos Aires. Cria um colapso no sistema de trens e rodovias. E vira problema de todo mundo, mesmo aqueles distantes alguns milhares de quilômetros

As crises financeiras são outro exemplo. Um banco quebra, derruba uma bolsa de valores, e a economia inteira do planeta desmorona como aqueles dominós, que vão caindo em sequência.

Como cidadãos, é preciso que sejamos capazes de compreender que não estamos sozinhos. Nossos hábitos de consumo – e descarte, principalmente – são problemas de todos. Nossas ações deixarão pegadas no futuro.

As empresas, igualmente, precisam perceber que estão agora conectadas com um universo muito mais amplo do que as fronteiras fisicas de suas fábricas. A tão propalada sustentabilidade nada mais é do que observar, respeitar e cuidar de todos esses aspectos: produção, pessoas, ambiente.

Um deslize que em outras épocas passaria despercebido, hoje torna-se conhecido ao redor do mundo com a velocidade do instantâneo. E impactos imprevisíveis. É necessária uma mudança na forma de encarar sua relação com o planeta.

Nessa complexa teia em que fomos todos envolvidos, não dá para menosprezar um problema, simplesmente considerando-o alheio. O tempo mudou. Ao invés do egoísta “comigo não, violão”, é chegado o momento do conectado e solidário “comigo sim, tamborim”.

Escrito por Jorge Carrano em: Artigos,Cultura,Digital,Sustentabilidade |

Powered by WordPress | Aeros Theme | TheBuckmaker.com

WP SlimStat